Monitor – 1º de fevereiro de 2023

Compartilhe:

Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
01/02/23 | nº 834 | ANO V |  www.cnc.org.br
Valor Econômico relata que favorecida por otimismo entre famílias mais pobres, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela CNC, subiu 1,3% em janeiro ante dezembro, para 93,9 pontos, com expansão de 23,1% ante janeiro de 2022. Foi a maior pontuação desde abril de 2020 (95,6 pontos), informou ontem a Confederação .

As famílias de menor renda esperam consumir mais nos próximos meses, devido à expectativa de inflação menos expressiva, ante ano passado; maior abertura de vagas, com aumento de renda originada de trabalho, segundo a economista da CNC e responsável pelo indicador, Izis Ferreira. Ela lembrou ainda maior abrangência, neste ano, de programa de transferência de renda, o Bolsa Família, que deve contribuir para elevar a renda entre os de menor poder aquisitivo – com impacto no consumo.

“Esse grupo [de menor renda] tem visão positiva sobre renda atual, mesmo com volatilidade de preços que mais impactam na cesta de consumo”, afirmou ela.

Ao detalhar a melhora em expectativa de consumir entre os de menor renda, na pesquisa, a economista da CNC lembrou que desde meados do ano passado a inflação arrefeceu, ante primeiro semestre de 2022. Isso deixa mais espaço no orçamento entre os mais pobres, notou a técnica. Ao mesmo tempo, ela comentou que, além de esperança em melhora no mercado de trabalho, os de menor renda serão influenciados por mudanças no Bolsa Família, ex-Auxílio Brasil, montado pelo atual governo com maior número de famílias, e acréscimo de pagamento de parcelas por filhos, em cada família.

Ao ser questionada se o ICF continuará a subir, a especialista ponderou que os próximos meses trarão fatores que podem acelerar ou derrubar a intenção de consumo das famílias. Se por um lado as famílias de menor renda têm boas perspectivas de elevar renda, o mesmo não se pode dizer das com maior poder aquisitivo, notou ela. A técnica lembrou as recentes demissões em grandes “fintechs” anunciadas, bem como fato de que existe parcela expressiva, entre os de maior poder aquisitivo com salário mais elevado, que não contou em seus ganhos com reajuste salarial próximo ao da inflação no período.

Correio Braziliense conta que os comitês de política monetária do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fomc) se reúnem, hoje, para decidir sobre as taxas básicas de juros nos dois países. Os resultados não devem surpreender, segundo analistas. Mas, por aqui, o clima é de maior turbulência, devido a declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seus ministros, que têm questionado a política de juros e deixado agentes financeiros preocupados — inclusive, colocando no radar a possibilidade de o Banco Central ser levado a promover novas altas das taxas.

O consenso entre especialistas é de que, na reunião de hoje, o Copom deve manter a Selic em 13,75% ao ano, nível em que se encontra desde agosto, apesar das críticas de dentro do governo. Com autonomia para gerir a política monetária, e seguidos alertas em relação à piora do quadro fiscal, o BC não pretende baixar os juros tão cedo.

O economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central e assessor da CNC, diz que o BC precisa reconhecer que a taxa de juros está alta e reduzi-la em breve. Ao contrário da maioria dos analistas, Gomes não vê problema em mudar a meta de inflação, que considera muito apertada. “Sempre fui favorável a um objetivo um pouco maior, porque o Brasil não é um país rico e desenvolvido. O mercado financeiro não vai gostar, mas é preciso reconhecer que o cenário mudou após a pandemia e será preciso, sim, mudar a meta”, afirmou.

Reforma tributária
Folha de S.Paulo e Valor Econômico
 expõem declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de que a intenção do governo é priorizar a discussão sobre a reforma tributária e votar o tema em até três meses.

O debate sobre a nova âncora fiscal para substituir o teto de gastos, por outro lado, deve ser aberto em um segundo momento e ainda não tem prazo para passar por deliberação.

De acordo com Lira, o prazo para a reforma tributária foi definido para dar tempo aos parlamentares reabrirem as discussões sobre o tema.

Juros
Folha de S.Paulo 
afirma que, pressionado por uma piora nas expectativas do mercado financeiro para a inflação, o Banco Central deve manter a Selic em 13,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A primeira reunião do Copom desde a posse do presidente Lula é realizada hoje (1º).

Conforme Folha, incertezas fiscais e ruídos gerados pelo alto escalão do governo têm contribuído para a deterioração das projeções sobre preços.

Empregos
O Estado de S. Paulo, O Globo e Folha de S.Paulo
 repercutem dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho. O Brasil gerou 2,03 milhões de empregos com carteira assinada em 2022.

O número representa queda de 26,6% em relação a 2021 – quando 2,77 milhões de vagas formais foram criadas. O saldo positivo foi puxado pelo desempenho do setor de serviços, com a criação de 1.176.502 postos formais.

Na indústria, houve a criação de 251.868 vagas, logo atrás do comércio, que abriu 350.110 vagas. A construção civil abriu 194.444 postos. Na agropecuária, foram abertas 65.062 vagas em 2022.

