O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-3
Combinação de mais inflação e maior crescimento da economia. É que o projetam para 2008 os analistas do mercado financeiro, de acordo com a pesquisa Focus divulgada ontem pelo Banco Central (BC). O cenário para os preços da economia se deteriorou e, em conseqüência, os analistas prevêem agora um corte menor da taxa de juros ao longo de 2008.
Com o dólar em queda, o mercado também prevê uma “virada” no balanço de pagamentos do Brasil com o exterior.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-3
Combinação de mais inflação e maior crescimento da economia. É que o projetam para 2008 os analistas do mercado financeiro, de acordo com a pesquisa Focus divulgada ontem pelo Banco Central (BC). O cenário para os preços da economia se deteriorou e, em conseqüência, os analistas prevêem agora um corte menor da taxa de juros ao longo de 2008.
Com o dólar em queda, o mercado também prevê uma “virada” no balanço de pagamentos do Brasil com o exterior. De um superávit de US$ 6,4 bilhões em 2007, o mercado projeta um déficit de US$ 3 bilhões para 2008. O dólar, prevêem os analistas, fechará em R$ 1,77, em 2007, e R$ 1,80, em 2008.
O principal temor do mercado é que a demanda aquecida provoque mais inflação e leve o BC a manter os juros em 11,25% por mais tempo ou a elevá-los. De acordo com a pesquisa Focus, a projeção é de uma taxa de 10,75% no fim de 2008. Na pesquisa da semana anterior, a projeção era 10,5%. Em contrapartida, o mercado elevou mais uma vez a estimativa de alta do Produto Interno Bruto: de 5,06% para 5,12%, em 2007, e de 4,40% para 4,50%, em 2008.
Embora abaixo do centro da meta de 4,5%, a inflação medida pelo IPCA teve sua estimativa elevada de 4,20% para 4,25% no fim de 2008. Em 2007, os economistas apontaram alta de 4,35% do IPCA. Há uma semana, esperavam que a inflação terminasse 2007 em 4,21%.
O economista do ABN, Cristiano Souza, avalia que o as projeções de inflação próximas à meta, combinadas com o descompasso entre o crescimento da economia e a expansão da capacidade produtiva, devem fazer com que o BC volte a elevar a taxa Selic a partir do segundo trimestre de 2008. “O Banco Central precisa se adiantar em relação ao movimento de inflação. Se todo o quadro se mantiver, o BC terá de tomar uma medida preventiva”, afirmou ao Estado. O economista acredita que o quadro pode colocar em risco o cumprimento da meta de inflação em 2009.
Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas, a alta da inflação verificada neste fim de ano deve continuar no início de 2008, mas é pontual. Segundo ele, essa elevação provoca ruídos, porém não significa que esteja havendo uma pressão de demanda capaz de comprometer o cenário de inflação até o fim de 2008. Freitas disse que a pressão dos preços dos alimentos já está se desacelerando.