Superávit primário acumula R$ 79,6 bi

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Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-4


Montante equivale a 4,37% do PIB, acima da meta de 3,8%; governo diz que vai investir mais.


O governo federal vai abrir a torneira dos gastos públicos no final do ano. Foi o que sinalizou ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao garantir que a meta de superávit primário do governo será cumprida à risca, sem sobras, como é de praxe. Desde a adoção da meta de superávit primário, em 1999, o Brasil extrapolou em todos os anos o volume de economia para pagamento de juros divulgado previamente.

Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-4


Montante equivale a 4,37% do PIB, acima da meta de 3,8%; governo diz que vai investir mais.


O governo federal vai abrir a torneira dos gastos públicos no final do ano. Foi o que sinalizou ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao garantir que a meta de superávit primário do governo será cumprida à risca, sem sobras, como é de praxe. Desde a adoção da meta de superávit primário, em 1999, o Brasil extrapolou em todos os anos o volume de economia para pagamento de juros divulgado previamente.


Para este ano, a meta é de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), excluindo-se o Projeto Piloto de Investimentos (PPI). Até julho, o superávit primário do setor público tem sido muito maior do que a meta.


O Banco Central divulgou ontem que o superávit primário dos sete primeiros meses do ano já soma R$ 79,6 bilhões, um recorde para o período, que correspondente a 5,58% do PIB. Em 12 meses, o setor público fez uma economia de 4,37% do PIB.


“A meta de superávit vai ser cumprida, como todos os anos. Não vamos fazer nada menos do que o previsto na meta. E também não temos a intenção de fazer mais do que a meta”, disse o ministro. Sem citar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ou o PPI, Bernardo justificou que os investimentos prometidos pelo governo estão demorando para sair do papel porque o programa é “muito ambicioso”. E, por isso, na avaliação dele, o atraso é natural.


O Tesouro Nacional divulgou na terça-feira que até julho o governo só cumpriu 13% dos R$ 11,3 bilhões previstos no PPI. “Até o plano de metas do Juscelino demorou. Como fizemos um programa muito ambicioso de investimentos, me parece absolutamente natural que alguns deles ainda estejam em fase de aceleração. Mas não tenho a menor dúvida de que vamos ter uma velocidade de cruzeiro”, prometeu.


Economia menor


O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, calcula que para a meta de superávit primário ficar em exatos 3,8% do PIB até o fim do ano, o setor público pode reduzir a economia mensal para pagamentos dos juros para R$ 3,26 bilhões nos próximos meses, a partir de agosto. Este valor é menos da metade do superávit primário feito em julho, de R$ 7,9 bilhões. No mês anterior, o superávit foi ainda maior, de R$ 11,6 bilhões.


“O segundo semestre sempre tem uma aceleração dos gastos correntes e dos investimentos. É uma sazonalidade. O setor público ainda tem margem para acomodar impulsos maiores de gastos”, avalia Lopes. Mas se a meta for cumprida exatamente em 3,8%, será a primeira vez, desde o acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1998, para a meta de superávit primário de 1999, que o valor não será excedido.


A maior folga já registrada foi em 2005, de R$ 10,7 bilhões a mais do que a meta de R$ 82,7 bilhões. Para este ano, a meta em valores correntes é de R$ 95,890 bilhões.


Na avaliação do economista Bráulio Borges, da LCA Consultores “será muito difícil” chegar à meta de 3,8% este ano. “Com o atual ritmo de crescimento da arrecadação e, no sentido contrário, de investimentos, nós projetamos que, ao final do ano, o superávit vai fechar o ano em torno de 4%.”


Déficit nominal


O chefe do Departamento Econômico do BC prevê que não só o superávit primário do setor público será cumprido à risca este ano, como o déficit nominal fique em 2,3% do PIB no fim do ano, o que seria o menor percentual para um ano fechado desde o início da série de política fiscal, de 1991. Mas no acumulado do ano, até julho, o déficit nominal foi de R$ 13,363 bilhões, apenas 0,94% do PIB. Em 12 meses, o déficit nominal também é o mais baixo da série histórica para o período, de 2,08%.


Em julho, o déficit nominal foi de R$ 6,18 bilhões, 21,12% menor que no mesmo mês do ano passado. Mas em junho deste ano, o setor público fez superávit nominal de R$ 677 milhões.


Além de o superávit primário ter sido maior em junho, Lopes acrescentou que a valorização do real em relação ao dólar em julho contribuiu para o aumento do pagamento de juros nominais e, em conseqüência, houve déficit nominal. No mês de agosto, com a crise financeira internacional e a volta da desvalorização cambial, o déficit nominal brasileiro deve voltar a cair.


Lopes explicou que, com o elevado volume de reservas cambiais, o Brasil se tornou credor em dólares. Quando o dólar se desvaloriza, o Brasil ganha menos em juros nas aplicações externas.


Todas as reservas cambiais do Brasil estão aplicadas em ativos no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Esse valor recebido é abatido do saldo final dos juros nominais pagos na dívida do setor público.


Em julho, o total dos ativos brasileiros no exterior somou R$ 292,276 bilhões. Em junho, era de R$ 283,057 bilhões. O dólar, por sua vez, atingiu a mínima do ano no mês passado, no dia 24 teve cotação de R$ 1,84. No último dia de julho, o dólar fechou cotado a R$ 1,87. No último dia de junho, a cotação foi de R$ 1,92. A desvalorização cambial nesse período foi de 2,6%.


 


 




 

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