| Valor Econômico e Correio Braziliense registram que, apesar da inadimplência em alta, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 1,3% neste mês, marcando 89 pontos, segundo a CNC. Foi o 10º crescimento consecutivo e o maior patamar desde abril de 2020, no início da pandemia de covid-19. Apesar da evolução, o indicador permanece abaixo dos 100 pontos, na chamada zona de insatisfação.
Um dos fatores que explica o aumento do ânimo dos consumidores, segundo a CNC, é Copa do Mundo da Fifa, um evento que tradicionalmente agita o comércio. Neste ano, o movimento nas lojas do país promete ser mais intenso do que no último torneio, em 2018. O levantamento da CNC aponta que 36% dos brasileiros pretendem ir às lojas para adquirir produtos relacionados à Copa – um crescimento de 12 pontos percentuais na comparação com o período do último mundial, realizado na Rússia.
No total, a CNC projeta que o varejo deve movimentar R$ 1,4 bilhão e os bares e restaurantes devem ter um faturamento de R$ 864 milhões durante o período do Mundial. Segundo a economista Izis Ferreira, responsável pela pesquisa, a maior parte do valor deve vir dos eletrodomésticos, alavancados pelos televisores e smart TVs, com 34% do total de vendas.
“As estimativas da CNC mostraram que o segmento de móveis e eletrodomésticos, em que se indiquem os televisores, deverá responder pela maior parte do faturamento do comércio em razão do evento”, comentou Ferreira. “Mas os juros altos e o alto nível de endividamento com inadimplência crescente tendem a limitar o consumo desses itens mais dependentes do crédito e do parcelamento”, completou.
O Correio acrescenta que, mesmo sendo importante, a Copa do Mundo não é o único fator que deve alavancar resultados positivos para o comércio varejista no fim deste ano. As festas de Natal e Ano Novo, além da Black Friday no fim deste mês, são outros fatores favoráveis. Para o presidente da confederação, José Roberto Tadros, outros fatores econômicos, como uma inflação mais moderada, ajudam a explicar o resultado positivo do ICF. “Temos percebido a contribuição de moduladores importantes, como a contínua geração de vagas de trabalho formal e as maiores transferências de renda na reta final do ano. Esse é um feliz encontro de melhoria econômica e sazonalidades vitais para os setores produtivos, em especial para o comércio, os serviços e o turismo”, avaliou Tadros.
No Valor, Izis Ferreira ressalta que o cenário é bom para a demanda no varejo, até fim do ano – mas o mesmo não se pode dizer de 2023. Na prática, um contexto macroeconômico desfavorável ao consumo, com possibilidade de juros e inflação altos, bem como endividamento e inadimplência elevados, pode atuar como freio para demanda interna no próximo ano.
Para Izis, no caso de 2022, o cenário macroeconômico, com inflação mais moderada nos últimos meses; bem como contínua geração de vagas de trabalho formal; e maior ritmo de transferência de renda na reta do fim do ano também ajudam a explicar novo aumento da intenção de consumir das famílias.
Artigo de Arnaldo Niskier sobre indústria criativa, na Folha de S.Paulo, cita palestra do economista Rubens Cysne, da Fundação Getulio Vargas, no Conselho de Notáveis da CNC. |