Monitor – 27 a 29 de agosto de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
27 a 29/08/22 | nº 727 | ANO IV |  www.cnc.org.br
Folha de S.Paulo afirma que atividades da área de turismo enfrentam um gargalo em meio ao processo de retomada dos negócios no país. Trata-se da escassez de mão de obra especializada. O quadro desafia o preenchimento de parte das vagas de trabalho disponíveis em empresas como agências de viagens e hotéis.

Segundo analistas e empresários, a situação pode ser associada aos efeitos da pandemia. Com a chegada da crise sanitária, em 2020, a demanda por atividades turísticas despencou, e trabalhadores amargaram demissões em massa.

A partir da vacinação contra a Covid-19, o cenário foi invertido. A procura por viagens reagiu nos últimos meses e estimulou recontratações. A questão é que, ao longo da crise, parte dos profissionais já treinados teve de migrar para outras atividades em busca de renda.

“O cenário ficou mais positivo em 2022 com o recuo da crise sanitária e o avanço da vacinação”, avalia o economista Fabio Bentes, da CNC. No caso das agências de viagens, as admissões cresceram 131% entre os trabalhadores com ensino superior completo no primeiro semestre deste ano, frente a igual período de 2021, indica levantamento produzido por Bentes, a partir do Caged. O avanço foi de 104% na média de todos os níveis de escolaridade.

Em termos nominais (sem o desconto da inflação), os salários de admissão dos trabalhadores com nível superior completo tiveram variação positiva de 6,1% na mesma base de comparação, enquanto a média geral foi de 0,82%, aponta o economista.

Mesmo sem levar em conta as perdas inflacionárias, a alta nominal, aliada ao aumento da ocupação, pode indicar escassez de mão de obra mais qualificada, conforme Bentes. Pela mesma lógica, em períodos de fartura de trabalhadores, uma das possíveis consequências seria o salário menor de admissão.

Ainda na Folha de S.Paulo, reportagem conta história de faxineira que deixou de gastar com supérfluo e compra casa de R$ 350 mil. Ao abordar educação financeira, o jornal destaca que endividamento da população é crescente e atingiu o recorde em junho, com 78% das famílias endividadas, segundo pesquisa da CNC.

Folha de S.Paulo (27/08) também relatou que o candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem projeto que prevê a negociação de dívidas das mulheres. O jornal citou a pesquisa divulgada neste mês pela CNC, que mostra que o endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras voltaram a subir e bateram recorde em julho. Segundo o levantamento, 78% das famílias brasileiras estão endividadas, e 29% estão com contas atrasadas. Os números são os maiores desde o início da pesquisa, em 2010. Números revelam que as mulheres, além de ter o maior nível de endividamento, também têm visto esse patamar aumentar nos últimos meses. Segundo a CNC, 80,6% do público feminino relatou, em julho, ter dívidas entre cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal ou consignado, carnês, financiamento de carro ou imóvel, ou outros débitos. Em junho, esse porcentual era de 80,1%.

Em O Estado de S.Paulo (27/08), reportagem sobre animação que ensina crianças a lidar com dinheiro citou pesquisa da CNC que indica que, em 2022, três em cada dez famílias brasileiras têm dívidas em aberto. Isso representa 28,7% de todos os lares do País.

Pronampe
Valor Econômico
 informa que a nova fase do Pronampe, que fez  um mês, soma empréstimo de mais  de R$ 20 bilhões e mais de 227 mil operações firmadas. O BB lidera a nova fase, com R$ 7,9 bilhões contratados em 78,2 mil operações. Em segundo está a Caixa, com R$ 6,2 bilhões em 65 mil contratos.  O Bancoob está em terceiro, com empréstimos de R$ 2,2 bilhões em 29,6 mil operações. Grandes bancos privados, como o Bradesco e o Santander, já emprestaram R$ 1,5 bilhão e R$ 305 milhões, respectivamente.

As 227,3 mil operações realizadas até o momento por todos os bancos que participam desta fase têm um tíquete médio de R$ 90,4 mil por contrato firmado — o limite é de R$ 150 mil por empresa. No total, o governo estabeleceu um teto de R$ 50 bilhões para empréstimos nesta fase.

Economia
Folha de S.Paulo 
(28/08) relatou que banqueiros e empresários estão preocupados com a falta de propostas concretas para a economia dos candidatos à Presidência. “Dirigentes e economistas de grandes instituições financeiras, líderes da indústria, do comércio e do setor de serviços dizem que ‘vêm tentando arrancar’ dos dois candidatos que lideram as pesquisas medidas para reaquecer o PIB”.

A Folha afirmou ter ouvido seis banqueiros, dois grandes empresários da indústria, outros dois do varejo e um do setor de serviços.

PIB
Manchete do Valor Econômico destaca que o bom desempenho da economia no primeiro semestre deve carregar sozinho o resultado do PIB para 2022. A reportagem alerta que o dinamismo não deve se repetir na segunda metade do ano.

Conforme Valor, a mediana de 75 estimativas  aponta para expansão do PIB de 0,9% no segundo trimestre contra o trimestre anterior.

O texto inclui que o quadro de maior renda favorece o consumo de bens industriais, setor beneficiado pela melhora dos gargalos logísticos globais causados pelo descompasso entre oferta e demanda.

O veículo lembra, ainda, que a indústria, particularmente, teve desempenho melhor no primeiro semestre deste ano. Para 2023, as estimativas têm se deteriorado.

