Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Favorecido pelo bom momento da economia nacional, o Brasil recebeu US$ 33,730 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) de janeiro a novembro deste ano. O valor dos 11 meses já supera o recorde histórico de 2000, na época das privatizações, quando US$ 32,779 bilhões ingressaram no País. Os dados foram divulgados ontem pelo Banco Central.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Favorecido pelo bom momento da economia nacional, o Brasil recebeu US$ 33,730 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) de janeiro a novembro deste ano. O valor dos 11 meses já supera o recorde histórico de 2000, na época das privatizações, quando US$ 32,779 bilhões ingressaram no País. Os dados foram divulgados ontem pelo Banco Central. Para 2008, o BC espera desaceleração na entrada desses recursos, destinados à construção e ampliação de fábricas e compra de empresas.
Somente em novembro, o Brasil recebeu US$ 2,53 bilhões em investimentos diretos. Com o resultado do mês, o acumulado no ano já supera em 106,9% o registrado em igual período do ano passado. Os números já eram esperados por analistas.
“O ingresso de recursos tem sido beneficiado por um cenário positivo para o Brasil, composto pela aposta de crescimento mais forte da economia e com a expectativa de que o País deve receber o grau de investimento”, afirmou a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, que aposta em US$ 35 bilhões em IED no ano, mesmo número citado pelo BC.
Apostas
Para 2008, as apostas são mais discretas. O BC acredita que o ingresso de IED deverá somar US$ 28 bilhões, valor que, se for confirmado, será 20% menor que o projetado para 2007. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explica que o número foi calculado com base nas projeções de investimento em instalações e equipamentos, sem contar possíveis fusões e aquisições.
Para Maristella, não será surpresa se o valor superar a projeção oficial. Para ela, o IED deve somar US$ 30 bilhões. “E pode-se afirmar que o valor tem viés de alta porque é muito provável que as fusões aconteçam. Mas mesmo que o valor seja menor que o de 2007, ainda é muito expressivo”, diz a economista.
O aumento do estoque de IED faz com que aumente a perspectiva de remessa de lucros e dividendos para as sedes das multinacionais instaladas no País, fenômeno que vem efetivamente ocorrendo e é em parte responsável pela trajetória de queda na conta corrente do balanço de pagamentos.
O ingresso de IED também aumenta a diferença entre os investimentos realizados por estrangeiros no Brasil e por brasileiros no exterior. Em junho, o chamado passivo externo líquido atingiu US$ 472,866 bilhões, ante US$ 409,113 bilhões de março.
O número foi gerado pela diferença entre o passivo externo total (investimentos externos no Brasil), que atingiu US$ 785,938 bilhões, e o ativo externo (capital brasileiro no exterior), que somou US$ 472,866 bilhões.