Procurador do TCU defende investigação do imposto sindical

Compartilhe:

Valor Econômico Editoria: Política  Página: A-11


No debate sobre o projeto de lei de regulamentação das centrais sindicais, além da polêmica em torno do fim da obrigatoriedade do pagamento da contribuição sindical, o Senado terá de se pronunciar sobre a necessidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizar a aplicação dos recursos a serem repassados a essas entidades.

Valor Econômico Editoria: Política  Página: A-11


No debate sobre o projeto de lei de regulamentação das centrais sindicais, além da polêmica em torno do fim da obrigatoriedade do pagamento da contribuição sindical, o Senado terá de se pronunciar sobre a necessidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizar a aplicação dos recursos a serem repassados a essas entidades. O procurador-geral do Ministério Público junto à Corte, Lucas Furtado, não tem dúvidas: cabe ao órgão inspecioná-los. 


Durante a votação do projeto na Câmara, emenda feita pelo deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) ao projeto de regulamentação das centrais incluiu a necessidade de o TCU investigar os recursos que elas receberão. O dinheiro sairá da revisão da forma de distribuição do arrecadado em pagamento de contribuições sindicais. 


Hoje, a divisão da arrecadação de toda a contribuição sindical do país dá 60% para os sindicatos, 15% para as federações, 5% para as confederações e 20% para a Conta Especial Emprego e Salário (CEES). 


O projeto divide ao meio os recursos para a CEES, que receberá apenas 10%. As centrais ficarão com os demais 10%. Hoje, a conta especial recebe R$ 98 milhões anuais. Se for aprovado o projeto, as centrais ficarão com metade do valor (R$ 49 milhões). 


Esse montante a ser arrecadado pelas centrais sindicais é que será alvo de fiscalização do TCU. O movimento sindical protestou fortemente contra a emenda do PSDB. Disseram que apenas as centrais serão investigadas, deixando de fora os sindicatos patronais, federações e confederações. 


Lucas Furtado avisa que não só o dinheiro das centrais como todo o recurso proveniente da contribuição sindical obrigatória poderia ter sua aplicação investigada pelo TCU. “A rigor, o tribunal nunca fiscalizou esses recursos, mas nem precisaria incluir isso na lei. Na medida que uma contribuição é compulsória, torna-se pública, tem natureza pública e parafiscal. Logo, pode ser fiscalizada pela corte”, diz o procurador-geral. 


Para Furtado, o caminho mais fácil para o PSDB conseguir a fiscalização desses recursos seria encaminhar à corte uma representação aos magistrados suscitando a competência do TCU para incluir esses repasses no seu rol de inspeções. “Não só o dinheiro repassado às centrais como toda a aplicação da contribuição sindical obrigatória, tanto de patronais quanto de trabalhadores, é passível de fiscalização”, diz. 


A questão muda de figura se o Senado mantiver a alteração no texto que recebeu da Câmara que torna facultativo o pagamento do imposto sindical pago pelos trabalhadores. “Quanto deixa de ser compulsório, deixa de ter o caráter parafiscal. Aí, é preciso incluir na lei a determinação para o TCU fiscalizar os recursos”, explica o procurador-geral. Exatamente como fez a Câmara. 


O texto aprovado pela Câmara está de acordo com o raciocínio feito por Furtado. O texto torna facultativo o pagamento da contribuição sindical e determina que o TCU fiscalize o dinheiro das centrais. 


O presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Cláudio José Montesso, discorda da posição de Furtado. “A contribuição não é verba pública. É do empregado”, afirma. 


Se o Senado mantiver o texto enviado pela Câmara, Montesso pede uma alteração. “É uma desproporção exigir investigação apenas para as centrais. Seria preciso incluir sindicatos de trabalhadores, patronais, federações. Deixar a fiscalização apenas para um segmento não me parece razoável”, diz. 


O relator do projeto no Senado, Paulo Paim (PT-RS), mostra tendência a alterar o texto enviado pela Câmara. “Posso fazer uma emenda ampliando a investigação. Fiscalizar só as centrais é injusto. Tem de investigar tudo. ONGs, partidos políticos, tudo”, afirmou o senador. 


O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ironizou a resistência das centrais a serem fiscalizadas. “É estranho. Os sindicatos sempre foram tão exigentes com transparência. Deveriam estar comemorando a chance de serem fiscalizados pelo TCU”, diz. 


José Agripino (RN), líder do DEM no Senado, também critica a resistência do movimento sindical. “A inclusão, no projeto, desse dinheiro para as centrais foi um mimo do governo, que quer operar dentro das centrais com motivações eleitorais”, disse. 


 


 


 


 

Leia mais

Rolar para cima