Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-4
Pela primeira vez na história dos cartões de crédito, o volume de compras parceladas deve fechar o ano acima do total gasto com em compras feitas à vista. No primeiro semestre, as compras parceladas já representaram 50,1% do faturamento total da indústria de cartões de crédito no período, de R$ 82,6 bilhões. A expectativa do diretor de marketing de cartões do Banco Itaú, Fernando Chacon, é de que essa modalidade represente 51,9% do total ao término do ano.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-4
Pela primeira vez na história dos cartões de crédito, o volume de compras parceladas deve fechar o ano acima do total gasto com em compras feitas à vista. No primeiro semestre, as compras parceladas já representaram 50,1% do faturamento total da indústria de cartões de crédito no período, de R$ 82,6 bilhões. A expectativa do diretor de marketing de cartões do Banco Itaú, Fernando Chacon, é de que essa modalidade represente 51,9% do total ao término do ano. Segundo o executivo, em 2007, a indústria deve movimentar R$ 181,6 bilhões, com alta de 20% sobre 2006.
Para o executivo, o crescimento das compras parceladas no cartão de crédito deve-se mais à disseminação do hábito e da cultura desse meio de pagamento, do que propriamente à renda do brasileiro. “Além disso, às vezes a condição de pagamento à vista é a mesma de pagar em quatro ou cinco vezes. E isso se transforma em um hábito saudável, pois o brasileiro está aprendendo a usar o crédito”, afirmou Chacon. O diretor também reconheceu a tendência dos cartões de crédito de aumentarem o vínculo com os consumidores por meio de instrumentos de financiamento.
Chacon citou o serviço Pague Conta, em que o consumidor paga documentos com ficha de compensação na fatura do seu cartão de crédito, e o serviço Parcelamento da Fatura, pelo qual é possível dividir, em até 12 meses e com pagamento de encargo, a dívida do cartão de crédito. Chacon informou que esse encargo depende do perfil do cliente e, portanto, varia de 1,99% ao mês até taxas com dois dígitos. “Também oferecemos o parcelamento no caso do cliente que parou de usar o cartão por estar se financiando com dificuldade. Assim, ele retoma a capacidade de consumo”, disse.
No caso da parceria de private label do Itaú com o Pão de Açúcar, por exemplo, a financeira calcula quanto cada cliente pode gastar por mês e oferece esse crédito, ao invés de um limite do cartão. De acordo com Chacon, essas iniciativas da indústria de cartão de crédito estão reduzindo ou, no mínimo, mantendo os níveis de inadimplência, ao mesmo tempo em que crescem os volumes de empréstimos. Esse indicador, entretanto, as bandeiras não revelam. No primeiro semestre deste ano, o total de cartões de crédito era de 86 milhões, 19,44% acima da primeira metade de 2006.
A previsão do executivo é de que o volume transacionado com cartões de crédito represente 14,4% do consumo privado neste ano, ou seja, o valor do Produto Interno Bruto (PIB) menos os investimentos e os gastos do governo. Se também forem considerados os gastos com cartão de débito, essa parcela sobe para 21,1% da riqueza gerada no País. O PIB estimado para 2007 é de R$ 2,544 trilhões, com o consumo privado representando cerca de 60% do total. Como comparação, no início do Plano Real só 2,7% do consumo privado era pago com cartão de crédito.
Mudança
Também em 1994 eram feitas 200 milhões de transações com cartão de crédito, ao passo que eram compensados 4,1 bilhões de cheques. Hoje, essa relação mudou. Para este ano, Chacon espera 2,4 bilhões de transações com cartão e compensação de 1,5 bilhão de cheques. “A quantidade de transações com cartões de crédito neste ano irá superar a de cheques compensados em 52% e com tendência de distanciamento”, disse.
Chacon admitiu, no entanto, que ainda existem lojistas que preferem dinheiro e cheque ao cartão devido à taxa – maior no crédito do que no cartão de débito -, mas disse que a formalização da economia e redução da arrecadação ajudarão no movimento inverso.