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Turismo
No suplemento Eu&Fim de Semana, Valor Econômico detalha uma tendência emergente no mundo das viagens. Nos últimos dez anos, o setor tem promovido ativamente uma reorientação, passando do turismo de luxo convencional — no qual o valor de suas férias é definido pelas torneiras de ouro e banheiros de mármore — para as “viagens de experiências”, na qual o valor está em experiências memoráveis, sejam atividades ou interações culturais. Agora, algumas agências de alto padrão estão empenhadas em tornar as experiências ainda mais imersivas, às vezes adicionando camadas de desafios ou de jogos, às vezes até envolvendo atores em um processo de criação de histórias e encenação.
Em 2022, por exemplo, a Luxury Treasure Hunts começou a oferecer aventuras ao longo da costa da Sardenha, nas quais os hóspedes descobrem pistas, exploram cavernas e decifram letras de pergaminhos em busca de moedas de ouro perdidas. Criadas por Charlie Moretti, um ex-produtor de cinema, as histórias incluem atores, roteiristas, cenógrafos e criadores de objetos cenográficos para elaborar missões realistas de um a três dias para clientes viajando de iate.
Reportagem acrescenta que o setor de cruzeiros pode ter perdido bilhões e acumulado dívidas gigantescas durante a pandemia — e hoje ainda precisa lidar com a alta no preço dos combustíveis —, mas a demanda por suas viagens continua surpreendentemente forte. Agora, uma série de novos concorrentes faz fila para entrar no segmento de altíssimo padrão desse mercado. Só que, em vez de estarem vindo do mundo dos navios, os rivais agora entrando na água são as redes de hotéis.
A primeira a largar foi a Ritz-Carlton, do grupo Marriott, cujo iate Evrima, de 190 metros, teve em novembro a cerimônia de batismo, em Lisboa. Com 149 cabines (e 246 tripulantes), ele terá a companhia de mais dois navios, que criarão a “Ritz-Carlton Yacht Collection”, projetada para replicar no mar a experiência em terra do hotel e aproveitar sua base de clientes que podem não ter optado antes por fazer cruzeiros.
Muffato
Valor Econômico relata que o Grupo Muffato, uma das maiores redes regionais de varejo alimentar do país, fechou acordo para comprar 16 lojas do Makro e 11 postos de combustíveis. Fontes do setor estimam o valor da operação entre R$ 800 milhões e R$ 1,1 bilhão. A empresa não revelou os números.
A transação envolveu apenas a venda dos imóveis, e não do CNPJ das lojas. São 24 unidades do Makro no Brasil e a companhia holandesa vem buscando vender todas elas para deixar o mercado. Entre os pontos vendidos ao Muffato em São Paulo estão as lojas nos bairros do Butantã, Lapa e Interlagos, consideradas as melhores na lista de ativos.
Americanas
Em chamada de capa, Valor Econômico destaca que a Americanas busca alternativas de crédito para manter a operação até a aprovação do plano de recuperação judicial. Segundo fontes, os acionistas de referência – Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira – estariam sondando investidores e bancos não afetados pela crise para montar um fundo com os recebíveis da empresa. O banco ficaria com as contas a receber de cartões de crédito e anteciparia recursos à varejista.
Outra opção – bem recebida pelo mercado nos últimos anos -, envolve o “DIP Financing” (“devedor em posse”), apurou o Valor. Essa operação só ocorre nas recuperações judiciais e pode ser feita junto a fundos ou investidores, mas depende do apoio dos credores. Procurados, acionistas de referência e empresa não se manifestaram.
Em documentos apresentados à Justiça dos Estados Unidos, obtidos por O Estado de S. Paulo, a Americanas afirma que os bancos credores ajudaram a secar seu caixa após a descoberta de rombo de R$ 20 bilhões, o que teria provocado um “efeito catastrófico” na empresa.
A atuação dos credores, congelando recursos e antecipando dívidas, diz a varejista, a impediu de continuar operando no dia a dia e a forçou a entrar com pedido de recuperação judicial no Brasil e também a requisitar sua extensão para os EUA.
O Estado de S. Paulo complementa que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) aceitou ontem pedido do Bradesco e determinou, em caráter de urgência, a busca e apreensão de e-mails de executivos e funcionários da Americanas. A companhia pode recorrer.
O objetivo da ação é tentar identificar os responsáveis pelo rombo contábil e recuperar ao menos parte dos valores devidos pela varejista. O Bradesco é o maior credor da Americanas, com cerca de R$ 4,8 bilhões.
Valor Econômico situa que oito sindicatos nacionais ajuizaram, na Justiça do Trabalho de Brasília, ação civil pública contra Americanas S.A. e seus maiores acionistas Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.
A medida busca garantir direitos trabalhistas de 44 mil trabalhadores da companhia, em recuperação judicial. Na ação, as entidades pedem bloqueio de R$ 1,53 bilhão nas contas pessoais dos três sócios para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas.
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