Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-5
A forte alta de preços dos alimentos em agosto levou os institutos responsáveis por cálculos de índices de inflação a revisarem as previsões para o ano. O avanço de 1,39% registrado pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI) em agosto levou o coordenador de análises econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a rever a projeção de fechamento do índice em 2007. Até agosto, o economista previa um índice fechado para o ano entre 3,5% e 4%. Agora, o teto passou para 4,5%.
Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-5
A forte alta de preços dos alimentos em agosto levou os institutos responsáveis por cálculos de índices de inflação a revisarem as previsões para o ano. O avanço de 1,39% registrado pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI) em agosto levou o coordenador de análises econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a rever a projeção de fechamento do índice em 2007. Até agosto, o economista previa um índice fechado para o ano entre 3,5% e 4%. Agora, o teto passou para 4,5%. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) também reviu sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de 2007, de 4,1% para 4,2%, especialmente devido aos itens alimentação e habitação.
A combinação de diversos fatores ligados aos produtos agrícolas foi a principal causa para o salto dado pelo IGP-DI, cuja variação pulou de 0,37% em julho para 1,39% em agosto.
Fatores combinados de alta demanda internacional por itens agrícolas, quebra de safra internacional de alguns produtos, aumento da demanda interna e entressafra impulsionaram o índice, que nos últimos 12 meses acumula alta de 5,19% – o maior patamar para 12 meses desde os 6,5% de junho de 2005.
Os produtos agrícolas responderam por avanço de 6,15% no atacado, que responde por 60% do IGP-DI, contra alta de 1,79% no mês anterior. Os produtos industriais deixaram para trás um declínio de 0,01% e expandiram-se 0,61% nesta pesquisa. Segundo o economista da FGV, mesmo na área industrial, os principais aumentos foram causados pelo repasse de altas de preços nas matérias-primas agrícolas. “A produção, processamento e comercialização de alimentos responde por mais da metade do IGP-DI”, disse Quadros.
O IPC da Fipe fechou agosto com elevação de apenas 0,07%. Na terceira quadrissemana do mês passado, o indicador havia subido 0,11%. Alimentação teve a alta mais expressiva, de 1,46%. Em julho, o acréscimo foi de 1,06%.
O coordenador do IPC-Fipe, Márcio Nakane, esperava que o oitavo mês de 2007 mostrasse deflação, especialmente devido ao reajuste negativo nos preços da energia elétrica. Habitação caiu 0,82%, mas a expectativa era de um recuo maior. Além disso, o item alimentação veio maior do que o projetado pela entidade, em razão dos preços mais altos da trinca formada por soja, milho e trigo. O recuo do item habitação (0,82%) foi o maior desde 1952 – resultado do reajuste negativo de 12,62% nas tarifas de energia elétrica.