Gazeta Mercantil Editoria: Finanças Página: B-1
Na primeira metade de 2007, quando farta liquidez internacional patrocinava volumes recordes da indústria de fusões e aquisições, o Brasil já caminhava a passos mais acelerados do que a média mundial. Agora, com a instabilidade provocada pelo medo de recessão nos EUA, essa diferença ficou ainda mais acentuada. Segundo dados da Thomson Financial referentes a janeiro, enquanto o ritmo de operações envolvendo empresas nacionais se manteve aquecido, globalmente o setor registrou forte queda.
Gazeta Mercantil Editoria: Finanças Página: B-1
Na primeira metade de 2007, quando farta liquidez internacional patrocinava volumes recordes da indústria de fusões e aquisições, o Brasil já caminhava a passos mais acelerados do que a média mundial. Agora, com a instabilidade provocada pelo medo de recessão nos EUA, essa diferença ficou ainda mais acentuada. Segundo dados da Thomson Financial referentes a janeiro, enquanto o ritmo de operações envolvendo empresas nacionais se manteve aquecido, globalmente o setor registrou forte queda.
Segundo o levantamento, o volume das transações anunciadas em janeiro envolvendo companhias brasileiras foi de US$ 6,67 bilhões, um salto de 543,9% em relação ao primeiro mês do ano passado. Enquanto isso, o total global despencou 45%, para US$ 176,7 bilhões, também no período de 12 meses. Os setores financeiro e de tecnologia dominaram o ranking, com 20% cada do total movimentado.
Para especialistas, dois fatores principais explicam o descasamento entre o Brasil e o mundo. Primeiro a expectativa de forte crescimento da economia brasileira para 2008 – segundo o boletim Focus, divulgado ontem, o mercado projeta alta de 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no período. “Como o pano de fundo da economia é positivo, não há operações sendo congeladas à espera de que o panorama internacional melhore, como aconteceu outras vezes”, diz Raul Beer, sócio responsável por finanças corporativas da PricewaterhouseCoopers.
O outro é que empresas e fundos de private equity no Brasil estão fortemente capitalizados. “As empresas que fizeram IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) estão sendo pressionadas por investidores a aplicar os recursos que captaram”, explica Carlos Parizzoto, sócio da consultoria Cypress Associates. “Foi isso que elas prometeram”, completa.
Segundo Beer, as fontes de financiamento também ajudam a explicar a diferença entre o Brasil e o mundo. Isso porque grande parte das operações anunciadas nos últimos meses no exterior, especialmente nos EUA, eram apoiadas com empréstimos bancários. Com a crise no país justamente causada pela menor oferta de crédito, a fonte praticamente secou. No Brasil, esse tipo de financiamento é muito pouco utilizado. “Aqui, fundos e empresas tomaram recursos direto no mercado de capitais”, comenta.
O outro lado
Outra parte do levantamento da Thomson, referente às operações concluídas, não houve descasamento. No mundo inteiro, o volume movimentado teve queda de 45%, para US$ 352,9 bilhões. No Brasil, esse declínio foi ainda mais acentuado: 75%, para US$ 1,27 bilhão. Para os especialistas, esses números devem ser vistos em conjunto com os de transações anunciadas para se obter uma visão de conjunto. No caso global, as duas colunas indicam queda, enquanto no Brasil o declínio nas operações concretizadas é mais que compensado pelo aumento na de anúncios. “A conclusão de operações pode demorar mais ou menos dependendo do tempo para aprovação por parte de órgãos reguladores. Por isso, a análise isolada de um mês pode levar a distorções”, diz Parizzoto.
Em 2007, o volume envolvido em fusões e aquisições no Brasil cresceu 91%, para US$ 46 bilhões. No mundo, a expansão foi de 10%, segundo a Thomson.