Monitor – 12 de dezembro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
10 a 12/12/22 | nº 798 | ANO IV |  www.cnc.org.br
O Estado de S. Paulo afirma que, com a inadimplência batendo novos recordes e pressionando a carteira de crédito de grandes bancos, varejistas e fintechs, o volume de contas já vencidas que devem ser vendidas a casas especializadas – o chamado “crédito podre” – poderá terminar o ano em cerca de R$ 75 bilhões. É um recorde, segundo especialistas na área. Essas empresas, que compram um grande volume de “calotes” com descontos, buscam a recuperação do crédito por meio de negociações com o devedor, propondo novas condições e prazos de pagamento.

Uma das razões para o forte aumento da inadimplência no ano foi a rápida subida do juro básico no País, hoje no patamar de 13,75% ao ano. Reportagem ressalta que, no Brasil, 78,9% das famílias têm dividas vencidas, segundo dados da CNC. Fora isso, um aumento da competição no mercado de crédito fez muitas pessoas pegarem empréstimos em mais de uma instituição, mesmo estando “negativadas”.

Jornal Nacional (TV Globo, 10/12) informou que, após dois natais de vendas baixas, o comércio varejista está animado com esse fim de ano. Shoppings e lojas de rua ficaram cheios neste sábado (10), em São Paulo. “A expectativa que o volume de vendas do varejo desse ano de 2022 no Natal chegue a R$ 65 bilhões, um aumento de 1,2% em relação ao Natal passado”, aponta Fabio Bentes, economista da CNC.

Sistema S
Em O Globo (10/12), Ricardo Henriques avaliou a situação dos jovens que não estudam nem trabalham. Ele acredita que existem “possibilidade de construção de novos padrões de articulação de políticas públicas nos territórios”.

Para o colunista, há “oportunidade de maior integração entre escolas estaduais, institutos federais de educação, escolas técnicas estaduais e universidades, além do Sistema S – todos em diálogo com os setores econômicos locais”.

Inflação 
Principais jornais registraram no sábado, que o IPCA registrou alta de 0,41% em novembro, abaixo do verificado em outubro (0,59%). Segundo os dados do IBGE, no ano, a inflação acumulada chega a 5,13% e, nos últimos 12 meses, a 5,90%. Apesar da variação positiva, o indicador apresenta sinais de desaceleração no acumulado, abaixo dos 6,47% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Desonerações
Valor Econômico 
apura que, se não revertidas, desonerações estabelecidas durante 2022 podem tirar a maior parte do ganho de receita que o setor extrativo mineral deverá proporcionar ao governo nos próximos dez anos.

Desonerações de IPI, somadas às de PIS e Cofins sobre combustíveis e de ICMS em energia elétrica, combustíveis, telecom e transporte urbano somam 1,6 ponto percentual do PIB ao ano.

O montante é pouco mais que o ganho médio anual de 1,4 ponto percentual do PIB esperado na receita bruta federal vinda do setor extrativo mineral quando comparado o projetado para o período de 2023 a 2031 contra o obtido entre 2011 e 2020.

Auxílio Brasil
Folha de S.Paulo, O Globo e Valor Econômico 
relatam que, encerrado o segundo turno da eleição para a Presidência, o Auxílio Brasil voltou a registrar fila de espera, algo que não acontecia desde agosto, quando a campanha eleitoral ganhou força. Entraram na lista em novembro 128 mil famílias. Procurado, o Ministério da Cidadania não respondeu sobre o motivo do represamento nas concessões.

A fila de espera começou o ano de 2022 zerada. Sem orçamento suficiente no programa, porém, a fila foi crescendo mês após mês e, em julho, atingiu a marca de 1,569 milhão de famílias.

Impacto fiscal
O Estado de S. Paulo e Valor Econômico 
comunicam que o Supremo Tribunal Federal julga até sexta-feira (16) uma série de ações que podem causar impacto de até R$ 150 bilhões na arrecadação da União, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2023.

Processos envolvem empresas dos setores de agronegócio, varejo e financeiro. Uma das ações, com risco fiscal estimado em R$ 115,2 bilhões, é sobre a incidência ou não de PIS/Cofins sobre as receitas financeiras de bancos.

ICMS
Manchete em O Globo aborda corrida dos governos estaduais para recompor caixa, com queda na receita devido ao corte do ICMS aprovado pelo Congresso este ano. Ao menos cinco assembleias estaduais aprovaram aumento de impostos ou criação de tributos.

De acordo com a Instituição Fiscal Independente, a queda na arrecadação do ICMS no terceiro trimestre foi de 6,5%, principalmente devido ao corte no imposto estadual, agravado pelo freio na economia.

