Estimativas apontam alta do PIB de 4,9% a 6,1% no segundo trimestre

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Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2




Apoiado mais uma vez na boa performance do consumo das famílias e em investimentos crescentes, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) deverá vir forte no segundo trimestre do ano. Estimativas de consultorias e bancos ouvidos pela reportagem indicam crescimento de 4,9% a 6,1% na comparação com o igual período do ano anterior e de 0,8% a 1,2%, ante o primeiro trimestre deste ano. A demanda interna está acelerando e setorialmente o destaque deverá ser a indústria.

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Apoiado mais uma vez na boa performance do consumo das famílias e em investimentos crescentes, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) deverá vir forte no segundo trimestre do ano. Estimativas de consultorias e bancos ouvidos pela reportagem indicam crescimento de 4,9% a 6,1% na comparação com o igual período do ano anterior e de 0,8% a 1,2%, ante o primeiro trimestre deste ano. A demanda interna está acelerando e setorialmente o destaque deverá ser a indústria. A última vez em que o PIB trimestral cresceu acima de 5% foi em 2004.


O dado oficial será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As estimativas são da MB Associados, ABN Amro, LCA Consultores, Corretora Convenção, Tendências Consultoria e Credit Suisse. Levantamento feito com 30 instituições aponta que a mediana das projeções de crescimento do PIB ficou em 5,9% sobre o igual período em 2006 e em 1,2%, sobre o trimestre anterior.


Na prática, o PIB trimestral vem crescendo acima de 4% na comparação com o mesmo período do ano anterior desde o terceiro trimestre de 2006. Entre 2005 e 2006, a maior parte das variações do PIB a cada três meses ficou entre 2% e 4%. Ainda assim, alguns economistas analisam que o País não está preparado para avançar, de forma consistente, perto dos 5% ao ano, como quer o governo a partir do ano que vem.


“O crescimento que será divulgado amanhã (hoje) será positivo. Mas acho que não completamente sustentável. O País enfrenta ainda gargalos de infra-estrutura e logística para crescer mais e a questão fiscal não foi resolvida”, diz o economista da MB Associados, Sergio Vale. Além disso, apesar de mais vigoroso, o avanço da economia brasileira continua abaixo de outras economias emergentes.


Uma comparação feita pela Austin Rating mostra que o crescimento do PIB brasileiro deverá ficar ao redor de 4,7% no primeiro semestre deste ano No mesmo período, a economia indiana avançou 9,2% e a chinesa, 11,5%. Levando em conta apenas o segundo trimestre, o PIB da China cresceu 11,9% e o da Índia, 9,3%. Segundo a consultoria, não havia, para a comparação semestral, informação disponível da Rússia, que, com os demais países, forma o chamado grupo dos “Brics”.


Pelo lado da demanda, o crescimento da massa de renda do trabalho estimula o consumo doméstico, junto com o avanço do crédito. As consultorias estimam que o consumo das famílias poderá avançar entre 5,6% e 6,7% no segundo trimestre. Os investimentos crescerão ainda mais, de 11% a 13%. Com isso, a taxa de investimento sobre o PIB avançará este ano, para uma faixa entre 17% e 18%.


A economista Zeina Latif, do ABN Amro, avalia que haverá uma pequena aceleração do crescimento do PIB no segundo trimestre (1,2%), na comparação com o anterior, já que o avanço do primeiro trimestre foi de 0,8%, ante o último trimestre de 2006. Ela explica que, na comparação com o primeiro trimestre, o investimento crescerá 2,4% e o consumo das famílias, 1,7%. “Está havendo uma aceleração da demanda interna”, explica a economista.


Indústria


Segundo Zeina, o dado da produção física da indústria já indicou uma forte expansão no segundo trimestre, de 7,4%. Por isso, a expectativa é de que o PIB industrial sobressaia na divulgação de hoje, que leva em conta o valor adicionado à produção. O ABN e o Credit Suisse informaram que poderão rever para cima a projeção de aumento do PIB para 2007 caso o dado da indústria venha acima do inicialmente projetado.


De forma geral, os economistas estimam que as turbulências financeiras internacionais não prejudicarão a atividade do País em 2007. As maiores preocupações são com relação à inflação doméstica e o efeito disso para 2008. O economista da MB alerta que uma das dúvidas é a capacidade de o País conseguir aumentar a oferta de produtos e serviços para atender à demanda sem pressão de preços. Caso o Banco Central (BC) interrompa a redução dos juros em outubro, não está descartada uma revisão para baixo do PIB estimado para 2008.


OCDE alerta para perda de fôlego em 2008


O crescimento da economia brasileira pode começar a perder fôlego. Dados coletados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que os principais índices econômicos em julho no Brasil já não apresentaram o mesmo desempenho que nos meses anteriores, o que seria um “sinal precoce” de desaceleração no crescimento do PIB a partir de 2008.


Para Ronny Nielsson, economista da OCDE, a queda relativa ocorre pelo fraco desempenho ou estagnação do crescimento de quatro dos cinco indicadores avaliados sobre a economia brasileira. Entre eles estão o desempenho das Bolsas, das exportações, os termos de comércio e as ordens feitas pela indústria. “O único indicador com taxa positiva é o de produção, que continua a crescer”, afirmou.




 


 

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