Monitor – 11 de abril de 2022

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Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
09 a 11/04/22 | nº 631 | ANO IV |  www.cnc.org.br
O Estado de S. Paulo traz levantamento da CNC que indica que as regiões brasileiras com vocação para o turismo estão puxando a criação de vagas com carteira assinada no mercado de trabalho, ao lado de localidades produtoras de commodities. No ranking dos 20 municípios que mais ampliaram o emprego formal, o turismo é a atividade mais relevante em metade deles.

“O turismo, que ainda tem um nível de atividade inferior ao de fevereiro de 2020, já se movimenta em relação às contratações. Esse setor só contrata se ele percebe uma melhora de cenário e se tem uma perspectiva positiva à frente”, observa o economista Fabio Bentes, responsável pelo levantamento da CNC.

No estudo, Bentes mapeou as localidades que mais multiplicaram o número de postos de trabalho formais nos últimos 20 meses, período em que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) começou a registrar abertura de vagas no País, após o choque inicial provocado pela pandemia de covid-19.

O município de Porto Seguro, na Bahia, aumentou em 52% o número de empregados com carteira assinada, o equivalente a 10.019 vagas abertas, no período de julho de 2020 a fevereiro de 2022. Os demais destaques ligados ao turismo foram Vacaria/RS (44% ou 7.164 empregados a mais), Araruama/RJ (39%/5.019), Ipojuca/PE (37%/7.452), Itapema/SC (35%/6.521), Gramado/RS (31%/4.445), Palhoça/SC (24%/9.602), Caldas Novas/GO (24%/3.922), Balneário Camboriú/SC (24%/9.493) e Guarapari/ES (23%/3.567).

No Valor Econômico, reportagem diz que dois levantamentos recém-concluídos, das empresas de pesquisas GfK e NielsenIQ, que cruzam renda e perfil de compra, mostram os efeitos da crise na ponta ao cliente. Há um recuo na fatia dos mais pobres nas vendas do comércio, e maior dependência de indústrias e varejistas da demanda dos mais ricos – sinal claro de aumento na desigualdade social. O percentual de pessoas cautelosas com o gasto, mesmo com recursos no bolso, está em 45%, acima da média global.

Como o mercado de consumo se fortalece pelo ganho de escala no varejo e de expansão da produção na indústria, a perda de renda nas classes mais baixas compromete planos de investimento e geração de empregos. É por isso também que essa volatilidade preocupa o setor. “A margem apertada do varejo faz ele depender de muito volume para diluir custos, e se começa a achatar a base, acende um sinal de atenção”, diz o economista da CNC, Fabio Bentes.

Na avaliação de Bentes, da CNC, o anúncio de um IPCA em 1,62% em março (o maior índice para o mês desde 1994), adiciona risco ao cenário no curto prazo – a entidade projetava até dezembro alta de 0,9% nas vendas do comércio em 2022 e neste ano reviu para 0,5% (descontando inflação). Porém, diz ele, é preciso considerar “fatores compensatórios” ao longo de 2022, com efeito maior na segunda metade do ano.

O Globo (10/04) relatou que, com nada menos do que 31,1 bilhões de transações contabilizadas em 2021, segundo dados da Abecs, associação do setor, os cartões de crédito são sem dúvida um dos meios de pagamento mais populares no país.

Texto afirmou que, diante da variedade de ofertas e de pacotes de benefícios, é preciso uma análise criteriosa para escolher o produto certo para seu perfil de renda e uso. O match perfeito garante economia no pagamento de taxas e vantagens no dia a dia do usuário. Jornal ressaltou que o problema é quando o cartão é usado como complemento de renda. O meio de pagamento é apontado como o principal responsável pelo endividamento, que atinge quase oito em cada dez famílias brasileiras, nível recorde apurado em março pela CNC.

Inflação
No sábado, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo destacaram em manchete a alta do IPCA. Em março, o índice atingiu 1,62%, o maior registrado para o mês desde 1994, antes do lançamento do Plano Real.

No acumulado de 12 meses, a taxa chegou a 11,3%. O número, impulsionado pelo preço dos combustíveis e dos alimentos, supera a previsão de analistas, que revisam suas projeções para cima, perto dos 8% em 2022.

No mercado, ainda há a expectativa de que a inflação perca o fôlego ao longo do ano, voltando a um dígito até dezembro. No entanto, o Banco Central segue pressionado, e deve elevar a taxa básica de juros, a Selic, para conter a carestia.

Consumo
O Estado de S. Paulo 
traz que, de acordo com o Monitor do PIB, da FGV, famílias brasileiras, impactadas pela inflação, salários mais baixos e desemprego, reduziram o consumo de bens, que está em patamar inferior ao que era registrado no pré-pandemia.