Privatização
No domingo, Folha de S.Paulo destacou em manchete o especial sobre os 30 anos de privatização. A série em 6 capítulos detalha como privatizações aumentaram os investimentos e o acesso a serviços. A reportagem pontuou que as privatizações e concessões se deram em todos os governos, desde o lançamento do PND (Programa Nacional de Desestatização), no início dos anos 1990.

Previdência
Folha de S.Paulo 
pontua que a reforma da Previdência vai completar três anos de vigência e, segundo estimativa inédita, a economia de recursos proporcionada entre 2020 e 2022 deve chegar a R$ 156,1 bilhões. Conforme Folha, o valor é 78,8% superior ao esperado para o mesmo período, quando o texto foi aprovado pelo Congresso.

O diário paulista detalha que o cálculo é do consultor legislativo Leonardo Rolim, especialista no tema e que atuou diretamente na elaboração e implementação da proposta como secretário de Previdência e presidente do INSS no governo Jair Bolsonaro.

Gasolina
Folha de S.Paulo 
(27/08) expôs que, segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, o preço médio da gasolina caiu 2,7% nos postos nesta semana, chegando a R$ 5,25 por litro. Esse é o menor valor desde janeiro do ano passado, considerando a correção pela inflação. O preço do óleo diesel caiu 1,7%, para R$ 6,93 por litro.

Petrobras
A coluna Lauro Jardim (O Globo, 28/08) informou que, em conversas privadas, Paulo Guedes tem dito que uma das missões de curto prazo de Caio Paes de Andrade na Petrobras é de continuar privatizando ativos da companhia. E aguarda a venda de refinarias e da Transpetro ainda em 2022.

Consumo
O Estado de S. Paulo
 conta que, desde o começo do ano passado, 6,7 mil lojas que comercializam itens usados foram abertas no país, segundo aponta um levantamento do Sebrae, que considera o pequeno varejo de diversos produtos de segunda mão – dos brechós aos sebos, além de antiquários. O número de novas lojas neste modelo este ano já é quase igual às aberturas dos dois anos completos anteriores (2019 e 2020): 7,1 mil unidades, uma diferença de apenas 6%.

Um dos motivos que tem impulsionado a expansão de lojas de itens de segunda mão é o aumento dos preços no País, o que reduziu o poder de compra dos brasileiros. Com o orçamento das famílias apertado por dois anos de inflação elevada, o comércio destes produtos segue aquecido no Brasil.

Varejo
O Globo 
(27/08) relata que, mesmo com a concentração de datas favoráveis ao varejo no segundo semestre, grandes redes de lojas, fabricantes e associações que representam a indústria de eletroeletrônicos mostram “otimismo moderado” com o desempenho até o fim do ano. A inflação ainda em patamar elevado, os juros de 13,75% ao ano e o orçamento comprometido com as despesas do dia a dia podem frear a disposição do brasileiro para o consumo. O país ainda tem 67,6 milhões de inadimplentes, segundo os dados mais recentes do Serasa.

Por outro lado, o Auxílio Brasil, de RS 600, que começou a ser pago em agosto vai injetar R$ 41,2 bilhões na economia. Para analistas, isso pode fazer com que as vendas cresçam acima do primeiro semestre. Entre janeiro e junho, as vendas do comércio varejista brasileiro fecharam com alta de 1,4% em relação a igual período do ano anterior.

Eleição
Principais jornais trazem nesta segunda-feira (29) análise dos principais pontos do debate promovido por Folha de S.Paulo, UOL e as TVs Bandeirantes e Cultura com os candidatos à presidência.

Alvo favorito dos participantes, o presidente Jair Bolsonaro foi questionado pela jornalista Vera Magalhães em relação à vacinação, e disse que ela “deve dormir pensando em mim, ou tem uma paixão secreta”. Acusado de misoginia, Bolsonaro também se dirigiu de forma agressiva a Simone Tebet, acusando-a de se vitimizar e fazer “mimimi”.

Já seu maior rival e atual líder nas pesquisas, Luís Inácio Lula da Silva, foi chamado de “presidiário” e questionado por casos de corrupção em governos anteriores. Lula lembrou ter sido absolvido em todos os processos, e defendeu sua administração dizendo ter deixado um “país do qual o povo tem saudade”.

Partidos
Valor Econômico 
relata que PSDB e Cidadania se preparam para tornar a parceria uma união de fato após as eleições de outubro. As articulações para que as siglas de tornem um único partido já estão em andamento, inclusive com um desenho da ocupação de espaços pelos caciques de lado a lado. O novo partido teria no governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), o condutor de um projeto nacional.

O dólar comercial fechou sexta-feira em queda de 0,67%, cotado a R$ 5,07. Euro caiu 0,78%, chegando a R$ 5,06. A Bovespa operou com 112.298 pontos, queda de 1,09%. Risco Brasil em 296 pontos. Dow Jones caiu 3,03% e Nasdaq teve queda de 3,94%.

Valor Econômico
PIB avança no 2º tri, mas deve desacelerar

O Estado de S. Paulo
Bolsonaro vira alvo por ataques a mulheres; Lula, por corrupção

Folha de S.Paulo
Bolsonaro insulta mulher em debate; Lula foge de corrupção

O Globo
Bolsonaro ataca mulheres, e Lula foge do tema corrupção

Correio Braziliense
Mulheres se impõem em debate radical e misógino

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