Monitor – 2 de junho de 2023

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
02/06/23 | nº 916 | ANO V |  www.cnc.org.br
Na cobertura do debate on-line “E agora, Brasil?”, O Globo e Valor Econômico destacam que, na visão da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, o arcabouço fiscal trará um equilíbrio para as finanças do governo que permitirá o crescimento sustentado da economia.

Tebet e Galípolo afirmaram que o conjunto de regras terá um caráter mais “fiscalista”, ou seja, de conter o avanço dos gastos públicos, do que sugerem as primeiras avaliações feitas pelo mercado financeiro. O arcabouço fiscal vai substituir o atual teto de gastos, criado em 2016, no governo Michel Temer, e que limitava o crescimento das despesas do governo federal ao avanço da inflação. O arcabouço prevê um aumento real dos gastos, porém limitado ao comportamento da arrecadação e de outros parâmetros.

As afirmações foram feitas durante o seminário promovido pelos jornais, com patrocínio do Sistema Comércio através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações.

José Roberto Tadros, presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), destacou o compromisso do governo com a sustentabilidade das contas públicas sem aumento de impostos. “O equilíbrio fiscal é um dos pilares da estabilidade macroeconômica e o principal objetivo do novo arcabouço é estancar o crescimento da dívida pública”, disse.

“Para o setor produtivo, é importante que esse objetivo seja atingido sem que isso signifique aumento da carga tributária. Desde a implantação do Plano Real, a carga tributária subiu mais de 10 pontos percentuais do PIB, mas a dívida não parou de crescer. Junto com a aprovação do novo arcabouço fiscal, será preciso garantir que a reforma tributária não resultará em novos aumentos de impostos”, concluiu Tadros.

No Correio Braziliense, artigo dos integrantes do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomércio-SP José Pastore e Marcel Solimeo defendem que o aumento de impostos reduz emprego. Segundo os autores, a alíquota de 25% do IVA previsto na PEC 45 é uma ousadia em um país onde a maior parte do emprego está nos serviços — escolas, instituições de saúde, do turismo, dos serviços pessoais e outras que são intensivas em trabalho e que hoje recolhem muito menos.

Texto lembra que, segundo estudo da CNC, a alíquota única de 25% nos serviços de alimentação, por exemplo, aumentaria a atual carga tributária desse ramo em 33%; na hospedagem, 66%; nos seguros, 162%; nos serviços de vigilância, 163%; nos serviços para edifícios e paisagismo, 173%. Os efeitos sobre o emprego seriam catastróficos.

PIB 
Principais jornais destacam que o crescimento da economia brasileira acima do previsto no primeiro trimestre de 2023 veio no impulso da agropecuária, que acabou mascarando o fôlego menor do consumo e a fraqueza dos investimentos produtivos em meio ao cenário de juros altos. De janeiro a março deste ano, o PIB do país teve alta de 1,9% ante o quarto trimestre de 2022.

O crescimento nos três meses iniciais do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também provocou uma onda de revisões para cima nas estimativas para o PIB no acumulado de 2023. Agora, as projeções sinalizam alta próxima ou acima de 2% até dezembro – algo fora do radar até pouco tempo atrás. Em 2022, o PIB cresceu 2,9%.

Imprensa ressalta que, apesar da surpresa positiva, o avanço da economia no primeiro trimestre de 2023 deve ser visto com cautela, observam analistas. É que o desempenho ficou mais associado à agropecuária,  cujos impactos se concentram no início do ano e tendem a se dissipar ao longo dos meses. Com a projeção de recorde na safra de grãos, a agropecuária teve um salto de 21,6% no PIB de janeiro a março. Foi a maior alta do setor desde o quarto trimestre de 1996, disse o IBGE.

Enquanto isso, também do lado da oferta no PIB, o setor de serviços avançou 0,6%, e a indústria ficou praticamente estagnada, com leve variação negativa de 0,1%. O consumo das famílias, por outro lado, desacelerou para 0,2% no primeiro trimestre, e os investimentos produtivos na economia brasileira caíram 3,4%.