Segundo Cláudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV, “as pessoas estão reduzindo suas compras de bens não duráveis, semiduráveis e até de bens duráveis”.

O consumo de bens semiduráveis em janeiro ficou 12,14% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. O consumo de duráveis está 10,28% abaixo do pré-covid. Já entre os não-duráveis, está 3,04% abaixo do pré-pandemia.

IR
Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo 
relataram em 09/04 que o governo pretende reajustar a tabela do IRPF e ampliar a faixa de isenção ainda em 2022, ano eleitoral. Já a ideia de um corte adicional nas alíquotas do IPI foi abandonada pelo governo, segundo um integrante da equipe econômica. A faixa de isenção do IRPF, hoje em R$ 1,9 mil, deve aumentar, mas o valor não está definido.

Em projeto que passou na Câmara e está parado no Senado, a elevação da prevista é para R$ 2,5 mil. Mas no projeto o governo teria receitas extras com a volta da taxação de lucros e dividendos de acionistas de empresas. Para decidir sobre a correção da tabela do IRPF, os técnicos estão estimando a sobra de espaço na meta fiscal para o governo abrir mão de mais receitas. A LDO de 2022 autoriza um rombo de até R$ 170,5 bilhões.

FGTS 
Principais jornais informaram no sábado que a consulta ao saque extraordinário de até R$ 1.000 do FGTS começou na sexta-feira marcada por problemas nos sistemas da Caixa. Usuários reclamaram de não conseguir acessar o site ou o aplicativo, e alguns se queixam de terem encontrado o saldo da conta zerado.

Ampliação de gastos
Folha de S.Paulo 
(10/04) disse que a equipe econômica está preocupada com o avanço de propostas que ameaçam a sustentabilidade das finanças não só da União, mas principalmente de estados e municípios em ano eleitoral. Levantamento feito pelo Ministério da Economia a pedido da Folha lista projetos cujo risco de aprovação é considerado “grave e muito elevado” pela pasta, dado o custo anual de ao menos R$ 46 bilhões para todos os entes federativos.

São propostas que preveem pisos salariais para profissionais de saúde, inclusive aqueles que atuam no setor público, ou que resgatam penduricalhos como o chamado quinquênio —um adicional no salário a cada cinco anos de serviço.

Combustíveis
O Estado de S. Paulo 
(10/04) contou que, desde o anúncio do reajuste nos combustíveis pela Petrobras, em março, vários aumentos foram anunciados. As viagens por aplicativos subiram cerca de 6%; as entregas de encomendas, até 50%; e as passagens aéreas, entre 32% e 62%. Alimentos e produtos industrializados também sentem os efeitos da alta dos combustíveis, por causa do aumento dos fretes. Agora, empresas de transporte público reivindicam aumentos de cerca de 20%.

Entre os meses de março e abril, o gasto dos brasileiros com despesas essenciais, como combustíveis, alimentos e educação, aumentou R$ 16 bilhões. Desse total, R$ 1,25 bilhão veio do reajuste da gasolina e diesel, segundo dados da Tendências Consultoria Integrada. Isso explica o avanço de 1,62% da inflação em março, a maior para o mês em 28 anos.

Petrobras
Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse acreditar que dificilmente a nova direção da estatal, que será eleita na quarta-feira, terá instrumentos para alterar a política de preços da empresa, como vem sendo cobrado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro.

Silva e Luna argumentou que o caminho responsável para mitigar o aumento do combustível seria por meio de ações do Congresso e do governo. Ele acrescentou que a estatal vem sendo exposta a “crises sucessivas”, que impactam os preços dos combustíveis, como a pandemia “que ainda não está concluída”. Ele citou, ainda, a “crise de energia do ano passado, que teve impacto grande no setor elétrico e energético”, e agora a guerra na Ucrânia.

Bares e restaurantes
Painel S.A. (Folha de S.Paulo)
 conta que donos de bares e restaurantes estão fechando os tópicos que pretendem apresentar aos pré-candidatos à Presidência neste ano. Um dos pontos principais será o pedido de desoneração da folha de pagamento.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (associação do setor), afirma que, diante da inflação, os estabelecimentos estão com dificuldades de fechar as contas e quase 40% deles estão operando com prejuízo.

“A gente só se mantém no Simples Nacional hoje pelas questões do INSS. Se não tivesse o peso do INSS sobre a folha de pagamento, seria mais vantajoso hoje para as empresas saírem do regime. Nós não queremos ter essa amarra de ser obrigados a viver no Simples. Queremos crescer como qualquer outra empresa”, diz.

