O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem, por unanimidade, reduzir o ritmo de queda da taxa básica de juros de 0,5 para 0,25 ponto percentual. Com o corte, a Selic caiu de 11,5% para 11,25% ao ano, o menor percentual desde que a taxa foi criada, em 1995.
Foi a décima oitava redução consecutiva da Selic desde setembro de 2005, quando a taxa passou de 19,75% para 19,5%, acumulando diminuição de 8,5 pontos percentuais. Somente neste ano, a queda acumulada é de dois pontos, resultado de seis cortes.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem, por unanimidade, reduzir o ritmo de queda da taxa básica de juros de 0,5 para 0,25 ponto percentual. Com o corte, a Selic caiu de 11,5% para 11,25% ao ano, o menor percentual desde que a taxa foi criada, em 1995.
Foi a décima oitava redução consecutiva da Selic desde setembro de 2005, quando a taxa passou de 19,75% para 19,5%, acumulando diminuição de 8,5 pontos percentuais. Somente neste ano, a queda acumulada é de dois pontos, resultado de seis cortes. Com a medida anunciada ontem, o Copom retoma o ritmo de queda do juro básico das reuniões de janeiro, março e abril, após cortes de 0,5 ponto aplicados nos encontros de junho e julho.
O resultado ficou dentro da aposta majoritária do mercado financeiro, mas o texto divulgado pelo colegiado despertou dúvidas nos analistas sobre a continuidade dos cortes em outubro: “O Copom avaliou a conjuntura macroeconômica e considerou que, neste momento, o balanço de riscos para a trajetória prospectiva da inflação ainda justificaria estímulo monetário adicional”, afirma o texto.
Para o economista-chefe do Itaú BBA, Alexandre de Ázara, a frase deixa aberta a possibilidade de o corte de ontem ser o último do ano. “O comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para, então, definir os próximos passos”, completa a nota do BC.
O corte tímido faz o Brasil permanecer na segunda colocação entre os países com maiores taxas de juros reais, com 7,3% ao ano. A liderança é da Turquia, com 9,4%, segundo a UpTrend Consultoria Econômica.
A diminuição do ritmo dos cortes já havia sido sinalizada na ata da reunião de julho do Copom. Naquele texto, diretores do BC, cuja última decisão unânime foi em março (queda de 0,25 ponto), alertaram que o ritmo de expansão da demanda doméstica poderia “colocar riscos para a dinâmica inflacionária”.
O problema, dizem os analistas, é que o quadro descrito pelo Banco Central mudou para pior nas últimas semanas. A remarcação de preços em cinco dos mais importantes itens da cesta básica – carne, leite, milho, soja e trigo – pressionou os principais índices de inflação, que registraram alta em ritmo mais forte que o esperado. Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o aumento de preços acendeu o “sinal amarelo” no governo.
Para o economista-chefe do Itaú BBA, foi esse cenário que mudou a avaliação dos diretores do BC. Ázara diz que, apesar de o cenário externo preocupar muito mais após a crise imobiliária nos Estados Unidos, a decisão do BC foi muito mais baseada no cenário interno. “Temos inflação crescente e demanda em expansão. Isso preocupa qualquer autoridade monetária”, disse.
ATA. Agora, a expectativa passa para a ata da reunião, que será divulgada em uma semana. Para o economista-chefe do Banco Safra, Eduardo de Faria Carvalho, o documento vai balizar as apostas sobre o comportamento do Copom nas próximas reuniões.
Por enquanto, o mercado de juros futuros aposta que o último corte do juro em 2007 será em outubro, fechando o ano em 11% anuais. A última pesquisa semanal Focus do Banco Central previa que a taxa fecharia o ano em 10,75%. Mas o comunicado de ontem e uma possível maior preocupação do BC com a inflação podem reforçar o cenário de juros estáveis na próxima reunião. Essa hipótese já era ouvida no mercado financeiro antes da decisão de ontem do Copom. A próxima reunião do comitê acontece em 16 e 17 de outubro.
Taxa Selic está 2% acima do ideal, afirma presidente da Fiesp
O freio no ritmo de redução da taxa Selic gerou reações negativas por parte dos representantes do setor produtivo. O corte de 0,25 ponto percentual acompanhou as expectativas do mercado, que já esperava uma queda menor que o 0,5 ponto das duas reuniões anteriores. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirma que hoje é consenso entre analistas de mercado, banqueiros e, até mesmo, ex-dirigentes do Banco Central que a taxa Selic está 2% acima do que seria o ideal para este momento do País. Essa distorção, diz, implica gastos com juros da dívida pública de R$ 23,4 bilhões ao ano que, somados ao aumento da carga tributária explícita no projeto de Orçamento para 2008, resultam em exato 1,4% do PIB, o mesmo que arrecada a CPMF.
