Gazeta Mercantil Editoria: Administração & Serviços Página: C-8
Governo anuncia plano, que tem foco no turismo interno para baixa renda, sem cumprir o anterior. A frase infeliz da ministra do turismo, Marta Suplicy, conseguiu ofuscar as atenções do assunto que realmente deveria interessar: as metas do governo para o setor de turismo para os próximos três anos.
Gazeta Mercantil Editoria: Administração & Serviços Página: C-8
Governo anuncia plano, que tem foco no turismo interno para baixa renda, sem cumprir o anterior. A frase infeliz da ministra do turismo, Marta Suplicy, conseguiu ofuscar as atenções do assunto que realmente deveria interessar: as metas do governo para o setor de turismo para os próximos três anos. A divulgação do Plano de Turismo 2006/2010, baseada no projeto de referência já pronto desde o ano passado e apresentado pelo então ministro Walfrido dos Mares Guia, prevê novas metas, também bastante audaciosas, para o setor. Isso porque, em 2003, o governo Lula havia prometido chacoalhar as bases do turismo brasileiro com seu Plano Nacional de Turismo 2003/2007. Conseguiu agradar ao mercado, mas não cumpriu a promessa.
O plano previa que, até 2007, seriam gerados 1,2 milhão de novos empregos diretos. Além do aumento para 9 milhões de estrangeiros no Brasil, com a entrada de US$ 8 bilhões em divisas, e movimento de 65 milhões de passageiros nos vôos domésticos. Apesar de ter alcançado o recorde de 6,4 milhões de desembarques estrangeiros em 2006, ficou longe dos 9 milhões previstos.
O governo conseguiu ampliar a oferta turística brasileira, desenvolvendo no mínimo três produtos em cada estado brasileiro. Vale só saber qual é a qualidade desses produtos. Não é à toa que uma das novas metas do governo é estruturar 65 destinos turísticos para padrões internacionais. Essas cidades receberão, até 2010, R$ 5,63 bilhões para obras de infra-estrutura, como reformas de aeroportos, construção de estradas e até saneamento básico.
Uma das maiores críticas ao modelo de turismo nacional é a falta de investimentos em programas de preservação do patrimônio turístico, afirma Xavier Veciana, diretor-geral da rede jamaicana SuperClubs no Brasil. “Um país que não investe todos os dias em seu patrimônio cultural, histórico e turísticos não consegue ser um destino atrativo. Um caso gravíssimo é o Pelourinho, em Salvador, que apesar de ser Patrimônio Mundial da Unesco, está abandonado.”
Veciana destaca o Rio de Janeiro, hoje em campanha para que o Cristo Redentor entre na lista das Sete Maravilhas do Mundo. Além do Pantanal e Foz do Iguaçu. “Esses locais merecem atenção do governo municipal, mas também do federal.”
Outra meta ambiciosa é atingir 217 milhões de viagens internas nos próximos três anos. Em 2005, foram registradas 139,5 milhões de viagens pelo País. O aumento do fluxo de turistas esperado pelo governo, tanto do Brasil como do exterior, deve gerar US$ 7,7 bilhões em divisas, plano mais modesto que o anterior. A estimativa é de que, em 2010, o Brasil receba 7,9 milhões de estrangeiros.
O vice-presidente senior de operações da Atlantica Hotels, Christer Holtze, concorda. Porém, segundo ele, não é só com investimentos em determinados destinos turísticos que o governo vai conseguir alcançar seu plano. “Para popularizar o turismo interno, tem que fazer como os Estados Unidos e Europa fizeram há 50 anos, investir na melhoria dos caminhos terrestres.”