ENTREVISTA: Leônidas Oliveira, secretário de Cultura e Turismo de Minas Gerais

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Secretário Leônidas Oliveira no Lançamento do Plano Estadual de Desenvolvimento da Cozinha Mineira (Foto: Pedro Gontijo / Imprensa MG)

Como a Secult tem atuado para garantir a sobrevivência dos negócios turísticos em Minas Gerais?

O turismo mineiro representa 12,4% das empresas e 7,9% dos empregos formais no estado. Além disso, é o segundo em número de empreendimentos ligados às 15 atividades econômicas reconhecidas pelo Ministério do Turismo. Com isso, os impactos da pandemia de Covid-19 também foram significativos: segundo a CNC, Minas Gerais foi o 3º estado mais impactado pela pandemia, com prejuízos de R$ 29,3 bilhões entre março de 2020 e abril de 2021.

Diante desse cenário, a Secult tem se esforçado, desde março de 2020, para criar grupos de trabalho e webinários, ampliar o diálogo com o setor, intermediar a facilitação de acesso ao crédito, além de capacitar e promover o destino Minas Gerais. Contudo, a principal ação do órgão para apoiar e promover a retomada gradual e segura das atividades turísticas é o Reviva Turismo.

Em outra ponta, o órgão monitora o setor por meio do Observatório do Turismo de Minas Gerais (OTMG). Além disso, mantém constante diálogo com entidades representativas, como aquelas que compõem o Sistema Fecomércio MG, ouvindo demandas e elaborando, de forma conjunta, estratégias de reposicionamento do turismo como um dos principais fatores de desenvolvimento econômico estadual.

O programa Reviva Turismo, lançado em maio deste ano, tem conseguido recuperar a confiança do setor e reaquecer as atividades turísticas?

O lançamento, por si só, resgata a confiança do setor na retomada das atividades econômicas. Esse programa de recuperação do turismo, construído entre a Secult e entidades representativas do setor, reúne políticas públicas consolidadas. Nossa meta é gerar 100 mil empregos em dois anos e investir R$ 17,5 milhões em 2021, por meio de parcerias público-privadas (PPP) e patrocínios, colocando Minas entre os três principais destinos do país.

O Reviva Turismo deve ser totalmente implementado até 2022, até porque ainda vivemos em pandemia, o que não impede a retomada em toda sua capacidade. Enquanto isso, a Secult tem se esforçado para organizar o setor, capacitar profissionais e consolidar ações de biossegurança, com base em pesquisas de entidades e publicações internacionais como o World Tourism & Travel Council (WTTC), Organização Mundial do Turismo (OMT) e The Economist.

Quais foram os principais eixos de atuação da Secult ao longo desse período?

Os quatro principais eixos do Reviva Turismo são: biossegurança, capacitação, estruturação, promoção e marketing do destino Minas Gerais. A Secult entende que esses eixos são importantes norteadores de políticas públicas para o setor, com metas coerentes e atingíveis, principalmente para garantir a retomada com segurança de toda a cadeia produtiva, dos profissionais envolvidos e dos turistas.

Não há como se falar na volta do turismo sem citar a biossegurança. As pesquisas mostram a preferência dos viajantes por destinos com garantia de segurança sanitária e viagens para locais mais autênticos e remotos em família ou pequenos grupos. Já a capacitação é imprescindível para que o setor se prepare para a nova realidade e se adapte ao cenário pandêmico. Ao todo, serão lançados dez cursos de educação a distância (EaD), além de webinários e ações de formação.

No quesito promoção e marketing, a Secult trabalha com campanhas variadas e inovadoras, além de ações de marketing cruzado e cooperado em parceria com o Rio de Janeiro, operadoras, agências on-line de viagens e entidades nacionais. O intuito é buscar apoio à comercialização de nossos destinos e roteiros turísticos.

Já entre as ações de estruturação do programa estão a formatação de novos produtos turísticos junto com entidades públicas e privadas; a revisão de diretrizes e regulamentações de políticas centrais; a ampliação da conectividade entre as cidades mineiras pelos modais terrestre e da ampliação de voos no estado; o monitoramento de dados pelo OTMG; e o apoio ao trade turístico.

O “Selo Evento Seguro” foi uma solução encontrada para auxiliar na retomada do setor em Minas. A medida contribuiu para que os turistas se sentissem mais seguros para viajar pelo estado? E os empresários, têm aderido à iniciativa?

