Monitor – 17 de abril de 2023

Compartilhe:

Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
15 a 17/04/23 | nº 883 | ANO V |  www.cnc.org.br
Manchete em O Estado de S. Paulo (16/04) informou que empresas de varejo perderam 339,6 bilhões de valor de mercado nos últimos dois anos, o que equivale ao PIB do Uruguai, sob o impacto de juros altos, inflação resistente em níveis elevados e renda estagnada.

A pedido do jornal, Fabio Bentes, economista da CNC, calculou o valor de mercado de um grupo de 20 varejistas com papéis na Bolsa. Juntas, ao fim de 2020, essas empresas valiam R$ 527,810 bilhões. Mas, em dezembro do ano passado, essa cifra tinha recuado para R$ 188,149 bilhões, acumulando uma perda de quase dois terços (64%).

“É um cenário desolador do comércio no pós-pandemia”, afirmou o economista, comparando o desempenho recente do varejo com o que houve no passado. Entre 2004 e 2014, por exemplo, o comércio varejista do País viveu um verdadeiro “ciclo de ouro”, quando o volume de vendas crescia, em média, 7% ao ano. Mas, no período seguinte, a partir de 2015 até o fim do ano passado, o que se viu foi estagnação no comércio. As vendas recuaram, em média, 0,1% ao ano.

A deterioração das condições de consumo – em um contexto de inflação e endividamento em alta, renda e emprego estagnados e, sobretudo, o juro básico fixado atualmente em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – é, na avaliação de Bentes, o pano de fundo que explica o derretimento do valor papéis das varejistas na Bolsa de Valores. O resultado foi influenciado pela crise na Americanas, mas vai bem além.

China
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China foi destaque nos jornais de sábado. Manchete de O Estado de S. Paulo apontou que a visita de Lula à China serviu para reforçar os laços econômicos do Brasil com seu maior parceiro comercial e, ao mesmo tempo, foi usada pelo petista para salientar uma política externa associada a uma nova orientação internacional e multipolar.

O jornal ressaltou que Lula participou de reunião fechada com o presidente da China, Xi Jinping, onde assinaram 15 acordos bilaterais. Entre eles está a criação de mecanismos para facilitação do comércio entre os dois países.

Manchete em O Globo destacou “grande sucesso” na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China “se o plano do governo brasileiro era marcar em grande estilo o ‘relançamento’ das relações” com o país asiático.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, projetou R$ 50 bilhões em investimentos gerados a partir de acordos negociados durante a visita da comitiva brasileira, incluindo a instalação da montadora de elétricos BYD na antiga fábrica da Ford em Camaçari (BA).

Haddad ainda negou que a reaproximação com a China signifique distanciamento dos parceiros do Ocidente. “Queremos investimentos dos EUA, mas estamos vivendo um momento de desinvestimento”, disse o ministro.

BNDES
O Globo 
(15/04) informou que o BNDES firmou acordo para captação de até US$ 1,3 bilhão com a instituição de fomento China Development Bank (CDB), anunciado pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante, em Pequim.

Segundo o jornal, o objetivo é abrir novas oportunidades de captação de recursos para que o BNDES possa ampliar projetos e criar novas linhas de crédito para empresas privadas e entes públicos.

A reportagem detalhou que o foco serão financiamentos em projetos de infraestrutura, energia, manufatura, petróleo e gás, agricultura, mineração, saneamento, agenda ESG, mudança climática e desenvolvimento verde, prevenção a epidemias, economia digital, alta tecnologia, gestão municipal e outros segmentos no Brasil.

LDO
O Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e Correio Braziliense 
(15/07) informaram que o governo enviou ao Congresso primeiro projeto para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que condiciona um total de R$ 172 bilhões de despesas em 2024 à aprovação do novo arcabouço fiscal.

Conforme a reportagem, previsão é que o salário mínimo suba para R$ 1.389, sem aumento real, mas esse valor também deve ser alterado. O texto inclui previsões mais otimistas que as do mercado para o crescimento da economia.

Baseada na atual regra do teto de gastos, a proposta também tem um cenário alternativo, considerando o novo arcabouço fiscal. Se aprovado, os gastos serão ampliados de acordo com a nova regra fiscal.

