Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-4
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que não será surpresa para ninguém se, por certo período, deixar de existir superávit em conta corrente. “Isso será natural e o superávit foi importante na época do ajuste, permitindo até acumulação de reservas internacionais”, comentou durante Seminário “Reavaliação do Risco Brasil”, organizado pelo centro de economia mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-4
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que não será surpresa para ninguém se, por certo período, deixar de existir superávit em conta corrente. “Isso será natural e o superávit foi importante na época do ajuste, permitindo até acumulação de reservas internacionais”, comentou durante Seminário “Reavaliação do Risco Brasil”, organizado pelo centro de economia mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.
Meirelles salientou que a acumulação de reservas tem custo, sim, mas também traz um duplo ganho para o País, já que funciona como um seguro que não apenas paga o sinistro no caso de uma dificuldade, mas também porque o evita. Um dos pontos positivos ressaltados pelo presidente do BC sobre a economia brasileira é a de que, no passado, era necessário somar três anos de volume de exportação para pagar a dívida líquida externa total. “Hoje, estamos próximo a zero, estamos discutindo aqui quantas semanas são necessárias”, comentou.
Sobre as críticas feitas no passado de que o Banco Central poderia ter sido mais ousado para promover o crescimento do País, Meirelles disse que a leitura que faz de ousadia é a de procurar manter a inflação na meta. Para ele, o crescimento do País no próximo ano continuará a ser sustentado porque a demanda interna e o crédito continuarão a crescer, bem como as importações.
Questionado pelo economista da Goldman Sachs, Paulo Leme, a respeito de suas projeções para inflação e juros no próximo ano, Meirelles reforçou que o BC não comenta esses assuntos fora da ata do Copom, que saiu na semana passada.
Sobre a expansão da bancarização e do crédito, o presidente do BC enumerou o desempenho positivo do crédito consignado, de veículos e do crédito ao consumidor. “O crédito consignado tem um limitador natural, que é o percentual de salário. Estamos monitorando isso com muita atenção e, se houvesse uma preocupação, não hesitaríamos em fazer alocação de capital”, afirmou.
BASILÉIA. Meirelles atribuiu o atraso da implantação do acordo de Basiléia II nos Estados Unidos como um dos fatores para a crise do subprime que se instalaou naquele país. “Não há dúvidas de que o atraso foi um dos fatores que contribuíram para o estresse de agora”, comentou. “O que está se discutindo agora é se a sua implantação será suficiente”, continuou.
De acordo com Meirelles, não há dúvidas de que os bancos centrais de todo o mundo têm mecanismos de atuação prudencial e que, se houvesse algum problema no Brasil, a autoridade monetária local não hesitaria em tomar providências. “Não é o caso agora”, disse. Momentos antes, ele comentou que, ao contrário das principais economias do mundo, o Banco Central brasileiro vem retirando liquidez do mercado.
Meirelles voltou a demonstrar atenção em relação à possibilidade de exuberância racional dos mercados. Disse, no entanto, que é muito difícil se definir qual é o preço mais correto para determinado ativo. “O fato concreto é que hoje é um fator de menor preocupação”, disse.
Sobre o desempenho do Brasil perante a turbulência financeira externa, Meirelles comentou que uma das maiores surpresas foi o fato de o mercado de câmbio doméstico ter sido o que mais sofreu nos primeiros dias de crise. “Recebi telefonemas pedindo que o BC atuasse, mas não vimos motivos para isso. Depois, ficou claro que a razão do comportamento não estava ligada à liquidez brasileira”, considerou.