O selo “Evento Seguro” é uma política pública recente do Reviva Turismo, mas que já tem despertado o interesse dos organizadores de eventos, empresários e agentes do setor. Além desse selo, o destino Minas Gerais foi autorizado a usar o “Safe Travel” (Viagem Segura), do Conselho Mundial de Turismo. Essa autorização foi concedida em reconhecimento aos protocolos do plano Minas Consciente como aplicáveis a padrões internacionais de biossegurança.

Atenta à segurança tanto de quem trabalha para o setor como de quem viaja por Minas Gerais, a Secult realizou o webinário “Biossegurança e protocolos do Plano Minas Consciente”, em junho de 2021. Neste ano, também iremos lançar uma campanha para incentivar e fortalecer a segurança dos turistas.

O governo de Minas e Secult estudam alguma ação para facilitar o acesso ao crédito para empresários do turismo?

A Secult tem atuado como mediadora entre o setor e o Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (BDMG), operador do Fungetur e do Pronampe pelo governo estadual. Desde o início da pandemia, estamos ouvindo demandas e alinhando estratégias junto ao BDMG e ao Ministério do Turismo. Em 2020, conquistamos condições facilitadas de financiamento para recursos do Fungetur operados pelo BDMG, com a redução de juros e a ampliação do prazo de carência. Para 2021, aguardamos a liberação de linhas de crédito específicas para o setor.

A pasta também se articula junto às cooperativas de crédito para liberar linhas de financiamento específicas para empresas de turismo. A comunicação direta com esse segmento elevou a solicitação de crédito em 3% desde o início da pandemia.

Em 2021, Minas Gerais foi o único destino brasileiro entre os mais acolhedores do mundo, segundo ranking da Booking.com. O que atrai tanto turistas do país quanto do exterior?

Minas Gerais é um estado de múltiplas possibilidades para o turismo e a cultura. Cada um dos seus 853 municípios tem, ao menos, uma peculiaridade. Mas todos têm em comum a mineiridade, responsável pelo acolhimento e afeto que fizeram a fama do estado. Essa atitude se soma às paisagens incríveis, propícias ao turismo de natureza e aventura; às cidades barrocas e coloniais, que atraem turistas e estudiosos do mundo inteiro; aos quatro Patrimônios Culturais da Humanidade; ao complexo de águas, que reúne desde estâncias hidrominerais até cachoeiras; à cozinha mineira, que encanta por seus sabores, ingredientes e modos tradicionais; além de parques estaduais e nacionais que o estado abriga.

Belo Horizonte já é uma das cidades criativas da gastronomia da Unesco. Como o “Plano Estadual de Desenvolvimento da Cozinha Mineira” pode dar visibilidade para a culinária de outras regiões do estado?

A cozinha mineira tem visibilidade por si só. De acordo com o OTMG, a primeira imagem que surge à mente de 30% dos turistas em viagem a Minas é a comida mineira. Para fortalecer essa imagem, diversa e plural, o Plano Estadual de Desenvolvimento da Cozinha Mineira foi construído de forma coletiva pela Secult e entidades representativas de toda a cadeia produtiva do setor.

Nossa gastronomia abrange a cultura alimentar mineira, os ingredientes e modos tradicionais de preparo de todas as regiões do estado. Para isso, está previsto um investimento de R$163 milhões até 2024 em 72 iniciativas, sendo algumas já em curso. É o caso dos estudos para reconhecer a cozinha mineira como patrimônio cultural imaterial do estado. A iniciativa tem sido conduzida pelo Instituto de Patrimônio Cultural e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).

Para valorizar, proteger e promover nossa culinária, garantindo desenvolvimento a Minas, a Secult trabalha para que o Instituto de Patrimônio Cultural e Artístico Nacional (Iphan) e a Unesco concedam o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e da Humanidade à nossa gastronomia. Também temos mobilizado, por meio do programa Gerais+Minas, as equipes da Rádio Inconfidência e Rede Minas para produzir uma série especial sobre a cozinha mineira.

Além disso, lançamos, em junho de 2021, o Edital do Fundo Estadual de Cultura (FEC) “Cozinha Mineira”, para a realização de concursos, mostras, festas, feiras e festivais que destaquem nossa singular tradição culinária. O edital de R$1,5 milhão irá contemplar até 30 projetos a serem executados por pessoas físicas.

Aos leitores, fica o convite: conheçam Minas Gerais! Visitem nossas paisagens, patrimônios, histórias, delícias e experimentem da mineiridade, que nos tornou famosos em todo o mundo.

* Entrevista realizada pela Fecomércio MG para a editoria Turismo e Hospitalidade da revista CNC Notícias

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