Monitor – 04 de julho de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
02 a 04/07/22 | nº 688 | ANO IV |  www.cnc.org.br
Folha de S.Paulo (03/07) informou que, após pressionar produtos como alimentos e combustíveis, a inflação alcançou roupas, calçados e acessórios no Brasil. Em 12 meses até maio, período mais recente com dados disponíveis, os preços de vestuário acumularam alta de 16,08%, conforme o IPCA, calculado pelo IBGE. O economista Fabio Bentes, da CNC, lembra que a pandemia provocou um desajuste nas cadeias produtivas que fornecem matérias-primas para a indústria. Com a escassez de parte das mercadorias, os custos de fabricação aumentaram, o que forçou os repasses para os preços finais das roupas.

Outro fator que passou a pressionar os preços finais de vestuário, diz Bentes, foi a retomada do consumo com a volta da circulação dos consumidores nas lojas. Em 12 meses até abril, período mais recente com dados disponíveis, o volume das vendas do varejo de tecidos, vestuário e calçados acumulou alta de 19,4% no Brasil. O setor, contudo, ainda não superou todas as perdas da pandemia.

“Tivemos pelo menos dois fatores de impacto sobre a inflação de vestuário. Houve retomada do consumo, com a recuperação de parte das margens de lucro que haviam sido sacrificadas pelas empresas no começo da crise, e escalada dos preços no atacado”, avalia Bentes.

Na visão de Bentes, a inflação de vestuário até deve perder força ao longo do segundo semestre, em um ambiente de juros mais altos. Contudo, essa desaceleração tende a ser lenta, diz o economista. “Não tem mais tanto espaço para avanço da inflação de vestuário. Ela deve murchar, mas o processo é lento.”

O Estado de S. Paulo relata que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou em uma nova fase da pré-campanha pelo Palácio do Planalto e passou a encontrar agentes econômicos em jantares. Ao mesmo tempo, em público, o petista mantém ataques ao mercado, às privatizações, à reforma trabalhista e ao teto de gastos
Texto afirma que, na próxima semana, Lula pretende se reunir com dirigentes da CNC, durante viagem a Brasília.

Correio Braziliense publica artigo em que o membro da Academia Brasileira de Letras Arnaldo Niskier homenageia Ernane Galvêas. “‘O país perdeu uma referência não apenas na área econômica, mas um humanista de primeira grandeza, de uma estatura intelectual admirável’ disse o presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, José Roberto Tadros, a propósito do falecimento do ex-ministro Ernane Galvêas”, destacou o texto. Niskier também ressaltou que Galvêas prestou uma impecável assessoria à CNC, com os seus preciosos e oportunos relatórios.

Gestão do caixa
Manchete no Valor Econômico situa que a escalada dos juros e a retomada ainda gradual do consumo têm despertado maior atenção do mercado com a gestão do caixa pelas companhias.

A questão tem sido foco das conversas entre analistas e diretorias das empresas semanas antes da divulgação de resultados do segundo trimestre, paralelamente à discussão sobre o peso da inflação nos custos.

Levantamento do veículo a partir do balanço de 15 indústrias e varejistas líderes de cinco segmentos mostra que, de janeiro a março, o consumo de caixa atingiu R$ 5,66 bilhões, quase o dobro (alta de 93,9%) do verificado no mesmo período de 2019.

Inadimplência
Painel S.A. (Folha de S.Paulo)
 conta que mais da metade dos pequenos e médios empresários afirmam que a redução da inadimplência é um desafio para o bom desenvolvimento dos negócios, segundo estudo da Boa Vista. Apesar dos obstáculos, 65% dos empreendedores dizem estar confiantes ou muito confiantes com a retomada econômica.

Cerca de 40% deles também esperam expandir a atuação no mercado com vendas por ecommerce e redes sociais. O sentimento de otimismo representa uma melhora de 11 pontos percentuais em relação ao período da Páscoa, segundo a Boa Vista.

Informais
Folha de S.Paulo
 (03/07) mostrou que cálculos feitos a partir de dados da Pnad Contínua apontam que o Brasil ganhou 1,42 milhão de trabalhadores informais entre o começo da pandemia e o primeiro trimestre deste ano. De janeiro a março, o total de informais bateu em 38,203 milhões — o maior número em um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2015.