Serviços
Reportagem do Valor Econômico ressalta que, estrela da recuperação econômica de 2022, quando expandiu 4,2%, o segmento de serviços voltou a apresentar resultado acima das expectativas dos analistas. O resultado pegou carona na forte expansão da agricultura, mas também em uma demanda mais aquecida que o previsto das famílias. A expectativa é que o resultado também fortaleça o desempenho no segundo trimestre, antes de começar a desacelerar de forma mais firme na segunda metade do ano.

Segundo o IBGE, o PIB do setor de serviços, que engloba comércio, intermediação financeira e serviços públicos, cresceu 0,6% no primeiro trimestre de 2023, frente ao quarto, feito o ajuste sazonal. O resultado foi o dobro da mediana das coletas do Valor Data, de 0,3%.

Entre os subgrupos com melhor desempenho, ficaram Transporte, armazenagem e correio e Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, ambos com alta de 1,2% no trimestre.

Juros
O Globo 
reporta que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse esperar alta de 2,3% do PIB este ano. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o país deve crescer cerca de 2%. Tebet aproveitou para cobrar, mais uma vez, a queda na taxa de juros, hoje de 13,75% ao ano, pelo Banco Central. Ela disse que espera redução de 0,25 ponto percentual nas reuniões de junho ou agosto.

Haddad avalia haver uma “janela de oportunidade” para a autoridade monetária, citando que “a inflação está vindo controlada, os juros futuros estão caindo bastante, sensivelmente”.

Reforma tributária 1
Valor Econômico 
divulga que a reforma tributária é vista pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, e pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, como um pilar do plano do governo de garantir responsabilidade social sem descuidar da fiscal.

Ontem, ambos destacaram o potencial de aumento de produtividade e maior crescimento econômico da proposta, que visa simplificar a cobrança de impostos sobre o consumo. Ela espera uma “simbiose” entre as duas PECs com o IVA dual.

Reforma tributária 2
Valor Econômico 
destaca que relatório da reforma tributária será apresentado na terça-feira (6) no grupo de trabalho da Câmara com proposta de imposto sobre valor adicionado (IVA) dual e um fundo de desenvolvimento regional (FDR) bancado, ao menos em parte, com recursos da União.

De acordo com quatro parlamentares consultados, o texto defenderá que exista mais de uma alíquota, sem explicitar quantas, e quatro regimes especiais.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a princípio estava receoso de partilhar parte do IVA federal com os estados, mas cedeu diante da visão de que a reforma é importante e precisa ser destravada.

Refinarias
O Globo 
publica que o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Alexandre Cordeiro, disse ontem que já está conversando com a Petrobras para rever os acordos feitos com a estatal que preveem a venda de ativos, como as refinarias.

Cordeiro ressaltou ainda que essa revisão vai levar em conta a nova política de preços dos combustíveis anunciada pela companhia há duas semanas, com a criação de uma metodologia que leva em conta custos nacionais e cotações internacionais em substituição ao PPI (política de paridade de importação), que acompanhava as cotações de petróleo e dólar. O presidente da estatal, Jean Paul Prates, já se referiu à nova política como nova estratégia comercial da companhia.

Vibra Energia
O Estado de S. Paulo 
noticia que a Vibra Energia quer ampliar a parceria com a Petrobras também no segmento de biocombustíveis, o que deve ocorrer com a criação da vice-presidência de Energia Renovável e ESG. A cadeira será ocupada pela ex-presidente da AES Brasil Clarissa Sadock, informou ao Estadão/Broadcast o presidente da Vibra, Ernesto Pousada.

Ele descarta qualquer conversa sobre uma eventual participação societária da sua ex-holding (a empresa se separou da Petrobras em 2019). Nas últimas semanas, circularam rumores de que a Petrobras estaria interessada em voltar ao setor de distribuição de combustíveis, e que a estatal poderia negociar uma participação acionária na Vibra.

