‘Sistema financeiro está dando tiro no pé’

Compartilhe:

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia   Página: B-4 


A alta dos juros poderá ser discutida na reunião de hoje do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um grupo de empresários para debater a reforma tributária. ‘É um tema importante e, se houver oportunidade, vamos falar’, disse o diretor-executivo do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Emerson Kapaz.

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia   Página: B-4 


A alta dos juros poderá ser discutida na reunião de hoje do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um grupo de empresários para debater a reforma tributária. ‘É um tema importante e, se houver oportunidade, vamos falar’, disse o diretor-executivo do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Emerson Kapaz. ‘Estou muito preocupado com a alta, o sistema financeiro está dando um tiro no pé.’ Ele acredita que a alta dos juros, a seu ver exagerada, pode iniciar um ciclo vicioso: levar ao aumento da inadimplência e à retração do crédito.


Para o ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a alta dos juros não se sustenta e deverá reverter-se em meados do ano. As razões listadas pelo Banco Central para explicar o aumento ‘não justificam’ a elevação vista no mês. Ele avalia que a alta de janeiro é um repasse atrasado da alta dos juros futuros iniciada no ano passado, por causa da crise internacional.


Segundo o vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil, Aldo Luiz Mendes, a taxa de juros subiu em janeiro por causa da aceleração da inflação, que elevou as taxas do mercado futuro. Como recentemente o mercado de juros futuros se acalmou, isso deve influenciar positivamente as taxas.


O presidente do Banco do Brasil, Francisco Lima Neto, disse que não há nenhum pedido do acionista majoritário – o Tesouro Nacional – para que o banco atue no sentido de conduzir uma redução nas taxas do mercado. O banco cobra juros mais baixos do que a média do mercado. Segundo ele, o Brasil tem um mercado incompleto de oferta de produtos bancários e o BB, como instituição pública, atua nesses segmentos cuja oferta é insuficiente.


Segundo o economista-chefe da Febraban, Nicola Tingas, o aumento do IOF para pessoas físicas – que elevou a taxa de 1,50% para 3,38% – mais a suspensão dos financiamentos de crédito consignado entre 2 e 7 de janeiro e a volatilidade no mercado financeiro internacional relacionada à crise nos EUA foram os principais fatores que determinaram o aumento das taxas de juros médios do crédito livre em janeiro. Ele negou que o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos bancos – de 9% para 15% – tenha provocado a alta dos juros.


 

Leia mais

Rolar para cima