Taxas de juros disparam

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Jornal do Commercio  Editoria: Economia   Página: A-2 


As taxas de juros dos empréstimos dispararam em janeiro, impulsionadas pela crise nos Estados Unidos e pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), entre outros fatores. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, a taxa média para pessoas físicas saltou de 43,9% ao ano em dezembro para 48,8% em janeiro, um aumento de 4,9 pontos percentuais. Os financiamentos às empresas ficaram em média 1,8 ponto percentual mais caros, de 22,9% para 24,7% ao ano.

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As taxas de juros dos empréstimos dispararam em janeiro, impulsionadas pela crise nos Estados Unidos e pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), entre outros fatores. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, a taxa média para pessoas físicas saltou de 43,9% ao ano em dezembro para 48,8% em janeiro, um aumento de 4,9 pontos percentuais. Os financiamentos às empresas ficaram em média 1,8 ponto percentual mais caros, de 22,9% para 24,7% ao ano.


O movimento de alta continua em fevereiro, segundo dados apurados pelo BC até o dia 14. Na média, as taxas para pessoas físicas já subiram 1,8 ponto percentual e, para as pessoas jurídicas, 0,6 ponto percentual.


Mesmo mais caros, os empréstimos não pararam de crescer. Em janeiro, o crédito concedido chegou a R$ 529,3 bilhões, 1% mais do que em dezembro e 28,5% mais em 12 meses. Os financiamentos à pessoa física cresceram 2,5%, atingindo R$ 246,5 bilhões, enquanto para as pessoas jurídicas houve ligeira retração, de 0,3%. O volume total do crédito chegou a 34,8% do Produto Interno Bruto (PIB).


Apesar de mais endividadas, as pessoas estão pagando os empréstimos. A taxa média de inadimplência das pessoas físicas ficou em 7,1% e a das jurídicas, em 2%. Nos dois casos, não houve aumento em relação a 2007. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, o aumento das alíquotas do IOF, de 1,5% para 3%, é um dos fatores que explicam a alta dos juros.


A crise nos Estados Unidos também contribuiu. “As instituições financeiras, de forma preventiva, elevaram a expectativa de risco”, disse Lopes. A média dos juros subiu, ainda, porque mais pessoas recorreram ao cheque especial, cuja taxa atingiu 145% ao ano, a mais alta desde junho de 2006.


O juro médio subiu também porque o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deixou de autorizar empréstimos consignados entre 2 e 7 de janeiro, levando os aposentados a buscar alternativas mais caras. Outro fator é o fim da promoção de juros do consignado que a Caixa Econômica Federal havia feito para funcionários do Judiciário. Ainda assim, em janeiro o total de empréstimos consignados atingiu R$ 65,5 bilhões, um aumento de 1,4% na comparação com dezembro.


Embora mais caros, os empréstimos estão mais longos. Na média, chegaram a 369 dias, superando o período de um ano pela primeira vez na série do BC, iniciada em 2000.


Leasing


As operações de leasing continuam em firme trajetória de elevação. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o total dessas operações aumentou 4,5% em janeiro na comparação com dezembro, para R$ 67,874 bilhões. Em 12 meses, o total saltou 90,4%. O financiamento de veículos lidera, com folga, essa expansão.


Em janeiro, o total das operações de arrendamento para pessoas jurídicas aumentou 5,5%, para R$ 36,730 bilhões. Para as pessoas físicas, a expansão foi de 3,3%, para R$ 31,144 bilhões. Nos últimos 12 meses, o crescimento acumulado do mercado atinge 74,7% nas transações para as empresas e 113,1% para as famílias. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, destacou que 86,9% do volume dessas operações estão sendo destinados à compra de veículos.


“Tiro no Pé”


A alta dos juros poderá ser discutida na reunião de hoje do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um grupo de empresários para debater a reforma tributária. “É um tema importante e, se houver oportunidade, vamos falar”, disse o diretor-executivo do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Emerson Kapaz. “Estou muito preocupado com a alta, o sistema financeiro está dando um tiro no pé.” Ele acredita que a alta dos juros, a seu ver exagerada, pode iniciar um ciclo vicioso: levar ao aumento da inadimplência e à retração do crédito.


Para o ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a alta dos juros não se sustenta e deverá reverter-se em meados do ano. As razões listadas pelo Banco Central para explicar o aumento “não justificam” a elevação vista no mês. Ele avalia que a alta de janeiro é um repasse atrasado da alta dos juros futuros iniciada no ano passado, por causa da crise internacional.


Segundo o vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil, Aldo Luiz Mendes, a taxa de juros subiu em janeiro por causa da aceleração da inflação, que elevou as taxas do mercado futuro. Como recentemente o mercado de juros futuros se acalmou, isso deve influenciar positivamente as taxas.


O presidente do Banco do Brasil, Francisco Lima Neto, disse que não há nenhum pedido do acionista majoritário – o Tesouro Nacional – para que o banco atue no sentido de conduzir uma redução nas taxas do mercado. O banco cobra juros mais baixos do que a média do mercado. Segundo ele, o Brasil tem um mercado incompleto de oferta de produtos bancários e o BB, como instituição pública, atua nesses segmentos cuja oferta é insuficiente.


Segundo o economista-chefe da Febraban, Nicola Tingas, o aumento do IOF para pessoas físicas – que elevou a taxa de 1,5% para 3,38% – mais a suspensão dos financiamentos de crédito consignado entre 2 e 7 de janeiro e a volatilidade no mercado financeiro internacional relacionada à crise nos EUA foram os principais fatores que determinaram o aumento das taxas de juros médios do crédito livre em janeiro.

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