Inflação

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Jornal do Brasil   Editoria: Economia   Página: E-2


 A definição clássica de inflação é a de que corresponde ao índice médio de uma elevação geral de todos os preços, por um período razoável de tempo. O ideal seria uma inflação zero, mas tratando-se de média, para ser zero seria necessário que houvesse uma mixagem de inflação mais alta para um grupo e deflação para outro grupo, evidentemente uma situação negativa para os produtos e produtores desse segundo grupo. A inflação e a deflação são ruins.

Jornal do Brasil   Editoria: Economia   Página: E-2


 A definição clássica de inflação é a de que corresponde ao índice médio de uma elevação geral de todos os preços, por um período razoável de tempo. O ideal seria uma inflação zero, mas tratando-se de média, para ser zero seria necessário que houvesse uma mixagem de inflação mais alta para um grupo e deflação para outro grupo, evidentemente uma situação negativa para os produtos e produtores desse segundo grupo. A inflação e a deflação são ruins. Por isso, para acomodar uma situação que corresponda à média dos preços nacionais, entre os produtos do Norte e do Sul, da agricultura e da indústria, considera-se prudente trabalhar com uma média positiva, digamos em torno de 3%, significando uma inflação zero ou ligeiramente negativa para uns e alta esporádica de 5% a 8%, para um grupo menor de produtos. Desde que a média fique entre 2% a 3%, a alta de preços não parece causar maiores perturbações, podendo-se conviver com ela, sem prejudicar o crescimento econômico.


A inflação tem muitos efeitos negativos, mas seu maior dano é a perda do poder aquisitivo dos salários, ou seja uma alta exagerada de preços que corrói o poder de compra das classes de baixa renda. E é por aí que se justifica a obrigação fundamental do Governo de combater a inflação acima de limites considerados degradantes. O maior defensor do combate à inflação, no Brasil, o genial professor Eugenio Gudin, acreditava e defendia um “sopro inflacionário”, justamente para evitar que alguns setores sofressem com a deflação, pelo que significa um desestímulo ao investimento e à produção.


Entre 1950 e 1975, o Brasil conviveu com uma inflação média entre 15% e 30%. Após a generalização da correção monetária e da legalização de um sistema contratual e obrigatório de “indexação generalizada”, garantiu-se uma “proteção” aos assalariados, durante um certo período, mas com o tempo o sistema “tomou o freio nos dentes”, e tornou-se auto-gerador, de modo que a inflação de hoje gerava a inflação de amanhã, de uma maneira incontrolável. Foi assim que, em 1993, a inflação brasileira chegou a 2.700%.


Nesse período, a inflação teve várias causas, como é óbvio, mas, sem dúvida, a maior pressão inflacionária deveu-se à expansão do Estado, que sucessivamente, principalmente a partir de 1950, foi aumentando sua participação na Renda Nacional (PIB), enquanto decrescia a participação dos trabalhadores.


Hoje, estamos convencidos de que a inflação é um mal, que precisa ser evitado. Mas o Governo,  embora deixe transparecer que se convenceu disso,  continua, a cada ano, procurando apropriar-se de uma parcela maior do “bolo nacional” (PIB), gerando inflação, justamente ele, Governo, a quem compete a obrigação de garantir a estabilidade monetária. Em 1950, a participação do Estado no PIB era de 15% e, hoje, vai caminhando para 40%, obviamente em detrimento dos trabalhadores e dos empresários.


Antonio Oliveira Santos é presidente da Confederação Nacional do Comércio




 

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