Monitor – 11 de novembro de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
11/11/22 | nº 778 | ANO IV |  www.cnc.org.br
Editorial de O Estado de S. Paulo afirma que a trégua acabou e a inflação real voltou a aparecer em outubro, depois de três meses de recuo dos indicadores. Puxado principalmente pelos preços de alimentos e bebidas, o custo de vida subiu 0,59% no mês passado, acumulando alta de 4,70% no ano e de 6,47% em 12 meses. Disfarçada por algum tempo, a evolução dos preços no varejo continua apertando a maior parte dos brasileiros – famílias já empobrecidas, endividadas e assombradas pelo risco da inadimplência, do nome sujo e da perda de crédito. A redução de impostos sobre combustíveis, uma jogada essencialmente política, escondeu por algum tempo a gravidade do quadro inflacionário.Mas os números de novo retratam os fatos claramente, como comprova o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que apresentou alta de 0,59%.

Jornal ressalta que a onda inflacionária bastaria para prejudicar milhões, mas outros problemas graves têm pressionado os brasileiros. No mês passado, 79,2% das famílias estavam endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Um ano antes esse grupo equivalia a 74,6%. O endividamento pode sinalizar expansão do consumo e da economia, mas hoje é preocupante. Em 12 meses, a parcela de famílias com dívidas em atraso passou de 25,6% para 30,3%, numa situação agravada por juros altos. Texto salienta que o aumento de juros tem sido usado pelo Banco Central (BC) como ferramenta anti-inflacionária.

Mercado
Manchetes na Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Valor Econômico destacam reação do mercado a discurso, ontem, do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que falou sobre o teto de gastos.

O dólar comercial à vista disparou 4,08% e fechou cotado a R$ 5,3960, na venda. Foi a maior elevação percentual diária desde o salto de 4,86% registrado em 16 de março de 2020, no início da pandemia. Já a Bolsa de Valores de São Paulo caiu 3,35%, registrando a sua queda diária mais forte desde setembro de 2021.

Geraldo Alckmin (PSB), Simone Tebet (MDB) e Edinho Silva (PT) tentaram acalmar o setor, que piorou de humor em razão da “falta de clareza” nas sinalizações econômicas da equipe de transição. Lula ironizou a reação negativa do mercado financeiro. Ele afirmou nunca ter visto mercado “tão sensível” como o brasileiro.

IPCA 
Imprensa registra que após três meses consecutivos de deflação, o IPCA voltou a subir em outubro e teve alta de 0,59% no mês passado. A taxa ficou acima das projeções de analistas. O novo resultado veio após quedas de 0,29% em setembro, de 0,36% em agosto e de 0,68% em julho.

Dos 9 grupos de produtos e serviços do IPCA, 8 tiveram avanço em outubro. Os segmentos de alimentação e bebidas e de transportes, que haviam recuado 0,51% e 1,98% em setembro, voltaram a subir no mês passado. Isso ajudou a pressionar o IPCA. Em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 6,47% até outubro, a menor desde março de 2021 (6,10%). O acumulado estava em 7,17% até setembro deste ano.

Difal do ICMS
Valor Econômico
 registra que as empresas conseguiram virar o placar da disputa que travam contra estados sobre a cobrança do diferencial de alíquotas do ICMS (Difal), em julgamento no Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal.

Se conseguirem ultrapassar os dois votos necessários para vencer, irão escapar de uma dívida de bilhões de reais. A conclusão do caso está prevista para hoje. Estados estimam perda de R$ 9,8 bilhões.

Os ministros decidirão se as unidades federativas poderiam cobrar o imposto já neste ano de 2022 ou se a cobrança só será permitida a partir de 2023.

Digitalização
Painel S.A. (Folha de S.Paulo)
 conta que levantamento da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostra que, de modo geral, os investimentos em digitalização cresceram em setembro, mantendo mais um trimestre de alta. Nesse período, o indicador avançou 4,3 pontos, chegando a 125,4 pontos. Valores acima de 100 mostram a alta dos investimentos.

Nota ressalta que o 5G é uma tecnologia voltada para a digitalização das indústrias, mas é o comércio que mais avança nesse processo.
No comércio, o índice saltou de 119 pontos, no segundo trimestre, para 128 pontos. Em seguida estão indústria, com 126 pontos, e construção, que caiu de 112 para 110 pontos.

PEC da Transição
Valor Econômico 
noticia que o futuro relator da PEC da Transição, senador Marcelo Castro (MDB-PI), confirmou que o governo eleito quer excluir do teto de gastos, de forma permanente, o Bolsa Família e 2% da receita extraordinária. A proposta prevê aumento dos gastos em R$ 175 bilhões e deve elevar a despesa primária para um nível recorde como proporção do PIB, aumentar o endividamento e a carga tributária, apontam economistas. O Estado de S. Paulo repercute.

Transição
O Estado de S. Paulo 
informa que o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) anunciou ontem a volta de três ex-ministros de governos petistas para a equipe de transição do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Guido Mantega ficará no grupo de Planejamento, Orçamento e Gestão; Paulo Bernardo, em Comunicações e Maria do Rosário, em Direitos Humanos.

O dólar comercial fechou ontem em alta de 4,14%, cotado a R$ 5,39. Euro subiu 5,98%, chegando a R$ 5,49. A Bovespa operou com 109.775 pontos, queda de 3,35%. Risco Brasil em 421 pontos. Dow Jones subiu 3,70% e Nasdaq teve alta de 7,35%.

Valor Econômico
Dólar dispara e bolsa derrete após fala de Lula sobre gastos

O Estado de S. Paulo
Bolsa cai e dólar dispara após Lula fazer críticas à ‘tal da estabilidade fiscal’

Folha de S.Paulo
Discurso de Lula sobre teto de gasto derruba mercados

O Globo
Lula critica a ‘tal estabilidade fiscal’; Bolsa cai, e dólar dispara

Correio Braziliense
Lula exalta social e critica teto de gastos e reação do mercado

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