Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-4
Apostando no mercado brasileiro, as multinacionais destacam o Brasil como o quinto destino preferido de investimentos estrangeiros diretos (IED) no mundo nos próximos três anos. A partir de estudo com empresas de países ricos e emergentes, a Conferência da ONU para o Desenvolvimento e Comércio (Unctad) aponta China, Índia, Estados Unidos e Rússia como os principais destinos de recursos nos próximos anos.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-4
Apostando no mercado brasileiro, as multinacionais destacam o Brasil como o quinto destino preferido de investimentos estrangeiros diretos (IED) no mundo nos próximos três anos. A partir de estudo com empresas de países ricos e emergentes, a Conferência da ONU para o Desenvolvimento e Comércio (Unctad) aponta China, Índia, Estados Unidos e Rússia como os principais destinos de recursos nos próximos anos. O Brasil é considerado mais atrativo que Reino Unido, México, Alemanha, Japão e França.
“A busca por acesso ao mercado brasileiro e as possibilidade de crescimento nesse mercado são os principais motivos que estão atraindo essas empresas”, afirmou Jean Francois Outreville, economista da Unctad. Para as a ONU, os investimentos subirão nos próximos três anos no mundo.
Das cerca de 200 multinacionais entrevistadas, 22% indicaram o Brasil como um dos locais preferidos para investimentos. Para 13%, o País seria o principal destino até 2009. A Unctad já vinha colocando o Brasil entre os dez principais destinos de investimentos nos últimos anos. Mas os economistas alertam que os rankings anteriores não devam ser comparados ao atual. “A metodologia e base de cálculo são totalmente diferentes”, explicou Outrville.
Segundo o atual levantamento, o motivo principal do interesse pelo Brasil é a perspectiva de crescimento do mercado interno. Esse foi a razão citada por 29% dos entrevistados. O argumento é o mesmo usado para explicar o interesse pela China e Índia. Hoje, 75% do PIB mundial estão nos países ricos, mas a ONU interpreta a preferência das empresas pelos países emergentes como um sinal de que os executivos apostam nesse grupo de economias para o futuro.
Dos entrevistados, 24% apontaram que o principal motivo dos investimentos no Brasil é o tamanho do mercado local, 10% afirmaram que estariam em busca de mão-de-obra qualificada e 8% destacaram que o motivo seria ter acesso aos mercados sul-americanos. Apenas 7% alegam que os investimentos no Brasil ocorrem para que tenham acesso aos recursos naturais e 5% destacam que a razão são os incentivos dados pelo governo.
Além disso, 3% dos entrevistados ainda apontam para o ambiente estável e praticamente ninguém estaria vindo ao Brasil para ter maior acesso à capital. Outros 65% afirmaram que pretendem entrar no Brasil com instalação de empresa, e não apenas aquisição de companhias locais.
No geral, porém, a América Latina não aparece como um dos principais destinos de investimentos nos próximos três anos. Menos da metade dos executivos entrevistados afirmou que irá aumentar suas atividades na região. Apenas o Oriente Médio e África tiveram desempenhos mais fracos. Segundo dados da Associação Latino Americana de Integração (Aladi), o continente precisaria de US$ 80 bilhões por ano em investimentos para construir a infra-estrutura necessária para gerar desenvolvimento.
Entre as regiões, a preferência dos executivos é cada vez maior pela Ásia. O continente foi considerado como o mais atrativo para 65% dos entrevistados. Os Estados Unidos e a Europa seguem atraindo empresas, mas principalmente do setor de alta tecnologia, como farmacêuticas e de software.
BRICS
O levantamento também confirma o interesse das multinacionais pelos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), que ocupam quatro das cinco primeiras posições. A liderança da China, porém, é ampla, e o Brasil é apenas o último entre os quatro países do bloco.
Praticamente todas as empresas questionadas sobre o destino de recursos nos próximos três anos destacam o mercado chinês como o local preferido: 52% delas apontam a China como o melhor destino para os investimentos.
Para a ONU, tanto a China como a Índia contam com três dos principais fatores para atrair investimentos: amplo mercado consumidor, baixo custo e tecnologia. O levantamento, porém, não deixa de destacar que os dois países ainda sofrem com um ambiente de investimentos pouco estável, com a ineficiência do governo, falta de acesso à capital e falta de proteção à propriedade intelectual.
O relatório ainda destaca a situação do Vietnã, que ocupa uma posição muito próxima a do Brasil. 12% dos entrevistados consideram o país como o local mais atrativo para investimentos no mundo.
Riscos
Apesar da análise positiva, a ONU alerta que os riscos ainda existem. O mais preocupante entre as empresas é a instabilidade política e financeira, além de uma desaceleração da economia. Corrupção e taxa de câmbio também foram citados por empresas como temores.
A mudança nos regimes de investimentos e protecionismo por parte de alguns governos, como na América Latina, também são fatores de preocupação para 80% dos entrevistados. Em vários locais, uma reação contra compras de empresas nacionais ou a decisão de nacionalizar os recursos naturais, como na Bolívia e Venezuela, estariam mandando “sinais negativos” para os investidores.
O protecionismo, porém, não ocorre apenas nesses países. Nas economias ricas, uma reação contra a aquisição de empresas locais por estrangeiras ganha força e governos temem que o desemprego aumente.