Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-2
A desaceleração da inflação registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) em setembro e as perspectivas de aumento de contratação nas indústrias para a demanda de final de ano deverão recuperar a renda média do trabalhador brasileiro até o final do ano, depois de três quedas consecutivas apuradas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE frente ao mês anterior.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-2
A desaceleração da inflação registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) em setembro e as perspectivas de aumento de contratação nas indústrias para a demanda de final de ano deverão recuperar a renda média do trabalhador brasileiro até o final do ano, depois de três quedas consecutivas apuradas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE frente ao mês anterior. A avaliação é de economistas, que apostam ainda na retomada da redução da taxa de desemprego, que ficou estável em agosto.
O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, explica que a desaceleração do IPCA-15 – que apresentou alta de 0,29% em setembro, frente a 0,42% em agosto – indica uma tendência de redução da pressão inflacionária, principal responsável pela perda de 0,5% da renda média do trabalhador em agosto. Embora a pesquisa do IBGE deflacione a renda pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que tem registrado altas superiores as apresentadas pelo IPCA, ele explica que o resultado mostra uma tendência.
“O resultado do IPCA-15 abaixo do esperado corrobora com a expectativa de inflação mais branda. Um dos principais responsáveis pela desaceleração foi a redução da pressão exercida pelos alimentos, que têm peso significativo no INPC. Os dados confirmam que a alta observada em agosto foi sazonal e que mesmo a aceleração dos índices gerais de preços está sendo repassada de forma gradual para os índices de preços ao consumidor”, explica o economista da Austin Rating.
Segundo o IBGE, outro fator que contribuiu para a redução da renda média do trabalhador em agosto foi o aumento do número de ocupados, que registrou alta de 1% frente ao mês anterior e de 2,9% em comparação a igual mês do ano passado. Os salários iniciais são mais baixos e um dos principais setores responsáveis pela alta foi o de construção civil, que tem média salarial baixa. Para Agostini, a perspectiva de contratação nas indústrias a partir deste mês tende a melhorar a renda média do trabalhador.
Tendência
“Existe uma tendência de contratação na indústria daqui para frente, principalmente para atender à demanda de consumo das festas de fim de ano. O setor industrial oferece salários melhores que outras atividades, o que permitirá aumentar o rendimento médio do trabalhador brasileiro. Além disso, existe uma tendência de aumento de horas extras na indústria, o que eleva a hora de trabalho e o rendimento médio. Não será nada muito significativo, mas recupera a redução dos últimos três meses”, afirma.
O aumento do volume de contratações também permitirá retomar a trajetória de queda da taxa de desemprego no País, que é calculada pelo IBGE em seis regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) e considera a população economicamente ativa (com 10 anos ou mais de idade). Segundo Claudia Oshiro, da Tendências Consultoria, a taxa de desemprego deverá recuar para 9,6% na média deste ano, frente a 10% em 2006.
“De janeiro a agosto deste ano, a taxa média registrada foi de 9,8%, já inferior a apresentada no ano passado. Esperamos um recuo ainda maior, que será puxado no quarto trimestre pela contratação de mão-de-obra temporária pelas empresas para as festas de final de ano. Já estamos percebendo uma melhora significativa na taxa de desocupados, mas ela permanece, evidentemente, muito alta no Brasil”, explicou Oshiro, acrescentando que a melhora deverá ser, contudo, apenas marginal.
A consultoria Austin Rating faz projeções um pouco mais otimistas para a redução da taxa de desemprego: de 9,4% neste ano e de 8,5% em 2008. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calcula que a taxa de desemprego registrará forte queda nos próximos anos, encerrando 2010 em torno de 4,2%, patamar que se assemelha ao verificado nos anos 80. O economista do IBGE Cimar Pereira lembra que a taxa está no menor patamar para os oito primeiros meses de um ano desde 2003, quando atingiu 12,4%.
“No ano passado, a taxa de desemprego era de dois dígitos. A tendência daqui para frente é fechar em um dígito. Em termos estruturais, o balanço do mercado em 2007 é bom em relação a 2006”, afirma o economista, responsável pela pesquisa. Segundo ele, o resultado da pesquisa “não empolgam”, mas apresentou resultados importantes. “Em um ano, o mercado de trabalho está mais formal, mais organizado… há um maior contingente de pessoas trabalhando.”
Oshiro acrescenta que a qualidade do emprego apresenta sinais positivos. O IBGE registrou em agosto alta de 2,5% na quantidade de empregados com carteira assinada – reflexo do crescimento dos setores de eletrodomésticos, construção civil e automóveis, que mantém taxa elevada de formalização de funcionários. “Temos verificado melhora na qualidade do emprego desde o ano passado. Quando economia vai bem, espera-se aumento de ocupação com carteira assinada”, explica.