Governo teme impacto nas contas externas

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Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro Página: B-3


A queda nas Bolsas do mundo todo nos últimos dias por conta dos prejuízos dos bancos norte-americanos -que começam a ficar mais claros com a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2007- acentuou a preocupação da equipe econômica com os desdobramentos da crise originada nos Estados Unidos e os impactos no Brasil.


E o principal motivo, neste primeiro momento, não é a dúvida em relação ao ritmo de desaceleração da maior economia do mundo.

Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro Página: B-3


A queda nas Bolsas do mundo todo nos últimos dias por conta dos prejuízos dos bancos norte-americanos -que começam a ficar mais claros com a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2007- acentuou a preocupação da equipe econômica com os desdobramentos da crise originada nos Estados Unidos e os impactos no Brasil.


E o principal motivo, neste primeiro momento, não é a dúvida em relação ao ritmo de desaceleração da maior economia do mundo. Segundo a Folha apurou, a equipe econômica teme que a perda de valor das empresas instaladas no país, refletidas na forte queda das ações negociadas na Bovespa, seja acompanhada de uma diminuição dos fluxos financeiros externos.


A preocupação se justifica porque isso afetaria diretamente a taxa de câmbio, aliada mais importante no combate à inflação nos últimos meses. Um corte ou uma redução forte do fluxo de recursos internacionais direcionados para aplicações financeiras seria o canal de contágio, segundo avaliação do governo, porque se daria num momento em que o Brasil deverá voltar a registrar déficit nas suas transações com o resto do mundo.


As projeções para 2008 são de um déficit em conta corrente de quase US$ 5 bilhões, após superávits sucessivos. Isso porque, enquanto as importações estão em franca ascensão, impulsionadas pelo consumo interno e o dólar mais barato, as exportações estão em desaceleração. Além disso, outras despesas como remessa de lucros e dividendos também devem pressionar os gastos.


Alta da inflação


A equipe econômica conta justamente com o dinheiro que ingressa no país para investimentos em ações, títulos e outras operações financeiras para compensar essas saídas de recursos para o exterior.


Se esse fluxo também cai, a tendência é o câmbio se desvalorizar, o que, por um lado torna as exportações mais competitivas, mas, por outro, puxa a inflação para cima.


Na avaliação de um integrante da equipe econômica, como o Brasil tem um colchão de reservas de US$ 180 bilhões e indicadores econômicos favoráveis, ainda pode avaliar melhor os desdobramentos antes de tomar medidas como o aumento de juros para evitar alta da inflação neste ano.


Apesar dessa preocupação, a equipe econômica avalia que, por enquanto, o efeito da crise norte-americana no Brasil será pequeno, não representando grandes riscos para o ritmo de crescimento brasileiro (leia texto ao lado). A expectativa é que ele fique acima de 4%.


Além disso, ainda há dúvidas sobre o cenário norte-americano. Se por um lado há riscos claros de recessão, por outro há outros fatores que podem compensar os efeitos da crise, como o período eleitoral nos Estados Unidos neste ano. Mais: a crise não deve reduzir significativamente o preço das commodities neste primeiro semestre, contribuindo para que as exportações brasileiras continuem fortes nesse setor.


Para Mantega, quadro atual exige “atenção”


O ministro Guido Mantega (Fazenda) acredita que as conseqüências de uma possível recessão nos EUA seriam pequenas no Brasil. Mantega disse ter recebido orientação do presidente Lula para, se necessário, tomar medidas e evitar que a economia brasileira seja afetada.


“É um momento de atenção. O presidente Lula determinou que ficássemos bastante vigilantes aos movimentos do mercado internacional e, se fosse necessário, tomar alguma medida, mas por enquanto não vejo necessidade”, afirmou ele, que antecipou para ontem sua volta das férias.

O ministro voltaria ao trabalho no dia 21 e, segundo ele, antecipou a volta por o presidente Lula ter desistido de sair de férias.


Em São Paulo, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descartou a necessidade do Brasil de adotar “medidas de impacto imediato” para conter as turbulências nos mercados.


Meirelles disse, porém, que o Brasil “pode precisar de medidas como aquelas que têm sido implementadas nos últimos anos, que façam com que a economia continue a funcionar com estabilidade, para que possamos evitar crise no mercado financeiro ou de liquidez ou que possam prejudicar o crescimento econômico”.


Mantega afirmou que um agravamento da crise no mercado internacional era esperado, e que as perdas estão restritas ao setor financeiro. A dimensão real do problema só poderá ser conhecida após a divulgação de todos os balanços de 2007.


“Quando sair o balanço de 2007 ficará configurado o tamanho do buraco.”


Segundo ele, a economia norte-americana passa por um processo de desaceleração. Para Mantega, a principal dúvida hoje é como uma eventual recessão nos EUA irá afetar as commodities. O Brasil é exportador de alguns desses produtos, como minério de ferro e soja.


 


 




 


 


 

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