Mercosul-UE
Valor Econômico 
relata que, diante da espera de uma resposta do Mercosul, a União Europeia mantém a expectativa de concluir neste ano o acordo entre os blocos. Para os europeus, o movimento é não apenas comercial, mas também político, capaz de nortear a relação entre sul-americanos e europeus num período de transformações na ordem global. O bloco vê uma conjuntura favorável em diferentes esferas para finalizar em 2023 a assinatura: a mudança de governo no Brasil, a presidência espanhola do Conselho da União Europeia no segundo semestre e o fato de haver eleições para o Parlamento Europeu no ano que vem.

Shein
Folha de S.Paulo 
relata que a peça de roupa fabricada no Brasil pela Shein pode custar o mesmo ou ser até mais barata que a peça de roupa importada da China hoje. Quem garante é o sócio da Shein, o boliviano Marcelo Claure, presidente da varejista de moda online no Brasil e na América Latina, que tem a ambição de tornar o país um dos polos de produção e distribuição global da Shein. “Meu sonho é que tenhamos designers brasileiros, tecidos brasileiros, fabricação brasileira e a venda dos produtos em todo o mundo. Estamos perto de conseguir isso”, disse o executivo.

Segundo Claure, o custo de produzir roupa na China pode ser menor do que no Brasil, mas existe um alto custo envolvido em trazer a roupa da Ásia para o consumidor brasileiro.

“As economias obtidas com a logística nos permitem pagar os custos mais altos de fabricação no Brasil, o que incluem os impostos”, diz. “As primeiras fábricas que montamos nos mostram que os custos são similares. Não precisamos mais importar algodão brasileiro, fabricar na China e exportar para o Brasil.”

Hoje a Shein já tem 151 fábricas trabalhando com exclusividade para a varejista online. “Sou orgulhoso em dizer que, um mês depois de anunciarmos a produção local no Brasil, já temos peças brasileiras vendidas localmente”, afirmou Claure, referindo-se ao compromisso da Shein com o governo brasileiro, anunciado em 20 de abril, de investir R$ 750 milhões dentro de três anos, com a contratação de 2.000 fábricas no país. “Até o final deste mês, serão 200 fábricas.”
De acordo com Claure, o Brasil já representa um dos cinco maiores mercados da Shein no mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Arábia Saudita, França e Inglaterra.

STF
O Estado de S. Paulo
 atenta que o advogado Cristiano Zanin Martins foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga aberta com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski. Embora esperada, a escolha está sendo criticada tanto pelo nome como pela estratégia do presidente, que dá sinais de estar construindo uma espécie de “bancada aliada” no STF, formada por ministros de sua confiança.

Lira
O Globo 
observa que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse a interlocutores que não pautará projetos de interesse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enquanto o governo não promover mudanças na articulação política. Mesmo após a aprovação da Medida Provisória que definiu a estrutura do Executivo, o Palácio do Planalto ainda busca meios de amainar a crise e, para amenizar o desconforto e ampliar a sua base no Congresso, começou a discutir a possibilidade de mudanças em ministérios.

Operação da PF
Folha de S.Paulo 
ressalta que a Polícia Federal cumpriu na manhã de ontem dois mandados de prisão e 26 de busca e apreensão em uma investigação sobre supostos desvios em contratos para a compra de kits de robótica com dinheiro do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). O caso envolve aquisições em municípios de Alagoas, todas assinadas com uma mesma empresa pertencente a aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). As fraudes podem ter gerado prejuízo de R$ 8,1 milhões.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 1,31%, cotado a R$ 5,00. Euro caiu 0,64%, chegando a R$ 5,38. A Bovespa operou com 110.564, alta de 2,06%. Risco Brasil em 250 pontos. Dow Jones subiu 0,47% e Nasdaq teve alta de 1,28%.

Valor Econômico
PIB do 1º tri surpreende com impulso do agro; demanda interna avança pouco

O Estado de S. Paulo
Lula indica seu advogado e tenta tornar o STF aliado do governo

Folha de S.Paulo
PF acha cofre com R$ 4,4 mi em ação contra aliados de Lira

O Globo
Agro puxa alta do PIB no trimestre e eleva projeção para 2023

Correio Braziliense
Reajuste para a segurança deve ser pago em 3 parcelas

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