Arcabouço fiscal
O Globo 
(15/04) mostrou que despesas com projetos socioambientais ou relativos às mudanças climáticas custeados com doações, bem como projetos financiados com recursos decorrentes de acordos judiciais ou extrajudiciais firmados em função de desastres ambientais ficarão fora do novo arcabouço fiscal.

Salário mínimo
Folha de S.Paulo 
(15/04) afirmou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva prevê que o salário mínimo suba para R$ 1.389 em 2024, uma alta de 5,2% que considera apenas a correção pela inflação projetada para este ano (sem aumento real).

Os números estão no PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2024, enviado nesta sexta-feira (14) ao Congresso Nacional.

Refinarias
O Globo 
(16/04) afirmou que a Petrobras já iniciou um ambicioso plano de ampliação da capacidade de suas refinarias, agora com nova diretoria e prestes a ter o Conselho de Administração também renovado.

O jornal detalhou que a estratégia inclui o investimento em unidades para produzir diesel 100% renovável e até a ampliação de escopo do polo Gaslub, em Itaboraí (RJ). Ele será rebatizado e pode receber a produção de petroquímicos de segunda geração.

Com a aprovação dos projetos, pode haver aumento do volume de investimentos previstos para a área que inclui refino e gás natural, que hoje está em cerca de US$ 9 bilhões até 2027.

Gás natural
Manchete em O Globo reporta que o governo prepara novo programa para aumentar a oferta e o uso de gás natural no Brasil e, assim, reduzir o preço do insumo energético.

A reportagem pontua que dois anos após a aprovação no Congresso da Nova Lei do Gás para fomentar a concorrência no setor e baixar o custo, principalmente para a indústria, o preço subiu e o domínio da Petrobras nesse mercado aumentou.

O Globo inclui que empresas privadas do setor têm expectativas sobre os planos do governo para o gás natural e os ajustes que a Petrobras está fazendo em seu plano de negócios 2023-2027, que prevê investimentos de US$ 5,2 bilhões em infraestrutura de gás.

A reportagem menciona que, segundo executivo de uma petroleira, há a indicação nos bastidores de que a estatal dê até maio sinais mais concretos sobre as fábricas de fertilizantes e a busca de parcerias para novos projetos de infraestrutura de gás.

Mercosul
Coluna do Estadão (O Estado de S. Paulo, 16/04)
 revelou que Mercosul e União Européia voltaram a se estranhar após os europeus apresentarem uma carta, no mês passado, com um protocolo adicional de exigências para fechar o acordo comercial.

Conforme a coluna, documento foi mal recebido pelo governo brasileiro, que considera inapropriada a iniciativa de requisitar compromissos extras após o acordo ter sido fechado e desconfia de que os europeus querem protelar a abertura comercial.

Na quarta-feira (19), equipes técnicas dos dois blocos se reúnem para tratar desta nova fase de negociação, focada na área ambiental. Também está prevista para 16 de maio visita de comitiva de parlamentares europeus para reuniões no Itamaraty e na Câmara.

Marketplaces estrangeiros
Valor Econômico 
destaca em chamada de capa que integrantes das classes média e alta da Região Sudeste são os principais clientes dos marketplaces estrangeiros no país. Segundo pesquisa da NIQ Ebit – obtida com exclusividade pelo Valor -, 59% dos compradores têm renda familiar acima de R$ 4.849, faixa que corresponde às classes A, B e C, conforme os critérios adotados pela empresa e pelo IBGE. O levantamento também mostra que cerca de 55% dos compradores são homens.

Somando-se os consumidores do Sudeste e Sul, eles representaram quase 80% do total de clientes das plataformas estrangeiras no ano passado. Segundo o Instituto Locomotiva, cerca de 82 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais já fizeram alguma compra em AliExpress, Shein ou Shopee.

Compras digitais
O Globo 
(15/04) relatou que a Casa Civil afirmou que o governo seguirá com o plano traçado pelo Ministério da Fazenda de acabar com a isenção nas remessas internacionais, o que afeta plataformas digitais como as asiáticas Shopee, Shein e AliExpress.

