Monitor – 25 de abril de 2022

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Monitor

Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
23 a 25/04/22 | nº 639 | ANO IV |  www.cnc.org.br

Reportagem do Valor Econômico destaca que, responsável por gerar 150 mil empregos em fevereiro, metade de todas as vagas com carteira criadas no país no mês, o turismo doméstico começou a compensar as perdas na pandemia – uma conta negativa de R$ 485 bilhões, de acordo com a CNC. O setor aposta na demanda reprimida, mas, para voltar aos níveis de 2019, precisará driblar a compressão da renda das famílias e disputar espaço com as viagens ao exterior.

Mesmo com as contratações em fevereiro, o saldo de empregos no setor está negativo em 250 mil vagas desde o início da pandemia. O nível de atividade no ramo ainda está 11% abaixo de 2019, de acordo com IBGE, apesar de uma alta de 47% nos últimos 12 meses.

O setor registrou queda de 1% no índice de atividades turísticas em fevereiro, em relação ao mês anterior, e de 0,4% em janeiro, na mesma comparação. Foi a primeira vez, desde o início da recuperação, que houve recuo em dois meses consecutivos do indicador do IBGE. “Embora as quedas sejam pequenas, os números trouxeram um alerta, pois podem significar um tendência de recuperação mais lenta”, diz o economista Fábio Bentes, da CNC.

Para Bentes, tanto a renda disponível reduzida quanto a volta do turismo internacional podem diminuir o ritmo da recuperação interna. Ele diz, no entanto, que é preciso aguardar os dados de março para consolidar o cenário.

Editorial econômico de O Estado de S. Paulo destaca que quatro em dez pessoas com direito ao saque especial do FGTS pretendem usar o dinheiro para limpar o nome, segundo pesquisa do Instituto Opinion Box em parceria com a Serasa Experian.

Texto acrescenta que, em março, 77,5% das famílias consultadas indicaram ter dívidas a vencer, segundo pesquisa da CNC. Foi a maior porcentagem registrada em 12 anos, isto é, desde o início do levantamento. Também foi recorde, para esse período, a parcela das famílias com débitos em atraso (27,8%). As endividadas eram 67,3% um ano antes. As inadimplentes, 24,4%. Também aumentou nesse período – de 10,5% para 10,8% – a fatia daquelas sem condições de pagar os débitos já em atraso.

O endividamento e a inadimplência aumentaram nos dois grandes grupos de renda, até 10 salários mínimos mensais e acima desse nível. No caso das contas em atraso, a expansão, em um ano, foi de 12,2% para 13,2% das famílias com ganho mensal superior a 10 mínimos e de 27,2% para 31,1% daquelas da faixa inferior.

Editorial também registra que a pesquisa mostra também uma piora da percepção do endividamento. As contas a pagar, dentro ou fora do prazo, pressionam fortemente os orçamentos. Em março, 30% dos ganhos estavam comprometidos com dívidas. Para 20,9% das famílias endividadas, esses compromissos correspondiam a mais de 50% da renda, o maior porcentual desde agosto do ano passado.

A coluna Capital S/A (Correio Braziliense) registra que o presidente da CNC, José Roberto Tadros, foi o homenageado da sexta edição do World Company Award (Woca). “O prêmio que estamos recebendo é, de certa forma, o corolário de mais de três anos de trabalho focado no fortalecimento do Sistema CNC-Sesc-Senac. Estamos mais fortes a cada dia, buscando estar próximos dos empresários, dos trabalhadores, da população brasileira e das necessidades do país”, destacou Tadros. Ele lembrou que o setor representa mais de 70% do PIB braslleiro.

Reportagem de O Estado de S. Paulo (24/04) sobre educação financeira dentro de empresas citou a CNC ao apresentar dados sobre o endividamento de famílias no Brasil. Texto registrou que, segundo a Confederação, em dezembro de 2021, o número de famílias que relataram estarem endividadas atingiu 76,3%.

De acordo com a reportagem, à medida que as empresas investem em ambientes mais saudáveis e flexíveis, a busca pelo bem-estar financeiro dos colaboradores também passou a ser uma demanda das áreas de recursos humanos.