Formação profissional
O Estado de S. Paulo 
(03/07) contou que grandes empresas têm apostado em faculdade ou escolas técnicas próprias para seus profissionais de acordo com suas necessidades.

A iniciativa, chamada employer U ou employer university (na tradução livre, universidade conectada ao empregador), é bem-sucedida em outros países, como Estados Unidos, Alemanha e Áustria.

“O objetivo é criar programas de formação que integrem o aprendizado ao trabalho, na tentativa de ampliar a qualificação profissional e atrair talentos”, pontua o jornal.

Inflação
Valor Econômico 
traz que a nova preocupação do Banco Central é a elevação da inflação de serviços, a mais difícil de baixar. O Copom examina se a aceleração é fruto da queda do desemprego e aumento de salários. Além disso, o quadro pode se agravar com as medidas populistas do governo, que põem o pé no acelerador no curto prazo.

Dólar
Sábado, o noticiário comunicou que o dólar fechou em alta de 1,65% na sexta-feira, cotado a R$ 5,32, diante da preocupação de investidores com o aumento de gastos do governo a três meses das eleições.

Esse é o maior valor da moeda americana desde 4 de fevereiro. A atenção está voltada para a PEC aprovada no Senado, que amplia benefícios e cria novas despesas, como bolsa-caminhoneiro.

Balança comercial
Folha de S.Paulo 
(02/07) relatou que a balança comercial teve superávit de US$ 8,814 bilhões em junho. O número ficou abaixo da expectativa de US$ 9,994 bilhões, de acordo com pesquisa Reuters. No entanto, a abordagem aponta que o resultado foi o segundo melhor para o mês da série histórica iniciada em 1989.

ICMS
Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo 
(02/07) informaram que mais estados anunciaram cortes de alíquotas de ICMS que atingem combustíveis. Ao menos dez unidades da Federação adotaram a medida.

Os anúncios ocorrem após Jair Bolsonaro sancionar a lei que limita a cobrança de ICMS de combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo.

Argentina
O Globo e O Estado de S. Paulo 
(03/07) informaram que o ministro da Economia da Argentina, Martin Guzmán, renunciou ontem ao cargo. Jornais pontuaram que ação é uma clara derrota do presidente argentino, Alberto Fernández, “na disputa cada vez mais pública e feroz com sua vice, Cristina Kirchner”.

Varejo 1
Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 03/07)
 publicou entrevista com Roberto Fulcherberguer, presidente da Via, dona das redes Casas Bahia e Ponto. Por causa da Copa do Mundo, Black Friday e Natal, ele prevê um quarto trimestre de vendas aceleradas, mas a Copa, que tradicionalmente impulsiona a demanda por televisores, vai encavalar.

“Neste ano acontece algo que, ora a gente comemora, ora a gente chora, porque se concentraram três sazonalidades. Para nós, o ideal seria a Copa no meio do ano, porque deixaria um pouco mais separados esses eventos”, afirma.

Diante da pressão inflacionária, Fulcherberguer diz que a empresa vem tentando evitar o repasse ao consumidor.

O combustível pesa no frete, mas a Via tem usado as lojas para fazer a partida da entrega, em vez do depósito, na tentativa de baratear o processo. Medidas como o corte do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), embora ajudem no controle do repasse, têm impacto reduzido e de difícil mensuração no cenário atual.

Marketplace
Valor Econômico 
informa que a Via (dona de Casas Bahia e Ponto) está alterando o fluxo de pagamentos aos lojistas de seu “marketplace”, a plataforma de venda de produtos de terceiros, que pode levar a um uso menor de caixa para essas operações. A partir de 8 de julho, a empresa vai parar de antecipar recursos a parte desses lojistas, que passarão a receber dentro do fluxo normal de prazos definidos na venda ao cliente.

Ao mesmo tempo, a Via está repassando mais rapidamente o pagamento aos lojistas que usam seu “fulfillment” (serviços logísticos). O volume que deixa de ser antecipado no curto prazo pode ser mais relevante do que aquele a ser liberado às lojas do “fulfillment”, que está em sua fase inicial na Via.
No caso do fluxo de pagamentos, na maioria dos marketplaces hoje o lojista pode escolher receber em período anterior aos prazos das compras parceladas ou dentro do fluxo normal. E para isso há cobrança de taxas sobre a operação. Após o dia 8, se a compra for feita em 10 vezes, o repasse dos recursos também será em 10 vezes.

