Jornal do Commercio Editoria: Opinião Página: A-17
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio
O PIB gerado nos Estados Unidos monta a US$ 13,8 trilhões, para uma população de 302 milhões de americanos, comparada com US$ 1,3 trilhões do PIB do Brasil, com uma população de cerca de 184 milhões de brasileiros. Isto significa que a renda per capita no Brasil é de US$ 6,8 mil, comparada com US$ 45,6 mil nos Estados Unidos.
Jornal do Commercio Editoria: Opinião Página: A-17
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio
O PIB gerado nos Estados Unidos monta a US$ 13,8 trilhões, para uma população de 302 milhões de americanos, comparada com US$ 1,3 trilhões do PIB do Brasil, com uma população de cerca de 184 milhões de brasileiros. Isto significa que a renda per capita no Brasil é de US$ 6,8 mil, comparada com US$ 45,6 mil nos Estados Unidos. Dois países com recursos naturais equivalentes, um é pobre e o outro é rico.
Diante dessa disparidade de renda, cabe perguntar: por que os Estados Unidos produzem 10 vezes mais do que o Brasil, se ambos utilizam os mesmos fatores de produção, ou seja terras, pessoas e máquinas?
A resposta está na produtividade, essa palavra mágica que representa a quantidade de produção que cada trabalhador é capaz de gerar utilizando uma unidade de equipamento. Cabe nesta resposta um complemento: as economias externas, que significam a eficiência da máquina administrativa do Governo, a qualidade das leis e das instituições e, sobretudo, as diversas redes de infra-estrutura, energia, transportes, comunicações, etc, que não só reduzem os custos da produção, como fazem os produtos saírem das fábricas com melhor qualidade e mais rapidamente chegarem aos mercados de consumo.
De um modo geral, os equipamentos e a tecnologia da produção são os mesmos, nos Estados Unidos e no Brasil. Todavia, é diferente a qualidade do Governo americano, que oferece melhores serviços públicos, fazendo melhor uso dos recursos tributários, e a qualidade do trabalhador, que possui maior grau de escolaridade e, portanto, melhores condições técnicas de trabalho, desde o chão das fábricas até os laboratórios de pesquisas e os gabinetes dos dirigentes, responsáveis pelas inovações tecnológicas e pela organização e orientação técnica da administração.
É evidente, nesse contexto, o papel desempenhado pela educação. É fácil verificar que o sistema de educação nos Estados Unidos é muito superior ao brasileiro, desde as escolas do ensino médio até as universidades, o que se explica não só pela qualidade das escolas, mas principalmente pela qualidade dos professores.
Professor, no Brasil, é uma profissão de segunda categoria, com baixo nível de preparação profissional e acadêmica, assim como baixíssima remuneração salarial. É muito comum, em alguns Estados do Brasil, encontrarmos professores despreparados e sem diploma, nas salas de aula das escolas públicas e particulares. Igualmente chocante é saber que em algumas regiões um professor de ensino básico ganha, em média, um salário mensal de R$ 500 ou R$ 1.500, no ensino superior, enquanto um procurador ou um auditor ingressa no Judiciário com um salário de seis a dez vezes superior. Uma telefonista ou um motorista no Congresso Nacional pode ganhar várias vezes mais que um professor.
Sem professor preparado e motivado não há educação de qualidade e, sem esta, será sempre baixa a produtividade do trabalho. Por isso, e basicamente por isso, a produção per capita nos Estados Unidos vai continuar dez vezes superior à do Brasil. Até que consigamos mudar o curso das coisas.