Monitor – 3 de julho de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
01 a 03/07/23 | nº 937 | ANO V |  www.cnc.org.br
A coluna Capital S/A (Correio Braziliense) registra que três governadores se posicionaram contra a proposta de reforma tributária: Tarcísio Freitas (SP), Cláudio Castro (RJ) e Ronaldo Caiado (GO). Nota lembra que na mobilização oficial e também de bastidor para frear o projeto, estão grandes entidades do setor econômico. CNC, Abrasel, Federação das empresas de TI, Associação Brasileira do Franchising, entre outras, questionam a alíquota única de imposto e apontam grandes prejuízos, com fechamento de empresas e empregos, para os respectivos setores. As federações do comércio nos estados estão sendo convocadas a falar com os deputados de suas regiões.

Artigo do economista Ricardo Henriques publicado em O Globo aborda as oportunidades geradas pela “economia do cuidado”. Texto lembra que, segundo pesquisa de 2018 da CNC, o número de postos de trabalho neste campo cresceu 547% entre 2007 e 2017.

Reforma tributária
Folha de S.Paulo 
(01/07) publicou entrevista com o relator da reforma tributária na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que afirmou que pretende fazer alterações no texto para deixar mais claro que não haverá aumento de carga tributária com o novo sistema e para resolver o impasse sobre o conselho federativo, que é criticado por alguns governadores.

O parlamentar disse que espera contar com o apoio de todas as regiões do país para aprovar a reforma.

Em O Estado de S. Paulo (01/07), Ribeiro afirmou que vai incluir uma trava de segurança para evitar o aumento da carga tributária global, que é uma das principais demandas dos empresários.

Ele também disse que deve rever o modelo de tributação dos produtos da cesta básica, que foi criticado por vários setores. Ribeiro ainda desqualifica os críticos da proposta, chamando-os de “vozes do passado”.

Folha de S.Paulo (01/07) acrescentou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP) e empresários do setor de serviços fecharam posição contra a versão atual da reforma tributária.

O texto explicou que o principal ponto de discordância é a criação de um conselho federativo, que centralizaria a arrecadação e a gestão do novo IBS, imposto que unificaria o ICMS e o ISS.

De acordo com a reportagem, outros estados e municípios têm críticas à proposta, que altera a distribuição das receitas e da carga tributária entre as empresas.

Cesta básica
Folha de S.Paulo 
(02/07) registrou que a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para contestar a reforma tributária, que pode elevar os impostos da cesta básica em 60%, segundo um estudo da associação.

A Abras defende a desoneração total da cesta básica, enquanto secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, diz que o estudo não leva em conta a recuperação de crédito dos supermercados.

Desoneração
Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 02/07)
 contou que o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou à coluna que as desonerações da folha de pagamento para 17 setores da economia não podem ser renovadas por meio de projeto de lei.

“O posicionamento do Tesouro é o mesmo da Receita Federal, de que a Constituição vedou a renovação”, disse Ceron.

Comandado por Fernando Haddad, o Ministério da Fazenda recomenda o veto, porque as isenções foram concedidas por Emenda Constitucional com período definido. Nos bastidores, a pasta avalia que não há espaço para a sanção da proposta e que, caso ocorra, vai gerar judicialização.
Recentemente, Haddad afirmou que o governo deve apresentar [ao Congresso] uma “outra forma” [de renovar as desonerações].

Inflação
Manchete no Valor Econômico destaca que alguns economistas projetam um IPCA dentro da tolerância da meta perseguida pelo Banco Central (BC) em 2023, após dois anos de estouro.

O mais recente corte nos preços da Petrobras se soma ao alívio em alimentos, bens industriais e no câmbio para reforçar um cenário mais favorável à inflação neste ano.

No Relatório de Inflação (RI) do segundo trimestre, o próprio BC informou que, de acordo com seus modelos, a probabilidade de a inflação ficar acima do limite superior em 2023 passou de cerca de 83% em março para 61% agora.

Valor Econômico ressalta que o secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Gustavo Guimarães, afirmou que os detalhes do decreto que oficializa a meta contínua de inflação ainda estão em fase de “ajuste fino”.

Segundo Guimarães, não será fixado um prazo de cumprimento na nova regra. O sistema terá como base o chamado horizonte relevante de política monetária, convencionado atualmente em 18 meses.

O cumprimento do objetivo deve ser verificado mensalmente, e o Banco Central (BC) pode ter de prestar contas mais vezes ao longo do ano. A nova regra começa a valer em 2025.

Desemprego
O noticiário de sábado registrou os dados da Pnad Contínua sobre o mercado de trabalho no trimestre encerrado em maio, divulgados pelo IBGE.

A taxa de desemprego caiu para 8,3%, o menor nível desde 2015, mas que isso se deveu mais à queda do número de pessoas procurando trabalho do que ao aumento de ocupados. A população fora da força de trabalho, que não é nem desempregada nem ocupada, cresceu no período.

Sistema S
Em editorial, O Estado de S. Paulo (02/07) discutiu a reforma do ensino médio de 2017, que foi suspensa pelo MEC e criticada por alguns setores. O texto defende que a reforma modernizou o ensino médio ao torná-lo mais flexível e baseado em competências, seguindo a experiência internacional.

No entanto, o jornal sugere que a reforma pode ser aprimorada com base em um estudo de Stanford que comparou os modelos de 11 países. Esses países adotam uma divisão dual do currículo, com uma trilha acadêmica e outra técnica, que aumenta as chances de empregabilidade dos jovens.

O texto citou que o Brasil tem ilhas de excelência, como o Sistema S ou o Centro Paula Souza, mas insuficientes para satisfazer a demanda.

Mercosul
Folha de S.Paulo 
(02/07) informou que o presidente Lula vai assumir a presidência do Mercosul, durante a 62ª cúpula semestral do grupo.