Poder de compra
O Globo
 (24/04) registrou que, entre o primeiro bimestre deste ano e o mesmo período de 2021, houve uma retração de 9,5% no sortimento de eletroeletrônicos à venda, mostram dados levantados pela GfK. A queda na diversidade de produtos, porém, está mais concentrada nos modelos econômicos, enquanto no premium houve avanço, porque quem tem dinheiro para comprar hoje é a classe A.

No recorte por TVs UHD, por exemplo, a alta foi de 2%; no de smartphones com preços acima de R$ 2.500, de 21%, já em notebooks de sétima geração, o aumento alcançou 33%. Nos últimos seis meses, 76% dos brasileiros disseram ter tido perda financeira pela inflação, diz pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Quase dois terços dos entrevistados reduziram gastos, e 23% deixaram de comprar eletrodomésticos.

Queda na renda
Folha de S. Paulo 
afirma que a crise chegou ao bolso dos trabalhadores com salários mais altos, que têm mais condições para enfrentar as dificuldades no cenário econômico. A renda média do trabalho do grupo 1% mais rico no país caiu 16,4%, em termos reais, desde o começo da pandemia. Mesmo com a redução, o rendimento dessa parcela ainda é 80,9 vezes maior (R$ 26.899) do que o dos profissionais 10% mais pobres (R$ 332) na média.

No quarto trimestre de 2019, antes da pandemia, a renda média do trabalho da fatia 1% mais rica era de R$ 32.157 por mês. Dois anos depois, no quarto trimestre de 2021, já com a crise sanitária em curso, o rendimento baixou para R$ 26.899.

Mais pobres 
Já o Valor Econômico relata que, mesmo com alguma redução frente a 2021, a parcela dos pobres no total dos brasileiros deve encerrar 2022 acima da que estava há dez anos, em 2012. Um estudo da Tendências Consultoria prevê que a participação das classes D/E no total de domicílios brasileiros deve fechar o ano em 50,7%. Isso representa recuo em relação a 2021 (quando era de 51,3%), mas ainda acima da metade do total e também superior aos 48,7% de 2012.

As projeções de longo prazo da consultoria também apontam que levará sete anos, até 2028, para se retomar o nível observado em 2014, de 47%, o menor da série histórica do levantamento, iniciado em 1999.

Inflação
Valor Econômico 
repercute avaliação do assessor de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, de que a inflação no país está em seu pico, que deve durar até o fim de maio e entrará em trajetória convergente para as metas.

Em março, dado mais recente disponível, a inflação subiu 1,62%, o maior resultado para o mês desde 1994, pouco antes da implementação do Plano Real.

Mercado financeiro 
Principais jornais informaram no sábado que o dólar comercial registrou forte alta de 4,04% e fechou a R$ 4,8060 para venda. Foi o maior aumento em um pregão desde 16 de março de 2020, quando a eclosão da pandemia fez o dólar saltar 4,5%.  O Ibovespa recuou 2,86%, aos 111.077 pontos, na maior queda desde o final de novembro de 2021.

No mercado externo, o principal vetor para a queda das Bolsas foi o discurso mais duro de Jerome Powell, presidente do Fed, indicando aumento dos juros já na reunião de maio. No mercado interno, o embate do presidente Jair Bolsonaro com o STF em relação ao deputado Daniel Silveira ajudou a pressionar o câmbio. Outro motivo foi a decisão do TCU de suspender por 20 dias o julgamento da segunda etapa da privatização da Eletrobras.

França
Manchetes da Folha de S.Paulo, de O Estado de S. Paulo e de O Globo nesta segunda-feira destacam o resultado das eleições na França. O atual presidente, Emmanuel Macron, foi reeleito com 58% dos votos. A vitória no segundo turno contra Marine Le Pen, candidata da ultradireita, fortalece a aliança ocidental contra a Rússia.

Comércio eletrônico
Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 23/04) 
relatou que o e-commerce, que teve seu boom na pandemia, segue em alta. No primeiro trimestre, o volume de vendas avançou quase 13% ante igual período do ano passado, conforme indicador da Neotrust com o comitê de métricas da Câmara Brasileira da Economia Digital. De acordo com o estudo, 17,5% dos internautas brasileiros fizeram ao menos uma compra não presencial.

Os itens mais procurados foram equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (42,5%), móveis e eletrodomésticos (28,7%) e tecidos, vestuário e calçados (10,5%). Entre fevereiro e março, o crescimento das vendas do e-commerce foi de 22%.

