Juros recuam, mas diferença entre o custo e repasse cai mais devagar

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Valor Econômico  Editoria: Finanças  Página: C-2


Favorecidos pela queda da taxa Selic, os juros médios cobrados pelos bancos caíram de 38,5% para 38,1% ao ano entre março e abril, chegando aos valores nominais mais baixos desde 2000, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. 




Os bancos estão repassando aos clientes os ganhos obtidos com a queda da taxa Selic.

Valor Econômico  Editoria: Finanças  Página: C-2


Favorecidos pela queda da taxa Selic, os juros médios cobrados pelos bancos caíram de 38,5% para 38,1% ao ano entre março e abril, chegando aos valores nominais mais baixos desde 2000, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. 




Os bancos estão repassando aos clientes os ganhos obtidos com a queda da taxa Selic. Desde setembro de 2005, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC iniciou o atual ciclo de distensão da política monetária, até abril passado, a Selic foi reduzida em 7,25 pontos percentuais (pp), para 12,5% ao ano (em junho, caiu mais 0,5 ponto, para 12% ao ano). 


No mesmo período, os juros médios cobrados pelos bancos nas operações a pessoas físicas e jurídicas caíram 10 pp, de 48,1% para 38,1% ao ano. A maior parte dessa queda (6,4 pp) se deve à redução do custo de captação dos bancos, que passou de de 18,1% para 11,7% ao ano no mesmo período. O resto se deve à redução do “spread” bancário médio, de 2,9 pp, que passou de 29,3% para 26,4% ao ano. 


A queda dos juros em abril foi mais intensa nos empréstimos a pessoas físicas. No mês, a taxa média recuou de 49,9% para 49,1% ao ano, chegando aos valores mais baixos da série estatística do BC, que começa em 1994. Nas operações contratadas por empresas, os juros recuaram ligeiramente, de 25,4% para 25,3% ao ano, chegando ao percentual mais baixo desde julho de 2001. 


Dados preliminares do BC indicam que a tendência de queda se mantém. Em maio, até o dia 22, os juros médios das operações com pessoas físicas e empresas caiu de 38,1% para 37,7%. A taxa às empresas diminuiu, de 25,3% para 24,4%, e o percentual médio nas operações com pessoas físicas ficou estável em 49,1%. 


O volume de crédito contratado pelos bancos se acelerou em abril, avançando 2,4%, puxado sobretudo por operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC). O total da carteira de crédito dos bancos chegou a R$ 777,329 bilhões no mês. 


O avanço na contratação de crédito ocorreu sobretudo no chamado crédito livre, segmento do mercado em que as taxas são livremente pactuadas. Nela, o volume cresceu 3,2%, para R$ 537,663 bilhões. O crescimento foi mais forte nas operações a pessoas jurídicas (alta de 3,7%) do que a pessoas físicas (2,6%). 


O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, disse que o grande destaque foram os ACCs, que cresceram 15,2% no mês, chegando a R$ 30,414 bilhões. “Houve contratações expressivas no setor de mineração”, disse Lopes, sem revelar o nome das empresas que buscaram recursos no mercado. “Foi uma operação de curto prazo e, portanto, os números deverão ser revertidos em breve.” 


No crédito a pessoas físicas, o destaque foram as operações de leasing, que avançaram 6% em abril, chegando a R$ 17,362 bilhões. “Cerca de 80% dessas operações são financiamento para a aquisição de veículos”, afirmou Lopes. Também houve crescimento expressivo, de 4,2%, das operações com cartão de crédito, que chegaram a R$ 21,640 bilhões. Nesse valor, estão apenas incluídos valores contratados a serem faturados, sem contar o crédito rotativo dos cartões (que aumentara 4,7% em abril, chegando R$ 15,663 bilhões). 


As demais linhas do crédito livre para pessoas físicas registraram expansão de 2,2% no mês, não muito diferente dos volumes que vinham sendo observados nos períodos anteriores. O destaque foram os financiamentos imobiliários com juros livremente pactuados, que avançaram 5,3%, para R$ 1,454 bilhão. 


O chamado crédito direcionado, que tem juros tabelados pelo governo, seguem expansão mais lenta, de apenas 0,7%. O crescimento modesto se deve sobretudo à fraca expansão nos empréstimos do BNDES (0,3%, em virtude também da apreciação do câmbio, de 0,8%, que reduz o valor dos empréstimos referenciados em moeda estrangeira) e ao avanço de apenas 1% nos financiamentos rurais. O segmento do crédito direcionado que mais cresce são os financiamentos imobiliários, com 1,9%. 


CNI pede a redução do “spread”


A diminuição dos depósitos compulsórios dos bancos – classificados como ” um instrumento de política monetária em desuso internacionalmente ” – foi pedida ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade alega que essa seria a principal medida para a redução do custo do crédito ao consumidor, já que no país se pratica o “spread” bancário “mais alto do mundo” em termos reais. 


A CNI divulgou o estudo ” Redução consistente do spread requer ações coordenadas e foco na execução “, em que enfatiza a questão dos depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos ao BC (45% sobre os depósitos à vista, sem qualquer remuneração, e mais 8% na forma de títulos públicos federais). Para os economistas da CNI, além de o compulsório ter participação pequena, de 7%, o spread total, esse instrumento é usado por poucos países, entre os quais a China (11%). 


Estudo apresentado pelo BC ao Congresso semana passada mostra que o peso maior na formação do spread é a inadimplência bancária, com 37%. 


A CNI sugere ainda a redução dos impostos sobre o crédito, responsáveis por 9% do spread. E cita a redução da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como “desonerações sensíveis ” . 


Cobra também ações anunciadas para estímulo à concorrência entre os bancos; e a criação e regulamentação do cadastro positivo de crédito, que poderá reduzir a inadimplência no longo prazo. O estudo conclui ser muito importante também a redução dos gastos públicos. 


 


 


 

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