Destaques da edição:
As frustrações dos pessimistas – A recente alta dos preços das commodities e o esforço do governo para segurar as despesas são sucessos atuais das políticas econômicas. Em um dos recentes artigos publicados neste espaço, também argumentamos que o dólar em baixa está melhorando as expectativas para o desempenho econômico este ano. A inflação ainda elevada é o calcanhar de aquiles do governo. Mas isso está acontecendo em praticamente todos os outros países do mundo, alguns sofrendo com choques de oferta sobre os preços em maior, outros, em menor grau. Para contrabalançar a inflação ainda em trajetória ascendente, a evolução do mercado de trabalho está mostrando perspectivas favoráveis para o emprego no País.
Mercado espera novos aumentos nas taxas de juros – Após ter o último relatório Focus divulgado, referente ao dia 25/03, o Banco Central retomou a publicação com a edição do dia 22/04 e ainda disponibilizou os documentos retroativos. Essa interrupção ocorreu devido à greve dos funcionários da instituição. Essa paralisação foi suspensa a partir do dia 26/04 pelo período de duas semanas, com isso, as atividades da autarquia devem ser retomadas, mas em ritmo mais lento. No relatório Focus divulgado pelo Banco Central após quase um mês de mobilização (22/04), a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano aumentou para 7,65%, com avanço nessa estimativa há 15 semanas. No curto prazo, as projeções dos analistas para o IPCA são de 0,90% para abril e 0,20% para maio. Mantendo a tendência das três semanas anteriores, a mediana das projeções dos analistas para o IPCA de 2023 evoluiu para 4,00%, já dentro do intervalo de tolerância da meta inflacionária para o ano (3,25%). A estimativa para a evolução do PIB de 2022 é de uma evolução de 0,65% na economia, uma desaceleração em relação ao último resultado, no entanto, se confirmada, pode ser encarada como positiva, considerando todas as incertezas internas e externas deste ano.
Desaceleração dos preços no atacado tende a melhorar cenário do varejo em 2022 – O volume de vendas do comércio varejista brasileiro avançou 1,1% no mês de fevereiro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada em 13/04 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse resultado, as vendas do varejo apresentaram variação positiva pelo segundo mês consecutivo (houve alta de 2,1% em janeiro), superando, assim, a expectativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que projetava alta de 0,4% sobre janeiro.
Educação financeira – Aprender Valor – Em uma economia que queira crescer é necessário que a poupança se torne investimento produtivo para que as condições de oferta se ampliem futuramente. Uma sociedade que almeje um ambiente digno para os cidadãos (e idosos) implica desde cedo no aprendizado do uso do dinheiro para fazer perante as necessidades (ilimitadas) diante dos recursos escassos e dos próprios desejos materiais. Uma nação que pretende desenvolver a atividade empreendedora como fermento para o crescimento econômico deve ensinar que o uso dos recursos financeiros tem que ser regido de forma racional, objetiva e planejadamente. A educação financeira e seu amplo espectro cognitivo passam a ser uma tônica na vida das pessoas na medida em que constitui a ponte que liga o presente ao futuro, de maneira a realizar transformações e as pessoas possam ou consigam se programar para a vida e seus gastos futuros. Neste aspecto, a principal dessas mudanças respeita os ensinamentos sobre como lidar com o dinheiro e construir poupança.
Agropecuária tem melhor desempenho nas exportações – O Indicador de Comércio Exterior (Icomex) analisa os principais resultados do primeiro trimestre da balança comercial, em que se destaca o aumento de preços das importações, liderado pelas importações dos bens intermediários da agropecuária e de bens da indústria extrativa. Os choques de oferta causados pela pandemia e pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia estão levando a um aumento da taxa de inflação ao redor de todo o mundo. No setor externo brasileiro, esses choques se fazem presentes, principalmente nas importações, embora os preços das exportações também registrem aumentos expressivos. Na comparação anual entre março de 2021 e 2022, as exportações aumentaram, em valor, 19,4% e o volume teve um crescimento mínimo de 0,9%. Já nas importações, o aumento no valor foi de 21,5% e o volume, em contrapartida, -7,0%. O aumento do valor pode ser explicado pelo comportamento dos preços, em que houve uma elevação de 17,8% nas exportações e de 30,3% nas importações. Esse mesmo resultado se repete na comparação dos primeiros trimestres de 2021 e 2022. Em volume, as exportações cresceram 9,5% e as importações caíram 4,3%, e, nos preços, o aumento foi de 32,8% para as importações e de 18,2% para as exportações.