Juros
Manchete em O Estado de S. Paulo destaca que seminário organizado pelo BNDES virou ontem trincheira para atacar o atual nível de juros, considerado pelos participantes um obstáculo para a retomada da economia.
A dois dias da definição da Selic, o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin puxou a fila de críticas. Ele afirmou que os juros nesse patamar não se justificam, travam investimentos e tornam a dívida brasileira mais cara. Além disso, Alckmin cobrou “bom senso” do Banco Central. Ele lembrou que “o mundo inteiro tem juros (reais) negativos” e frisou que não há por que ter juro real de 8% quando “não há demanda explodindo”.
O economista Joseph Stiglitz, vencedor do prêmio Nobel em 2001, criticou que “um Banco Central independente e com mandato só para inflação não é o melhor arranjo para o bem-estar do país como um todo”.
Folha de S.Paulo avança sobre críticas de participantes de seminário do BNDES à atual taxa de juros. Economistas, empresários e políticos se revezaram na ofensiva contra o patamar da Selic.
O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, disse que as taxas de juros no Brasil são “pornográficas” e incompatíveis com a situação fiscal do país.
Para o presidente da Fiesp, não adiantará promover política industrial sem reduzir a taxa de juros e sem realizar uma reforma tributária que reduza a carga sobre a indústria, equiparando a cobrança a níveis mais próximos aos hoje oferecidos ao agronegócio.
Tributos
Manchete no Valor Econômico revela que as 19 maiores empresas abertas não financeiras brasileiras questionam na Justiça a cobrança de R$ 559 bilhões em tributos pela União, estados e municípios.
Conforme Valor, o montante representa 74,3% das estimativas com ações judiciais em geral – quando consideradas as contingências nas demonstrações financeiras de 30 de setembro de 2022.
Para especialistas, valores envolvidos demonstram necessidade de uma reforma tributária. No Brasil, essas disputas pesam 17 vezes mais para as empresas do que no exterior, segundo estudo do Conselho Nacional de Justiça em parceria com o Insper.
Preocupações
Valor Econômico repercute pesquisa da Deloitte, indicando temor de empresários com aumento de custos após a reforma tributária. O veículo cita preocupação com a perda de benefícios fiscais e com os créditos acumulados nas operações.
Segundo o levantamento, os executivos também estão apreensivos com o quanto terão que desembolsar com a transição do modelo atual para o novo. Eles terão que investir em novos sistemas e, provavelmente, em mais mão de obra especializada.
Arcabouço fiscal
O Globo assinala que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) começa hoje sem o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, conseguir publicizar o novo arcabouço fiscal. Ele se reuniu ontem com lideranças políticas, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A reportagem detalha que, apesar do sigilo, um dos pontos apresentados por Haddad a políticos prevê uma espécie de gatilho para contenção de gastos, caso a dívida pública atinja determinado patamar.
Segundo o diário carioca, o ministro pretende divulgar a nova regra fiscal ainda nesta semana, antes da viagem que Lula fará à China, que começa no sábado. Integrantes do governo, no entanto, questionam o prazo devido à necessidade de ajustes.
Corte futuro
O Globo mostra que, de acordo com especialistas, a apresentação da nova regra fiscal antes da reunião do Copom provocaria um efeito positivo, mas não seria decisiva para a redução da taxa básica de juros.
Para economistas, a Selic deve permanecer em 13,75% ao ano, mas a ata da reunião pode “deixar as portas abertas” para um corte nos próximos meses.
PPP
O Estado de S. Paulo traz que os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Casa Civil, Rui Costa, avaliaram a possibilidade de lançamento de um novo arcabouço para as Parcerias Público-Privadas (PPPs) com o projeto de nova âncora fiscal.
“É uma coisa importante para alavancar investimentos. E tem uma conta sobre vinculações constitucionais que estamos fazendo para ter segurança sobre os parâmetros”, disse Haddad.
A reportagem menciona, ainda, haver um grupo no governo e no PT que avalia que essa é a hora de aprovar uma regra fiscal.
Consignado do INSS
Principais jornais relatam que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve voltar a subir os juros do consignado do INSS, após os bancos suspenderam os empréstimos para aposentados e pensionistas devido ao teto mais baixo imposto pelo governo. A taxa, que antes era 2,14%, caiu para 1,70% por decisão do CNPS.
Em reunião ontem, membros do governo concordaram quanto à necessidade de o governo adotar um “meio-termo”, que oscilaria entre 1,8% e 2% de juro, mas não houve acordo sobre o patamar e tampouco quando a medida entraria em vigor. Até sexta uma nova reunião em busca de um acordo para o impasse. |