Mercosul
Folha de S.Paulo 
(11/12) expôs que o presidente argentino Alberto Fernández pediu a renegociação do acordo histórico entre União Europeia e Mercosul, alegando ser desequilibrado e que representa uma ameaça para a indústria automobilística no Brasil e na Argentina.

A reportagem lembra que o trato foi fechado no começo de 2019, depois de quase duas décadas de negociação. A implementação foi adiada em meio a objeções europeias ao mau desempenho do Brasil na preservação da floresta amazônica no governo Bolsonaro.

Para Fernández, o meio ambiente “não é a razão para não termos o acordo, e sim uma desculpa”. Segundo ele, o acordo “torna as coisas difíceis” para Brasil e Argentina, únicos produtores de automóveis do continente.

Varejo da fábrica
O Globo 
(11/12) mostrou avanço do modelo de venda da fábrica diretamente para o consumidor em plataformas brasileiras, após sucesso de gigantes asiáticas do comércio eletrônico como Alibaba, Pinduoduo e Shein.

A reportagem cita ganhos em escala, visibilidade, produtividade e rentabilidade nas fábricas. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, “com inteligência artificial e análise de dados, melhora preços com que vai ao mercado, evita sobras e remarcação”.

Varejo
Reportagem de O Globo (11/12) afirmou que oferecer descontos para produtos próximos da data de vencimento deixou de ser uma eventualidade para virar estratégia de negócio de diferentes segmentos. Vistas mais frequentemente nos supermercados, essas promoções vêm se multiplicando por farmácias, redes de beleza e grandes varejistas. Para o consumidor é a oportunidade de economizar até 70%. Já para a empresa, além de reduzir perdas com produtos que seriam obrigatoriamente descartados após o vencimento, ainda conta como uma iniciativa ESG, diz o professor de Finanças do Ibmec-RJ Haroldo Monteiro.

Ministérios
No sábado (10), as manchetes dos principais jornais destacaram as escolhas do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, para alguns dos ministérios do seu governo.

Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo detalharam que Fernando Haddad, anunciado como futuro ministro da Fazenda por Lula, vê como principal tarefa a formulação de um novo arcabouço fiscal, compromisso da PEC da Transição. As reformas fiscal e tributária, além da retomada de acordos internacionais com a União Europeia foram prioridades anunciadas. No entanto, Haddad terá de superar a desconfiança do mercado em relação à sua indicação.

Além de Haddad, Lula também anunciou José Múcio Monteiro (Defesa), Rui Costa (Casa Civil), Flávio Dino (Justiça) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

Repercussão
Folha de S.Paulo e O Globo 
(10/12) relataram que, na avaliação de Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do Bradesco, a nomeação de Fernando Haddad para o ministério da Fazenda indica a intenção do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de conciliar a responsabilidade fiscal com a responsabilidade social.

Em nota, Trabuco afirmou que a nomeação do ex-prefeito mostra “intenção de mediar os naturais conflitos existentes na condução econômica de um país complexo como o Brasil pela via do pragmatismo”.

A Febraban também divulgou nota e disse que Haddad é um político experiente e afeito ao diálogo que “já assumiu compromisso com o crescimento, agenda social e responsabilidade fiscal, como demonstrou em discurso durante o almoço anual de dirigentes de bancos”.

Em O Globo (10/12), Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central (BC), avaliou que o anúncio da equipe econômica do governo eleito e as primeiras falas de Haddad podem preencher o ‘vazio’ entre aprovação da ‘PEC da Transição’ e apresentação de nova âncora fiscal.

“O mercado tem que tomar um calmante e aceitar que é um governo de esquerda”, avalia o ex-diretor do BC sobre nomeação de Haddad.

“Agora a atenção dos investidores deve se voltar para a indicação dos outros nomes da equipe e as primeiras falas de Haddad sobre o que de fato pensa a respeito da condução da política econômica”, disse.

O dólar comercial fechou sexta-feira em alta de 0,57%, cotado a R$ 5,24. Euro subiu 0,41%, chegando a R$ 5,53. A Bovespa operou com 107.519, alta de 0,25%. Risco Brasil em 251 pontos. Dow Jones caiu 0,90% e Nasdaq teve queda de 0,70%.

Valor Econômico
Mercado projeta até R$ 100 bi com ofertas de ações em 2023

O Estado de S. Paulo
Estados manobram e enviam R$ 1 bi extra para TJs e MPs

Folha de S.Paulo
Fila para o Auxílio Brasil ressurge depois da eleição

O Globo
Estados elevam impostos para compensar perda de receita

Correio Braziliense
Diplomação de Lula é desafio para as forças de segurança

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