O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-6
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) ficou em 0,64% em fevereiro, ante 0,70% em janeiro. Apesar da desaceleração da taxa de um mês para o outro, o resultado veio acima da média das estimativas dos analistas do mercado financeiro (0,59%) e foi puxado pelo reajuste de alguns produtos alimentícios e das mensalidades escolares.
Os grupos de alimentos e educação responderam, juntos, por 0,5 ponto porcentual, ou 80% da inflação do mês.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-6
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) ficou em 0,64% em fevereiro, ante 0,70% em janeiro. Apesar da desaceleração da taxa de um mês para o outro, o resultado veio acima da média das estimativas dos analistas do mercado financeiro (0,59%) e foi puxado pelo reajuste de alguns produtos alimentícios e das mensalidades escolares.
Os grupos de alimentos e educação responderam, juntos, por 0,5 ponto porcentual, ou 80% da inflação do mês. O IPCA-15, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é uma prévia do IPCA, referência para as metas de inflação do governo. Os dois indicadores diferem apenas no período de coleta. Os técnicos do instituto não dão entrevista sobre essa pesquisa.
O economista da LCA Consultores, Raphael Castro, disse que a maior surpresa do IPCA-15 de fevereiro foi o grupo Alimentação e Bebidas. ‘Foi a maior diferença, pois o IPCA-15 não mostrou o alívio entre os produtos alimentícios que outros indicadores mostraram.’
Em fevereiro, segundo o IBGE, os alimentos subiram 1,13%, menos que em janeiro (1,96%), mas acima do esperado. Segundo Castro, a alta do IPCA-15 ‘não é preocupante’ e o IPCA fechado de fevereiro, que será divulgado no início de março, deverá ficar próximo de 0,50% (ante 0,54% em janeiro).
Enquanto os produtos alimentícios tiveram alguma desaceleração em fevereiro, os não-alimentícios subiram 0,97%, bem acima da variação de 0,35% de janeiro. Segundo Castro, essa alta já era esperada por causa dos reajustes nas escolas, captados pelo IBGE no segundo mês do ano.
O grupo educação subiu 3,61%, refletindo, além do reajuste das mensalidades, os aumentos nas tarifas dos ônibus urbanos. Já os combustíveis recuaram 1,09% e apresentaram a mais baixa contribuição, de -0,05 ponto percentual.
Para o estrategista da tesouraria do BES Investimento, Fábio Knijnik, o resultado do IPCA-15 acima da média das estimativas não altera a tendência de redução da inflação.
No IPC-Fipe, item teve deflação
A desaceleração da inflação na cidade de São Paulo, para 0,16% na terceira quadrissemana de fevereiro, ante 0,22% na coleta anterior, foi praticamente determinada pela deflação de 0,13% na alimentação. Essa é, segundo o coordenador do IPC-Fipe, Márcio Nakane, a oitava desaceleração seguida nesse grupo.
Esse movimento foi impulsionado pelas quedas de 2,27% no subgrupo de alimentos in natura, do preço do frango, que caiu 6,36%, e das carnes bovinas, com deflação de 1,39%. A queda no preço dos alimentos só não foi maior porque alguns produtos de peso na dieta do consumidor continuam em elevação. É o caso do feijão, que subiu 10,55%, do arroz (4,11%), do óleo de soja (6,79%) e do pão francês (0,77%). Segundo Nakane, o aumento do óleo e do pão era esperado, já que, no atacado, a soja em grão e o trigo tiveram alta.