Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Os alimentos não deram trégua e a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) ficou em 0,70% em janeiro, a maior alta apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o primeiro mês do ano desde 2003. A taxa foi exatamente a mesma apurada pelo instituto em dezembro.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Os alimentos não deram trégua e a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) ficou em 0,70% em janeiro, a maior alta apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o primeiro mês do ano desde 2003. A taxa foi exatamente a mesma apurada pelo instituto em dezembro. O resultado veio dentro do esperado por analistas do mercado financeiro (0,62% a 0,73%) e mostrou que os preços abriram o ano sob pressão.
O IPCA-15 é uma espécie de prévia do IPCA, referência para as metas de inflação do governo (4,5% em 2008), diferindo-se apenas no período de coleta. Em janeiro, os alimentos subiram 1,96%, variação superior à apurada no índice de dezembro (1,73%) e que contribuiu, sozinha, com 0,42 ponto percentual, ou 60% do IPCA-15 do mês. As maiores altas nesse grupo ocorreram no grupo dos feijões (28,34%), tomate (20,91%), óleo de soja (8,11%), frutas (4,97%), ovos (6,13%) e macarrão (1,96%).
Segundo o documento de divulgação do IBGE – os técnicos do instituto não comentam esse indicador -, as carnes (de 8,78% em dezembro para 4,05% em janeiro) e o frango (de 4,92% para 3,99%) continuaram a pressionar o índice, mas mostraram taxas de crescimento menos intensas de um mês para o outro.
Para o do economista-sênior da Itaú Corretora, Maurício Oreng, o comportamento dos preços dos alimentos deve impedir que o IPCA apresente taxas consideradas baixas até o mês de março. Segundo ele, a alta dos alimentícios chamou a atenção no IPCA-15 de janeiro. “Em termos de resultado, o IPCA-15 não mostrou grandes surpresas, mas os alimentos ainda estão subindo forte”, disse, acrescentando que “definitivamente, ainda não estamos esperando taxas muito boas para janeiro e fevereiro”.
Os economistas do Banco Fibra, Maristella Ansanelli e Flávio Mendes, acreditam que os resultados do IPCA-15 corroboram a decisão tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros inalterados na reunião de quarta-feira.
Combustíveis
Na contramão do comportamento dos preços dos alimentos, os produtos não-alimentícios desaceleraram a alta para 0,35% em janeiro, ante 0,42% em dezembro. A perda de ritmo ocorreu principalmente por causa do álcool combustível, cujo preço do litro teve crescimento bem menor em janeiro (2,55%) do que em dezembro (11,45%). A gasolina foi influenciada pelo álcool, passando de 1,06% em dezembro para 0,60% em janeiro.
Os artigos de vestuário (de 0,76% para 0,53%) e cigarros (de 3,60% para 1,62%) também apresentaram variações mais baixas em janeiro do que no mês anterior.