O evento acontece em meio às tensões com a União Europeia sobre o acordo de livre-comércio e as questões ambientais, e o interesse do Uruguai em negociar com a China.

Gasolina
Principais jornais informaram no sábado sobre a redução no preço da gasolina anunciada pela Petrobras após a volta da cobrança integral de impostos federais sobre o combustível.

A medida, que é a quinta do ano e a terceira sob a nova política de preços da empresa, provocou queda nas ações da estatal e perda de valor de mercado.

Analistas e representantes do setor questionam o critério técnico da decisão e apontam uma possível tentativa de compensar o aumento da carga tributária.

Comércio eletrônico
O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo 
(01/07) informaram que as compras no comércio eletrônico internacional no valor de até US$ 50 ficarão isentas do Imposto de Importação (II), conforme portaria publicada ontem. A medida entra em vigor em 1ª de agosto e só vale para as empresas que aderirem ao plano de conformidade do governo, chamado de Remessa Conforme. A fiscalização da Receita Federal será fundamental para que o novo programa seja eficaz, avaliam especialistas.

Até então, tinham isenção tributária somente as remessas de até US$ 50 entre pessoas físicas-o que não vai mudar. Muitas plataformas on-line, no entanto, usavam essa brecha para simular transações entre pessoas físicas nas suas vendas ao exterior.

Folha de S.Paulo (02/07) relatou que a insatisfação do setor de varejo com as novas regras de importação que isentam de imposto de importação as remessas internacionais de até US$ 50 para pessoas físicas.

Empresários do setor avaliam que as regras desestimulam a produção nacional e favorecem as empresas estrangeiras. Representantes do varejo se reuniram com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para pedir uma nova alíquota para as remessas e uma equalização da competição.

Valor Econômico registra que, na reunião que ocorreu neste sábado, em São Paulo, entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e representantes do varejo para discutir a isenção de imposto de importação de 60% para remessas de até US$ 50, os varejistas saíram “cautelosamente otimistas”, nas palavras do conselheiro do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Sérgio Zimerman.

O varejo nacional diz que é contra a medida pois causa desequilíbrio na competição com as plataformas estrangeiras, que se beneficiariam da isenção do imposto de importação de 60%. O pedido de fim da isenção é liderado pelo IDV, que reúne cerca de 70 varejistas, e assinado também por outras associações como a Abrasce (shopping centers), Alshop (lojistas de shopping), Abvtex (varejo têxtil) e Abit (indústria têxtil e de confecção).

Meios de pagamento
O Estado de S. Paulo 
(01/07) contou que transações financeiras feitas por WhatsApp cresceram 531%, o correspondente a 56,2 milhões de transações, em 2022 comparado a 2021. Em contrapartida, as movimentações feitas em agências bancárias do Brasil caíram de 3,3 bilhões para 3,2 bilhões. Hoje, o canal físico representa apenas 2 % do total.

As operações feitas nos conhecidos caixas eletrônicos, chamados de ATMs, também reduziram, passando de 7,4 bilhões para 5,4 bilhões. Os dados são da Pesquisa Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de Tecnologia Bancária 2023, realizada pela Deloitte.

Câmara
O Estado de S. Paulo 
mostra que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), traçou uma agenda de trabalho para esta semana que inclui as votações do projeto que restitui o voto de qualidade no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) – que tranca a pauta da Casa a nova regra fiscal e, por fim, a reforma tributária. Lira convocou os líderes dos partidos para uma reunião ontem como forma de agilizar os trabalhos.

Fake News
Com as dificuldades para a aprovação do chamado PL das Fake News, alas do governo Lula investem em um plano B para a regulação da internet, ressalta a Folha de S.Paulo. As mudanças viriam em uma minirreforma eleitoral a ser votada no Congresso. A principal preocupação desses setores governistas é aprovar até outubro deste ano regras para a campanha eleitoral digital, de modo que elas possam ser aplicadas nos pleitos municipais de 2024.

Bolsonaro
A imprensa repercutiu no fim de semana a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de tornar Jair Bolsonaro inelegível por oito anos. Segundo a decisão do TSE, por 5 votos a 2, o ex-presidente ficará inelegível até 2030, podendo se candidatar novamente somente aos 75 anos de idade.

Os ministros que votaram a favor da inelegibilidade reconheceram o abuso de poder político e o uso indevido dos meios de comunicação por parte de Bolsonaro. A ação julgada teve como foco uma reunião realizada em julho do ano passado com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada.

Bolsonaro reagiu à decisão afirmando que foi “aniquilado politicamente” e comparou o julgamento a uma facada nas costas. Ele criticou a atuação do TSE nas eleições, alegando que houve um julgamento político e questionando a imparcialidade do presidente do tribunal, ministro Alexandre de Moraes.

O presidente Lula não comentou a condenação de Bolsonaro. Durante uma agenda em Viamão, no Rio Grande do Sul, ele presenciou o público entoando o coro “inelegível” quando o TSE já havia formado maioria para condenar o ex-presidente.

O dólar comercial fechou sexta-feira em queda de 1,19%, cotado a R$ 4,79. Euro caiu 0,79%, chegando a R$ 5,22. A Bovespa operou com 118.087, queda de 0,25%. Risco Brasil em 227 pontos. Dow Jones subiu 0,84% e Nasdaq teve alta de 1,45%.

Valor Econômico
Projeções já apontam inflação na meta em 2023

O Estado de S. Paulo
TJ de Goiás expande regalias e juizes têm salário de R$ 170 mil

Folha de S.Paulo
Governo Lula estuda plano B para a regulação da internet

O Globo
Vacina contra dengue não chegará ao SUS neste ano

Correio Braziliense
Lira acelera a reforma tributária

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