Inflação atinge níveis internacionais e Selic terá um dígito em 2008

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Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-6


A inflação brasileira está convergindo para um nível internacional, na faixa entre 2% e 3%.


Diante disso faz pouca diferença a velocidade com que a taxa básica de juros atingirá 8% ao ano, ou seja, se as prestações serão de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual.

Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-6


A inflação brasileira está convergindo para um nível internacional, na faixa entre 2% e 3%.


Diante disso faz pouca diferença a velocidade com que a taxa básica de juros atingirá 8% ao ano, ou seja, se as prestações serão de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual. A avaliação é do sócio da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que esteve ontem na Câmara do Comércio Brasil-França, em São Paulo que projeta Selic de um dígito para 2008 com conseqüências para o sistema financeiro, que será obrigado a se reorganizar.


Segundo Franco, até agora, parece que só o Comitê de Política Monetário do Banco Central (Copom) está prevendo o tamanho da encrenca de uma Selic abaixo de 10% ao ano e por isso tem sido cauteloso. Nos dias 5 e 6 de junho, o Copom se reúne para decidir sobre o novo patamar do juro, atualmente em 12,50% ao ano.


“À semelhança da experiência que a estabilização teve sobre o sistema bancário, porém duas oitavas mais abaixo, a Selic de um dígito deve provocar uma reorientação natural do sistema bancário na direção de captação e empréstimos mais longos, buscando com isso mais retorno.


Deve provocar uma onda de desregulamentação no sistema financeiro muito positiva. Isso será um desafio para os bancos oficiais – Banco do Brasil e Caixa – porque eles estão sujeitos a entraves em sua administração tendo que comprar e vender por licitações tornando burocráticos os processos que seus competidores realizam com muito mais agilidade”.


Metas de inflação


Para Franco, a meta a ser perseguida pelo governo deve ser a de um nível internacional de inflação, o menor patamar possível. “Acho esquisito ficar discutindo se é 4% ou 4,5%. Chegou o momento de refletir sobre o piso e o teto. O teto do sistema de metas de inflação faz muito sentido porque é a luz vermelha que acende e determina o momento em que o Banco Central tem que subir os juros. Mas o piso é diferente, pois qualquer inflação acima de 2% deve ser combatida.”


Efeito câmbio


Estruturalmente, em razão da resistência do superávit comercial brasileiro e da perspectiva de grau de investimento, não há como prever outra trajetória para o câmbio senão para baixo, na avaliação de Franco.


Apesar de esperar a continuidade da apreciação do real, o economista disse considerar desnecessário qualquer tipo de controle sobre a entrada de capitais no País. “É inútil o controle de capitais pois não é o diferencial de taxas de juros que está fazendo a taxa de câmbio se valorizar continuamente e sim o superávit comercial. Isso é incontestável”, afirmou, ressaltando que isso não quer dizer que a taxa não tenha que cair para o custo fiscal de carregar reservas seja nulo.


 




 


 

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