O plano da Fazenda é retirar, por meio de medida provisória (MP), a regra que isenta de impostos as remessas internacionais entre pessoas físicas com valor inferior a US$ 50 (cerca de R$ 250).

O fim da isenção não significa a criação de um novo imposto. Com o aperto da fiscalização, produtos que antes não sofriam taxação até US$ 50 sofrerão aumento de preço.

Meios de pagamento
O Estado de S. Paulo 
(16/04) contou que os pagamentos no WhatsApp para empresas começaram a operar com o processamento de três credenciadoras: Cielo, de Bradesco e Banco do Brasil; Rede, do Itaú Unibanco; e o Mercado Pago, ligado à varejista Mercado Livre.  Em comum, essas três empresas têm direcionado esforços nos pequenos e nos médios negócios.

“O pequeno empreendedor oscila entre seu empreendimento e uma volta ao mercado de trabalho, então a rotatividade é muito alta, o que faz com que o custo de equipamentos se torne elevado”, afirmou o CEO da Cielo, Estanislau Bassols.

Na Rede, a ideia é ampliar a participação do segmento inclusive nas transações via internet. “Conquistamos a liderança no e-commerce e os próximos dois anos serão de desafios para crescimento no varejo (PMEs)”, disse Luis Lima, superintendente de Produtos e Parcerias Digitais da Rede.

Atos antidemocráticos
Manchete de Folha de S.Paulo informa que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se os 1.309 acusados de participar do 8 de janeiro serão réus em ações penais. A investigação do caso, o maior do gênero na história brasileira, está sob responsabilidade de Alexandre de Moraes.

O ministro iniciou a análise pelos quase 300 acusados atualmente presos. A defesa argumenta que a denúncia não atende aos requisitos necessários, como a descrição dos fatos criminosos e suas circunstâncias.

União Brasil
Valor Econômico 
adianta que o Palácio do Planalto iniciou uma “operação de varejo” – ou seja, uma negociação individual – para tentar acomodar indicações do União Brasil em cargos ligados principalmente à extinta Fundação Nacional de Saúde (Funasa), num esforço para tentar evitar a debandada do partido da base do governo. Além da Funasa, outros cargos de segundo escalão devem ser colocados na mesa de negociação.

Rede
O Estado de S. Paulo 
assinala que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi derrotada ontem no congresso de seu partido, a Rede Sustentabilidade, e disse sair do encontro “sangrando” por causa dos ataques sofridos. O racha foi exposto quando os grupos de Marina e do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (AP), se dividiram pelo comando da legenda.

Articulação
Folha de S.Paulo 
(16/04) assinalou que o governo ainda não passou por “grande teste” para saber tamanho da base no Legislativo, mas sinais, até o momento, têm sido negativos, o que tem gerado preocupação entre parlamentares e integrantes do núcleo político.

Segundo a reportagem, há temor de que, caso a situação não seja ajustada, haja prejuízo à votação de matérias consideradas prioritárias para o governo, como o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária.

Lobby
O Globo 
observa que o projeto de lei para a regulação do lobby no Brasil tramita no Senado, após ser aprovado na Câmara em novembro do ano passado. Especialistas apontam necessidade de aprimorar pontos do projeto, como estender as regras para estados e municípios e estabelecer limites para pagamentos, a agentes públicos, de despesas como hospedagem e transporte. Relator já admite mudanças no texto.

O dólar comercial fechou sexta-feira em queda de 0,23%, cotado a R$ 4,91. Euro caiu 0,69%, chegando a R$ 5,40. A Bovespa operou com 106.279, queda de 0,17%. Risco Brasil em 249 pontos. Dow Jones caiu 0,42% e Nasdaq teve queda de 0,35%.

Valor Econômico
Sem ativos da Petrobras, setor de petróleo deve passar por fusões

O Estado de S. Paulo
Adicional a ser pago a juízes federais pode custar até R$ 1 bi

Folha de S.Paulo
STF decide se golpistas do 8/1 vão virar réus

O Globo
Governo quer usar estatal do pré-sal para baratear gás

Correio Braziliense
Porta-voz de Putin vem a Brasília defender guerra contra a Ucrânia

Leia também

Rolar para cima