A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) atingiu 1,29% em setembro – ante 0,98% em agosto – e registrou a maior variação mensal desde julho de 2004, quando a alta havia sido de 1,31%. Apesar de os preços de alguns alimentos, como carne e leite, já estarem em desaceleração, a comida no atacado, continuou sendo o vilão da inflação.
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) atingiu 1,29% em setembro – ante 0,98% em agosto – e registrou a maior variação mensal desde julho de 2004, quando a alta havia sido de 1,31%. Apesar de os preços de alguns alimentos, como carne e leite, já estarem em desaceleração, a comida no atacado, continuou sendo o vilão da inflação. O índice é usado como referência para reajuste de aluguéis, energia elétrica e outros contratos privados de serviços.
Cerca de dois terços da variação do IGP-M deste mês vieram da alta dos preços agrícolas no atacado. Com variação acumulada em 12 meses até setembro 5,67%, a perspectiva é de que o IGP-M feche o ano em 5% e não mais em 4%, diz o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. “O pior efeito do choque agrícola já passou”, afirma.
Quadro reforça a argumentação com números. O grupo bovinos no atacado, por exemplo, registrou deflação de 0,13%, depois de ter aumentado 6,26% em agosto. O leite in natura no atacado subiu neste mês 6,62% ante uma alta de 10,62% em agosto. Em ambos os casos, o economista argumenta que os repasses do atacado para o varejo já ocorreram e que não há uma defasagem de preços que possa pressionar a inflação no futuro.
Esse raciocínio, no entanto, não é válido para o caso do trigo e do arroz, observa quadro. O trigo no atacado subiu 14,33% este mês, enquanto o pão francês ao consumidor teve deflação de 0,09%. O arroz no atacado subiu 8,75% este mês e 3,37% ao consumidor. “Esses dois produtos têm riscos de repasse de preços para o varejo”, pondera o economista.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,39% em setembro, acima dos 0,35% de agosto, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para 0,21% neste mês, ante 0,39% no mês anterior.