Bares e restaurantes
Coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo) 
afirma que os donos de bares e restaurantes começam a sentir nos feriados uma volta aos padrões da sazonalidade anterior à pandemia, que atingiu o setor com as restrições de funcionamento.

Pelo monitoramento de abrangência nacional da Abrasel, o Carnaval fora de época promovido neste feriado de Tiradentes fez crescer em 30% o faturamento de estabelecimentos no Rio de Janeiro.
Paulo Solmucci, presidente da entidade, ressalva que o cenário favorável, por falta de planejamento, não foi bem aproveitado no resto do país.

“O carnaval no Rio foi muito bom. Já em São Paulo, ficou com aquela cara de feriadão e o pessoal saiu da capital”, diz. Segundo ele, a arrecadação ficou em patamar estável.

Solmucci, que estima um crescimento de 3% para o setor neste ano, afirma que ainda há muita preocupação com o fechamento das contas, já que os restaurantes estão com parcelas de dívidas atrasadas e dificuldade de repassar a inflação aos consumidores em um cenário de econômica enfraquecida, o que compromete as margens.

Fábio Aguayo, da Abrabar (Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas), também registrou resultado positivo na região Sul, com alta de 40% no movimento. Ele atribui o aquecimento mais ao tempo disponível dos clientes no feriado do que aos eventos carnavalescos.

Turismo
A coluna Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 23/04) também contou que o levantamento da FecomercioSP sobre os preços no setor de turismo apontou, em março, uma alta mensal de 6,48% no aluguel de veículos, o que pode ser atribuído à dificuldade de renovação das frotas, segundo Mariana Aldrigui, presidente do conselho de turismo da entidade. No acumulado de doze meses, o avanço chega a 18,35%.

“Tem mais demanda por carros, para empresas, turismo ou Uber, mas existem menos carros para renovar essa frota e alguns em manutenção. Então, naturalmente tem uma pressão, somado à questão inflacionária dos insumos”, afirma.

Eventos
Ainda na Painel S.A. (Folha de S.Paulo, 23/04), nota disse que a tentativa de retomar a agenda de eventos corporativos, que voltou a se mexer nas últimas semanas com o arrefecimento da pandemia, os organizadores têm encontrado um cenário com calendário concorrido e escassez de espaços em hotéis.
Alguns locais de eventos têm dividido suas salas de convenções ao meio para abrigar dois encontros ao mesmo tempo. Os hotéis de São Paulo não estão dando conta da procura, segundo Ricardo Roman Junior, presidente da Abih-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do estado).

STF
Principais jornais noticiam que o ministro do STF e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luís Roberto Barroso criticou ontem o que considera um movimento político com a intenção de usar as Forças Armadas para atacar o processo eleitoral do País. O Ministério da Defesa reagiu à manifestação do ministro e disse que a declaração é “irresponsável” e “ofensa grave”.

Indulto
No sábado, manchetes de Folha de S.Paulo e O Globo ressaltaram que o perdão presidencial concedido ao deputado Daniel Silveira criou um impasse para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A corte calcula quando e como pode responder à decisão de Jair Bolsonaro, e a preocupação é com as percepções de impunidade. Enquanto isso, partidos da oposição recorreram ao STF contestando o indulto.

Silveira
O Estado de S. Paulo
 atenta que deputados do Centrão atribuem a cautela do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), no caso da condenação do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), a uma estratégia para não desagradar a ministros do STF. Segundo aliados do governo, Lira indicou que a Corte poderia proibir o pagamento das emendas de relator, como forma de retaliação a qualquer interferência do Congresso nesse assunto.

O dólar comercial fechou sexta-feira em alta de 4%, cotado a R$ 4,80. Euro subiu 3,43%, chegando a R$ 5,18. A Bovespa operou com 111.077 pontos, queda de 2,86%. Risco Brasil em 296 pontos. Dow Jones caiu 2,82% e Nasdaq teve queda de 2,55%.

Valor Econômico
Commodities e caixa maior garantem dividendos altos

O Estado de S. Paulo

Reeleição de Macron fortalece Ocidente em guerra contra Putin

Folha de S.Paulo

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O Globo

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Correio Braziliense

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