Páscoa
A inflação parece ter tirado a empolgação do consumidor com a Páscoa neste ano, segundo o Reclame Aqui. Levantamento do site de defesa do consumidor realizado com cerca de 13.500 usuários entre 6 e 8 de abril aponta que 92% nem se animou a fazer pesquisa de preços. As informações são da coluna Painel S.A. (Folha de S. Paulo, 09/04).

O Reclame Aqui afirma que essa falta de interesse em procurar uma pechincha é reforçada pelo fato de 87% deles avaliarem que os preços de todos os insumos estão bem mais caros neste ano.

Salões de beleza
Painel S.A. (Folha de S. Paulo, 09/04)
 informou que, depois do choque da pandemia, que fechou os salões de beleza, o setor agora lamenta os efeitos da inflação, que já começa a espantar a clientela.

José Augusto Santos, presidente da ABSB (Associação Brasileira de Salões de Beleza), diz que os clientes reduziram a frequência ou migraram para estabelecimentos com preço mais baixo.

Além do aumento no aluguel e na energia elétrica, ele se queixa dos produtos como tintas e pós descolorantes, que são fabricados com matérias-primas importadas.

Bitcoin no varejo
Folha de S.Paulo 
informa que, com a popularização do bitcoin nos últimos anos, o universo das criptomoedas extrapolou as empresas de tecnologia. Estabelecimentos comerciais com atuação na economia real, como incorporadoras, hotéis e até padarias, passaram a aceitar que clientes usem os novos ativos digitais. A demanda gerou uma miríade de empresas que entraram no ramo para ser o intermediário das compras.

O BC avalia a elaboração de diretrizes para impor fiscalização às transações financeiras com criptomoedas no Brasil e definir penalidades.

Licitações 
Manchete da Folha de S.Paulo de domingo expôs que o governo Bolsonaro começou a utilizar em larga escala uma “manobra” que afrouxa critérios de licitações para acelerar a distribuição de emendas parlamentares. Tudo é feito com aval do Tribunal de Contas da União.

A prática, que estimula corrupção e má qualidade, é centrada na estatal Codevasf, sob o comando do centrão. Nela, licitações usam critérios fictícios ao avaliar obras, permitindo a liberação mais rápida de recursos.

Nesta segunda-feira, Folha de S.Paulo traz em manchete que a empreiteira Engefort se aproveitou da simplificação de licitações para faturar mais de R$ 600 milhões em contratos com a estatal Codevasf.

Reportagem afirma que na maioria dos pregões a construtora era a única concorrente, ou estava em companhia de empresa de fachada registrada em nome do irmão de seus sócios.

MEC
Já O Estado de S. Paulo destacou em manchete que o Brasil tem 3,5 mil escolas com obras sem previsão de conclusão, mas o Ministério da Educação autorizou a construção de mais duas mil unidades.

Aprovado a seis meses das eleições, o plano não tem recurso previsto no orçamento. Apesar disso, parlamentares já fazem propaganda das obras para os eleitores.

Bondades
O Globo 
(10/04) apurou que o presidente Bolsonaro se lança à reeleição com a candidatura “turbinada” por um pacote de bondades que já alcança R$ 160 bilhões. Auxílio Brasil, vale-gás, linhas de crédito consignado e acesso ao FGTS miram o bolso da população, fortemente afetada pela inflação e o desemprego, para melhorar o desempenho de Bolsonaro entre o eleitorado pobre.

Servidores
Folha de S.Paulo e O Globo 
(09/04) informaram que o governo tem na mesa três opções de negociação de reajustes com servidores para tentar aplacar o movimento de paralisações e greve, que ganhou adesões nas últimas semanas. As alternativas envolvem um aumento de R$ 400 no auxílio-alimentação, um reajuste salarial de 4% a 5% para todas as carreiras, ou ainda um aumento concentrado em categorias com maior poder de pressão, como policiais, auditores-fiscais da Receita Federal e servidores do BC e da AGU.

Segundo um integrante da equipe econômica, essas quatro categorias se articularam para tentar acertar entre elas a divisão do R$ 1,7 bilhão reservado no Orçamento para a concessão de reajustes neste ano.

O dólar comercial fechou sexta-feira em queda de 0,68%, cotado a R$ 4,70. Euro caiu 0,64%, chegando a R$ 5,12. A Bovespa operou com 118.322 pontos, queda de 0,45%. Risco Brasil em 294 pontos. Dow Jones subiu 0,40% e Nasdaq teve queda de 1,34%.
Valor Econômico
Inflação e juro alto reduzem fatia de pobres no consumo

O Estado de S. Paulo
Reação ao racismo avança no País com ativismo e tecnologia

Folha de S.Paulo
Empreiteira usa firma de fachada e domina licitações

O Globo
Receita com royalties dispara e turbina caixa de governos

Correio Braziliense
Macron tenta unir a França para barrar a extrema-direita

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