Jornal do Commercio Editoria: Jornal do Lojista Página: B-18
A possibilidade de os shoppings funcionarem 24 horas em datas específicas, levantada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) recentemente, traz à tona opiniões contrárias e a favor. A questão foi colocada pelo representante da CNC, Natan Schiper, depois do acordo fechado entre empresários e trabalhadores do setor para a regulamentação do trabalho aos domingos e feriados no comércio.
Jornal do Commercio Editoria: Jornal do Lojista Página: B-18
A possibilidade de os shoppings funcionarem 24 horas em datas específicas, levantada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) recentemente, traz à tona opiniões contrárias e a favor. A questão foi colocada pelo representante da CNC, Natan Schiper, depois do acordo fechado entre empresários e trabalhadores do setor para a regulamentação do trabalho aos domingos e feriados no comércio. Atualmente, o varejo só funciona nesses dias mediante autorização das prefeituras para abertura das lojas, além de acordos e convenções de sindicatos patronais. Segundo Schiper, a assinatura do protocolo de entendimento para a edição do texto de consenso para a medida provisória que vai disciplinar o trabalho dos comerciários é para consolidar o funcionamento do comércio fora dos dias úteis através de medida provisória ou projeto de lei, que ainda será enviado pelo Ministério do Trabalho ao Congresso. “A medida provisória ou projeto de lei consolidará abertura do comércio aos domingos e feriados, respeitando as convenções estabelecidas entres empregados e empregadores, sem depender da autorização das prefeituras. Isso facilitaria a abertura, por exemplo, dos shoppings durante 24 horas em datas representativas, como o Dia dos Namorados, para o comércio em todo o País”, reforça Schiper, lembrando que também valeria para as maratonas de vendas no Natal, quando alguns centros comerciais funcionam até 36 horas.
Resultado Insatisfatório
A empresária Karina Sterenberg, da KA, especializada em moda feminina, é contra o funcionamento do shopping em período integral, mesmo que isso ocorra apenas em datas específicas. Para ela, que participou da última maratona de vendas do BarraShopping, na Zona Oeste carioca, o resultado foi insatisfatório.
“Mesmo que os lojistas não sejam obrigados a abrir nesse período noturno, acabamos funcionando para marcar presença. Da última vez que o BarraShopping funcionou mais de 24 horas, no dia 23 de dezembro, tive prejuízo. Para alguns segmentos, a idéia pode até funcionar, mas no ramo de moda, não faz sentido. Por isso, não sou a favor das lojas abrirem no período de 24 horas, independentemente do dia”, avalia. De acordo com o presidente da Associação das Empresas Lojistas em Shopping Centers do Estado do Rio (Aloserj), Cláudio Gordilho, esticar o horário de funcionamento das lojas só faria sentido se os custos, como tributos trabalhistas, fossem desonerados. Na sua análise, a primeira edição em que os shoppings funcionaram até 36 horas foi um sucesso porque a ação era uma novidade. Depois, segundo ele, não houve resultado positivo para os lojistas porque o consumidor não aderiu a idéia com o mesmo entusiasmo. Já a superintendente-geral do Rio Sul, Liliane Dutra, acredita que a possibilidade apontada por Schiper, da CNC, é muito saudável para o varejo do shopping, que no ano passado funcionou na ante-véspera de Natal até a 1h. A executiva acrescenta, no entanto, que é importante ter a participação de um número expressivo de lojistas na ação. “Em 2006, todos os lojistas do Rio Sul abriram nesse período. Hoje em dia falta tempo para o consumidor fazer suas compras. A possibilidade do shopping funcionar 24 horas em datas de maior movimento no comércio certamente ajudará aquecer as vendas”, defende. Assim como ocorreu com o funcionamento das lojas aos domingos, alguns empresários defendem que a abertura do comércio durante 24 nos shoppings pode ser uma questão de cultura. Proprietária da rede de moda feminina que leva o seu nome, Cláudia Simões lembra que, no início, o domingo não era proveitoso, mas, com o tempo, este dia se tornou representativo para o varejo. Para a empresária, que tem pontos-de-venda tanto no Rio Sul quanto no BarraShopping, a experiência nas maratonas de vendas foi válida até as 2h. “Depois desse horário, praticamente não tem movimento. Apesar disso, podemos apostar em datas específicas no funcionamento dos shoppings durante 24 horas, pois o público pode aos poucos aderir a idéia”, salienta. Pelo segundo ano seguido, em 2006 o Shopping Internacional, em Guarulhos, São Paulo, participou da maratona de vendas durante 32 horas. A franquia da livraria Nobel, que funcionou nas duas edições da iniciativa, aprovou a medida de forma parcial. “Até às 2h o rendimento foi bom, mas deste horário até as 8h era possível jogar bola dentro do shopping, porque não havia mais ninguém. Não compensou abrir. Não somos obrigados a funcionar, no entanto, criamos a expectativa de aumentar as vendas quando ocorre algo do gênero. Sou a favor de estender o horário em datas específicas, mas que não seja para virar a madrugada”, defende Reimar Bastos, franqueado Nobel.