Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-6
Rendimento real, corrigido pelo INPC, registraperda de R$ 5,23 no salário médio. A escalada da inflação já compromete a renda média dos brasileiros, pelo menos nas capitais investigadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão divulgou ontem que o rendimento dos trabalhadores recuou em agosto, pelo terceiro mês consecutivo. O rendimento real – corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – mostra perda de R$ 5,23 no salário médio.
Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-6
Rendimento real, corrigido pelo INPC, registraperda de R$ 5,23 no salário médio. A escalada da inflação já compromete a renda média dos brasileiros, pelo menos nas capitais investigadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão divulgou ontem que o rendimento dos trabalhadores recuou em agosto, pelo terceiro mês consecutivo. O rendimento real – corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – mostra perda de R$ 5,23 no salário médio. Mas os números nominais – que desconsideram a inflação – mostram aumento de R$ 1.108,30 para R$ 1.109,40 no salário médio do trabalhador.
“Desta vez, a queda na renda chamou mais atenção porque é o terceiro mês seguido, não mais algo pontual. Concordo que a inflação já começou a afetar o rendimento”, afirma Cimar Azeredo, coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ao ser indagado sobre o impacto dos preços sobre a renda.
O pesquisador mostra que, pela primeira vez neste ano, o crescimento da renda perdeu para 2006. A renda acumula aumento de 3,8% entre janeiro e agosto. Em 2006, no mesmo período, a taxa era de 3,9%. De junho a agosto, o rendimento do brasileiro encolheu 2,15%. As perdas afetam praticamente todos os setores, incluindo indústria, construção civil e serviços.
Foi no Rio que a renda mais caiu: 3% entre julho e agosto, enquanto a média nesse período foi de 0,5%. A massa salarial do País vinha aumentando mês a mês antes de a inflação assustar.
Interrupção parecida com a do mês passado só aconteceu no começo de 2005, e, mesmo assim, ocorreu de março a maio – meses em que a economia normalmente não está tão aquecida. Comparando o mesmo período, de junho a agosto, o IBGE só registrou retração no rendimento médio em 2003, ano de forte desaceleração da economia.
Emprego formal
A criação de 217 mil postos de trabalho formal também ajuda a explicar por que a renda está caindo. “As pessoas que entram no mercado geralmente ganham menos do que as que já estão nele”, explica Azeredo. Tanto que empregados com carteira viram o rendimento recuar 1,5% em um ano, durante o forte movimento de criação de vagas. Mas, segundo ele, isso não está derrubando a renda, mas sim enfraquecendo-a a ponto de perder para a inflação.
A criação de vagas formais cresceu 2,5% entre julho e agosto, a maior alta desde março de 2002, quando foi lançada a nova metodologia da PME. O IBGE estimou 21 milhões de pessoas ocupadas nas cidades. “Regionalmente, em relação a julho de 2007, o contingente de ocupados não assinalou movimentação significativa em nenhuma das regiões pesquisadas, embora fosse evidente a tendência de crescimento em todas as regiões”, assinala a PME.
O salto do emprego não reduziu a taxa de desemprego porque houve também aumento na procura por trabalho. Em agosto, o desemprego ficou, tal qual em julho, 9,5% da População Economicamente Ativa (PEA). “Dentre os desocupados, 20,1% estavam em busca do primeiro trabalho e 24,2% eram os principais responsáveis na família. Com relação ao tempo de procura: 23,8% estavam em busca de trabalho por um período não superior a 30 dias; 45,5%, por um período de 31 dias a 6 meses; 9,8%, por um período de sete a 11 meses; e 21%, por um período de pelo menos um ano.”
IGP-M sobe 1,05% na 2ª- prévia
O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu 1,05% no segundo decêndio de setembro, alta de 0,46 ponto percentual em comparação a igual período de agosto, quando a taxa foi de 0,59%, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O Índice de Preços por Atacado (IPA), um dos componentes do IGP-M, avançou 0,77 ponto percentual na segunda prévia de setembro, passando para 1,52% em relação ao mesmo período do mês anterior. O grupo alimentos foi responsável pela queda do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). O IPC registrou variação de 0,13% frente alta de 0,26% no segundo decêndio de agosto.
Por sua vez, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), outro componente do IGP-M, registrou queda de 0,05 ponto percentual para 0,32% no segundo decêndio de setembro.