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, o anúncio de ontem”confirma a postura conservadora do Banco Central”. Segundo o dirigente, “a expectativa da indústria agora é que o governo retome os cortes mais acentuados nas taxas de juros para que não se interrompa o atual processo de crescimento da economia. Essa é uma condição fundamental para a manutenção do ritmo de crescimento do País”, diz.
Os técnicos da CNI alertam que a decisão do Copom é especialmente desfavorável à indústria, que além dos juros elevados enfrenta a alta carga tributária, a desvalorização do dólar frente ao real e a crescente concorrência dos produtos estrangeiros nos mercados interno e externo. Na avaliação da entidade, o corte de 0,25 ponto percentual freia o processo de convergência do nível das taxas de juros brasileiras aos padrões de nossos competidores internacionais.
A CNI argumenta ainda que o aumento nos índices de preços nos últimos dois meses não ameaça o cumprimento da meta de inflação estabelecida em 4,5% para este ano, porque é resultado de pressões concentradas em poucas categorias de consumo. “Como o custo do financiamento à atividade produtiva no Brasil permanece entre os mais altos do mundo, a acomodação desses choques deveria se dar por meio da redução dos gastos correntes. Lamentavelmente, os sinais seguem na direção oposta, como evidencia a proposta orçamentária de 2008, em que se observam forte aumento de gastos e nova elevação da carga tributária”, diz a entidade em comunicado.
FECOMÉRCIO-RJ. Em nota, o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, afirma que as crescentes despesas do Governo só permitem um corte da taxa nos juros dessa magnitude. “O Executivo segue projetando aumento nos gastos, de caráter permanente, suportado por ganhos de receita não necessariamente garantidos no médio e longo prazos. O efeito da Selic na economia está sendo comprometido pela alta carga tributária, que impede o setor produtivo de investir. Além disso, as demais justificativas para a desaceleração da redução nos juros, como a crise no mercado internacional – que se revelou temporária – e a inflação no terceiro trimestre — que ficará aquém do pico dos últimos 12 meses – se mostram apenas soluços passageiros, que servem de pretexto para essa tomada de decisão”, analisou.
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) argumenta que o quadro inflacionário esperado para 2008 ainda mostra que há espaço para o Banco Central continuar com o processo de corte mais intenso da taxa. Para a entidade a alta recente e sazonal da inflação não justifica a decisão do Copom de baixar o juro básico da economia em apenas 0,25 ponto percentual.
O diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof, aponta que a decisão de reduzir o ritmo da queda da taxa Selic para 0,25% quebra as expectativas positivas que vêm se formando no meio empresarial. Sondagens recentes da FGV e do Ciesp mostraram que há algum tempo não se tem um clima tão positivo como o que se vive atualmente. “A decisão tomada representa uma ducha de água fria para os empresários e coloca em risco a possibilidade de ingressarmos definitivamente no tão desejado ciclo de crescimento sustentado, que se confirma com os dados do IBGE do crescimento da produção de bens de capital de 17% no acumulado deste ano”, diz ele em nota à imprensa.
A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) considerou a decisão conservadora, mas destaca que foi tomada em um ambiente econômico internacional mais conturbado, principalmente por conta dos problemas do setor imobiliário americano que ameaçam trazer perdas para várias empresas do setor e para investidores que apostavam na manutenção da valorização de imóveis e hipotecas. Segundo o presidente da Fecomercio, Abram Szajman, a expectativa é que o Copom faça uma “parada técnica” nas quedas, o que fará com que a Selic termine o ano ao redor de 11%, pouco acima do que era previsto antes do início da crise imobiliária e de alguns repiques inflacionários, sobre tudo no IGP-M e sobre os alimentos.
“Pior do que o resultado em si é a falta de perspectivas que ele traz. Se fosse mantido ritmo de reduções mais vigoroso, poderíamos entrar em 2008 com uma taxa de 10%, que ainda seria uma das maiores do mundo, mas ao menos representaria um alívio na estrutura de juros do País”, conclui Szajman.
Para Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, a decisão do Copom foi “decepcionante. Foi um banho de água gelada na já morna economia do segundo semestre”. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), “o regime de metas da inflação, conservador como é, interfere automaticamente no ritmo de queda da taxa básica de juros. O registro de um aquecimento sazonal nos preços de alimentos basta para decisões tímidas e automáticas como a de hoje (ontem)”, diz Artur Henrique, presidente da central.