A medida da Via envolve lojistas maiores, apurou o Valor, que normalmente têm acesso a linhas mais competitivas no mercado. A Via suspende a antecipação após ter elevado taxas de comissão no “marketplace” no fim de 2021.

Educação
Manchete em O Globo avança sobre impacto do teto do ICMS sobre a educação pública de estados e municípios, que podem perder R$ 21 bilhões com a medida, segundo estimativas da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação.

Já existem dois pedidos no Supremo Tribunal Federal para declarar inconstitucional a lei que implementou o limite para combustíveis, energia e comunicações.

PEC dos Auxílios
No sábado, as manchetes dos principais jornais repercutiram a PEC aprovada pelo Senado para turbinar benefícios sociais em ano eleitoral. A Folha de S.Paulo destacou que o dólar subiu 1,72% depois da aprovação da PEC, cotado a R$ 5,32, o maior valor registrado desde fevereiro. Para analistas, a proposta pode piorar o cenário fiscal do país. A proposta, que segue para votação na Câmara dos Deputados, inclui o aumento temporário do Auxílio Brasil e do vale-gás, além de ajuda a caminhoneiros e taxistas.

O Globo expôs que o presidente Jair Bolsonaro está intensificando o uso de recursos públicos para impulsionar sua campanha pela reeleição com a PEC dos Auxílios.

“QG”
O Estado de S. Paulo
 (02/07) trouxe que Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, montou um espaço destinado a atender pedidos de emendas do orçamento secreto. O “QG” começou a funcionar há três meses, mas o movimento se intensificou nos últimos dias para a liberação de verbas antes do prazo final da lei eleitoral

Tramitação
O Estado de S. Paulo 
informa que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), assinou despacho para apensar a PEC das Bondades à PEC dos Biocombustíveis, que já tramitava na Casa.

O aval foi formalizado em documento interno, dado por Lira na última sexta-feira (1º). Com isso, a tramitação do pacote de medidas sociais será mais rápida.

Correio Braziliense acrescenta que a semana no Congresso será decisiva para PEC das Bondades e para a CPI do Ministério da Educação, a 12 dias do recesso parlamentar. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem reunião hoje com a consultoria jurídica da Casa e o relator da proposta, deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), para embasar o discurso do estado de emergência.

CPI do MEC
Folha de S.Paulo
 revela que o Palácio do Planalto tenta adiar a instalação da CPI do MEC para depois das eleições. Ao mesmo tempo, entrou na disputa com a oposição por uma aliança com o PSD, segunda maior bancada e que pode ser determinante para os rumos da investigação. O presidente da Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), prometeu uma decisão no início desta semana, após reunião com os líderes da Casa. O encontro deverá expor um racha entre os partidos.

7 de setembro
Valor Econômico
 avança que os tribunais de Brasília preparam-se para um 7 de setembro mais tenso do que aquele do ano passado, data da conclamação mais golpista do presidente Jair Bolsonaro desde sua posse. A escalada da tensão deve-se à proximidade das eleições e à estratégia bolsonarista de compensar, com tumulto, os votos que vierem a lhe faltar para ser reconduzido ao cargo.

Meio Ambiente
Folha de S.Paulo
 ressalta, em manchete, que, depois de um ano no comando do Meio Ambiente, o ministro Joaquim Leite exibe números piores que os de seu antecessor, Ricardo Salles, de perfil mais polêmico e alvo de investigações que correm na Justiça. A quantidade de incêndios na Amazônia e no cerrado, por exemplo, está 20% maior neste ano em relação ao mesmo período de 2021, segundo informações do Inpe.

O dólar comercial fechou na sexta-feira em alta de 1,65%, cotado a R$ 5,32 Euro subiu 1,16%, chegando a R$ 5,54. A Bovespa operou com 98.953 pontos, alta de 0,42%. Risco Brasil em 362 pontos. Dow Jones subiu 1,05% e Nasdaq teve alta de 0,90%.

Valor Econômico
Caixa de empresas vira ponto de atenção após alta dos juros

O Estado de S. Paulo
Falta de fertilizantes faz triplicar busca por extração de potássio

Folha de S.Paulo

Ambiente tem dados piores após mudança no ministério

O Globo
Redução do ICMS ameaça reforço escolar pós-pandemia

Correio Braziliense
Câmara apressa votação da PEC que amplia gastos

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