O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-8
O reajuste das mensalidades escolares é o principal foco de preocupação dos economistas no primeiro trimestre de 2008 em relação à inflação ditada pelo calendário, aquela cujo aumento ocorre uma vez por ano. A MB Associados, que projeta variação do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) de 0,45% para janeiro, prevê, por exemplo, que o índice possa atingir 0,50% em fevereiro por causa dos reajustes das escolas.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-8
O reajuste das mensalidades escolares é o principal foco de preocupação dos economistas no primeiro trimestre de 2008 em relação à inflação ditada pelo calendário, aquela cujo aumento ocorre uma vez por ano. A MB Associados, que projeta variação do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) de 0,45% para janeiro, prevê, por exemplo, que o índice possa atingir 0,50% em fevereiro por causa dos reajustes das escolas. “A inflação de fevereiro será pressionada pela educação, porque os reajustes se concentram nesse mês”, afirma o economista-chefe da consultoria, Sergio Vale.
Elson Telles, economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, calcula que a inflação do primeiro trimestre deste ano apurada pelo IPCA chegará a 1,40% ante 1,26% no mesmo período do ano passado, em razão das despesas com mensalidades escolares, além da pressão dos alimentos. “Os reajustes das escolas são foco de preocupação.” No IPCA, as despesas com educação pesam 7,1%.
A preocupação dos economistas se justifica. “Já reajustamos as mensalidades escolares”, afirma o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), José Augusto de Mattos Lourenço. No caso dos ensinos infantil e fundamental, o aumento varia entre 5,5% e 11,5% . Nos ensinos médio e profissionalizante o reajuste oscila entre 3% e 6%.
Lourenço observa que o aumento deste ano nas escolas infantis e de ensino fundamental é bem superior à média de 2007, que foi de 5%. “O reajuste é maior e a culpa é do governo”, afirma o presidente do Sieeesp, que representa 7.705 escolas.
Ele explica que o governo aumentou a tributação das empresas enquadradas no Simples e, com isso, a maioria das escolas viu seus custos se ampliarem. No ensino médio, o porcentual de reajuste foi influenciado pela inadimplência, que atingiu 15% dos alunos em outubro de 2007.
Vale, da MB Associados, acrescenta que a demanda está aquecida no caso de gastos com educação. De 2005 para 2006, aumentou 7,30% o número de alunos em escolas particulares de ensino fundamental, enquanto caiu 0,34% o total de matrículas nas escolas públicas. No ensino médio, o recuo foi de 1,17% nas escolas públicas. Nas particulares houve alta de 0,54% no mesmo período. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE.
No caso dos planos de saúde, outro setor que tem reajuste anual, o quadro é incerto. Na semana passada, chegou-se a falar de aumento de 8% a 10% para os planos individuais por causa dos novos procedimentos médicos. A Agência Nacional de Saúde não admite altas por causa da inclusão de procedimentos. O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, diz que as empresas têm necessidade de reajustes acima da inflação de 2007, de 4,46%. O reajuste anual é a partir de maio.