Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-3
A oferta mais farta de crédito deverá ajudar a expandir as vendas do varejo em 2008, mais uma vez impulsionadas pela demanda aquecida dos setores automotivo e imobiliário. Estudo elaborado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) projeta para este ano expansão na oferta de crédito para pessoas físicas de 15% a 20%. “O crédito sustenta as vendas do varejo. Sem ele, é difícil comprar, principalmente vens de valor mais elevado.
Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-3
A oferta mais farta de crédito deverá ajudar a expandir as vendas do varejo em 2008, mais uma vez impulsionadas pela demanda aquecida dos setores automotivo e imobiliário. Estudo elaborado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) projeta para este ano expansão na oferta de crédito para pessoas físicas de 15% a 20%. “O crédito sustenta as vendas do varejo. Sem ele, é difícil comprar, principalmente vens de valor mais elevado. A expectativa é que em 2008 também haja ampliação das vendas a prazo”, afirma Altamiro Carvalho, assessor econômico da entidade.
De acordo com a Fecomercio-SP, que realizou uma sondagem de vendas pós-Natal junto a cem empresários do comércio varejista da cidade de São Paulo, das compras realizadas no varejo da capital no ano passado, 30% foram feitas com pagamento à vista (em dinheiro, cheque ou cartão de débito). Aproximadamente 62% das compras foram efetivadas com cartão de crédito, 5% com cheque pré-datado e 3% à prestação (com carnê ou boleto bancário). Levantamento da Associação Brasileiras de Lojistas de Shopping (Alshop) aponta que em torno de 60% das vendas são feitas com cartão de crédito.
Conforme dados do Banco Central, entre janeiro e novembro de 2007, o saldo da oferta de crédito para pessoas físicas no país atingiu R$ 309,4 bilhões, o que representou um avanço de 31,3% em relação a igual mês de 2006. A expansão do crédito a pessoas físicas foi superior à oferta total de crédito, que aumentou 28,7% no país no mesmo período, chegando a R$ 908,775 bilhões. A expectativa do Banco Central para este ano é que a oferta total cresça em torno de 20%, ultrapassando R$ 1 trilhão.
A Tendências Consultoria estima crescimento nominal da oferta total de crédito próximo a 25%, com aumento nominal de 16%, chegando a R$ 1,13 trilhão. A consultoria estima que a expansão será puxada, mais uma vez, pelo aumento da oferta de crédito a pessoas físicas, que deve registrar crescimento nominal de 25% e real próximo a 20%, com o saldo nominal passando de R$ 317 bilhões em 2007 para R$ 397 bilhões no fim deste ano.
Para Ana Carla Abrão Costa, economista da Tendências, a perspectiva de crescimento da economia, a tendência de redução da taxa de juros a partir do segundo semestre e o nível de inadimplência ainda sob controle são fatores que sustentarão a expansão da oferta de crédito neste ano. “Novamente, as modalidades que devem crescer mais são o crédito consignado, de alienação de veículos e crédito imobiliário, que têm garantia e apresentaram níveis de inadimplência mais baixos”, afirma.
No ano passado até novembro, o uso de cartão de crédito parcelado aumentou 48,1% no mesmo período, para R$ 33,31 bilhões, conforme o Banco Central. O crédito consignado em folha de pagamento, por sua vez, avançou 32,8%, para R$ 63,922 bilhões. As operações de leasing aumentaram 97%, chegando a R$ 27,336 bilhões, sendo que 85% das operações foram vinculadas à compra de veículos.
Altamiro Carvalho, da Fecomercio-SP, observa que, até outubro, R$ 55 bilhões do crédito livre foram destinados ao financiamento para aquisição de veículos, o que corresponde a quase 10% do acumulado de concessões feitas a pessoas físicas em 2007, projetadas em R$ 560 bilhões. Conforme o economista, a oferta de crédito para a venda de automóveis cresce a taxas superiores a 25% ao ano e a tendência é que o setor continue puxando o crescimento do varejo neste ano, ainda que em ritmo menor em relação a 2007.
“O segmento de veículos deve se manter aquecido, até porque os prazos de pagamento estão se alongando, o que reduz o risco de inadimplência, hoje ainda dentro do padrão de normalidade”, afirma Carvalho. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, até novembro o volume de concessões foi de R$ 560 bilhões, dos quais R$ 250 bilhões foram pagos. “Hoje o nível de endividamento da renda no varejo é de 54%. Do total de crédito concedido, 38% dos pagamentos se encontram em atraso”, diz.
Para Carvalho, ainda há espaço para aumento do nível de endividamento, a menos que a inflação suba acima da meta de 4,5%, reduzindo o ganho real da massa média salarial no país. “Aí a capacidade de obtenção de crédito se reduziria. Mas essa relação hoje ainda é bastante saudável”, diz.
A Fecomercio-SP estima para a região metropolitana de São Paulo uma expansão nas vendas do varejo de 2,3%, com crescimento mais expressivo no primeiro semestre (de 2,8%). Em 2007, o comércio apresentou um crescimento de 4,5%, puxado por veículos (15%), materiais de construção (16%), móveis e decorações (12%), eletrodomésticos e eletroeletrônicos (10%).
Em 2008, conforme a entidade, os setores que devem apresentar resultados mais expressivos são as concessionárias de veículos, com aumento de 6% nas vendas, lojas de materiais de construção (4%) e lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos (4%). Os segmentos de móveis e decorações, vestuário, tecidos e calçados também devem apresentar incremento nas vendas neste ano, em torno de 2%. O grupo de supermercados deve registrar aumento de 1% nas vendas e lojas de autopeças e acessórios tendem a manter estáveis os níveis de vendas. Ainda conforme a entidade, os grupos com tendência de retração no comércio são as lojas de departamentos (5% de queda) e farmácias e perfumarias (1%).