Crédito
O Globo 
conta que, depois de se reunir com banqueiros ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a questão da oferta de crédito barato no país entrou na “ordem do dia”. Ele afirmou que o crédito caro impede e trava os negócios porque os juros são maiores do que o lucro e, neste cenário, não se consegue viabilizar a atividade econômica:

“Estamos com taxa de juros de 13,75%, e há preocupação com uma eventual retração do crédito no Brasil. Ontem conversei com o presidente do Banco Central sobre uma agenda rápida de crédito no Brasil. Sistema de garantias, diminuição do spread, melhoria do ambiente de concorrência para que haja mais crédito barato no Brasil. Isso é um impedimento do crescimento econômico”, disse .

BNDES
O Estado de S. Paulo 
relata que o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou ontem que a redução da Taxa de Longo Prazo (TLP) para as micro e pequenas empresas foi discutida em reunião com o conselho da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). “Há espaço para reduzir essa taxa de juros e queremos fazer (isso) em conjunto com a Febraban. Tem de ser um projeto de lei, aprovado no Congresso, e, portanto, precisa de um debate técnico cuidadoso.”

Mercadante afirmou ainda que o BNDES não precisa de subsídios do Tesouro, e acrescentou que não há pretensão de voltar com a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada pela instituição para conceder crédito subsidiado durante os governos anteriores do PT.

Desenrola
Valor Econômico 
relata que a equipe econômica e os bancos já têm um esboço do Desenrola, o programa de renegociação de dívidas que o governo pretende lançar. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse ontem que uma proposta será levada na semana que vem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O desenho que está em estudo prevê que um fundo garantidor, formado por recursos públicos, vai cobrir 100% da inadimplência das operações que forem renegociadas. Com isso, o risco de crédito ficará, na prática, com o Tesouro Nacional.

Petrobras
Valor Econômico 
reporta que o governo avalia indicar para o conselho de administração da Petrobras a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoum; o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes; e o fundador da Genial Investimentos, Eduardo Moreira.

A lista também pode incluir o coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, William Nozaki, e a presidente do Comitê Científico do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, Suzana Kahn.

Os nomes foram sugeridos ao presidente Lula, mas ainda não há confirmação de que eles estejam na lista final.

Varejo
Painel S.A. (Folha de S.Paulo)
 conta que as expectativas do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) para o crescimento das vendas neste começo de ano são baixas. De acordo com a nova projeção da entidade, que reúne marcas como Americanas, Riachuelo, Carrefour e Centauro, o setor só deve ter um resultado positivo (considerando o desconto da inflação) em março.

O esperado é que, em janeiro, o varejo tenha recuado cerca de 1,7%, cenário que acompanharia a queda de 1,5% em dezembro. Para fevereiro, os números reais apontam um resultado negativo de 0,6%. A previsão do IDV é que somente em março haja alívio com uma ligeira alta de 0,8% em seu crescimento.

Americanas
Principais jornais reportam que a Americanas começou a cortar custos com pessoal e interrompeu contratos com empresas que fornecem serviços terceirizados. Segundo fontes, a empresa prepara um plano de fechamento de lojas em meio ao processo de recuperação judicial, o que pode levar a demissões, como parte da redução de custos que terá de implementar enquanto negocia com credores um plano de reestruturação.

Publicações acrescentam que o escritório Zanin Martins Advogados, de Cristiano Zanin Martins – que defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos processos da Operação Lava jato – acaba de ser contratado pela Americanas.

A varejista, em recuperação judicial desde o dia 19 de janeiro, chamou Zanin Martins para defendê-la do BTG Pactual, com quem trava uma batalha judicial por R$ 1,2 bilhão retido na conta da Americanas no banco.

Congresso
As eleições para as presidências do Senado e da Câmara dos Deputados movimentam o noticiário. Os resultados são cruciais para o presidente Lula garantir governabilidade e aprovar projetos no futuro.

Apoiado pelo petista, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tem vantagem na disputa pela reeleição, mas o ex-ministro bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN) pode surpreender, analisa a Folha de S.Paulo.

Marinho conseguiu o apoio de nomes como Sérgio Moro (União Brasil-PR) e de parlamentares do centrão, o que teria levado a uma movimentação nos bastidores com a negociação de cargos para impedir seu avanço.

Já na Câmara dos Deputados, a situação parece mais definida. O Estado de S. Paulo aponta que a reeleição de Arthur Lira (PP-AL) já é tida como certa. Mesmo assim, isso não se traduz em vida fácil para o governo: com o centrão em vantagem e sem emendas do relator para barganhar, a negociação política deve ser mais complicada, aponta o jornal.

STF
O Estado de S. Paulo 
informa que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem a Polícia Federal a colher depoimento do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sobre a minuta para decretar estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A oitiva deve ocorrer em até cinco dias.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 0,75%, cotado a R$ 5,07. Euro caiu 0,57%, chegando a R$ 5,51. A Bovespa operou com 113.430, alta de 1,03%. Risco Brasil em 257 pontos. Dow Jones subiu 1,09% e Nasdaq teve alta de 1,67%.

Valor Econômico
Piora do risco fiscal leva juro real à maior taxa desde 2016

O Estado de S. Paulo
Eleição no Congresso testa força da base de apoio a Lula

Folha de S.Paulo
Lula se mobiliza por Pacheco para frear Senado bolsonarista

O Globo
CGU apura apagão de dados do Auxílio antes da eleição

Correio Braziliense
Planalto e bolsonaristas se unem para reeleger Lira

Leia também

Rolar para cima