Destaques da edição:
As incertezas econômicas e as respostas do governo – Nas duas últimas semanas, o mundo vivencia mais um capítulo inesperado na história mundial. Depois de uma pandemia, a guerra deflagrada na Ucrânia encheu de ainda mais incerteza o ambiente econômico internacional, exacerbou a volatilidade nas cotações de commodities, destacando-se o trigo e o petróleo. Este, vale notar, insumo amplamente empregado em diversos materiais e produtos acabados, em que o aumento de preços reflete-se também nas cadeias de preços livres.
Os cenários para inflação no Brasil e no mundo se acirraram rapidamente, recaindo novos desafios sobre a condução das políticas monetárias, a evolução dos juros e a sustentabilidade da recuperação econômica.
É oportuno lembrar que o mundo está se recuperando de uma crise sem registros históricos, em que as ações e os mecanismos para enfrentá-la também foram atípicos, fora das regras e normativas fiscais. Com a guerra no Leste Europeu sucedendo a pandemia como evento inesperado no mundo, influenciando o dia a dia do brasileiro, novas ampliações de gastos podem e devem ser consideradas este ano, e não porque é ano de eleições aqui, mas sim pelos aspectos sociais que a política tem de priorizar.
Conflito europeu deve aumentar pressão sobre os preços no varejo – O volume de vendas do comércio varejista brasileiro avançou 0,8%, no mês de janeiro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada em 10/03 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento de janeiro não chegou a compensar a queda de 1,9% ocorrida em dezembro do ano passado, mas superou a expectativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que projetava alta de 0,4% no período.
Produção industrial inicia o ano em queda – O ritmo da produção industrial brasileira registrou queda de -2,4% em janeiro na série dessazonalizada, segundo a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 09/03. Esse resultado foi influenciado, principalmente, pelos veículos automotores (-17,4%) e pela indústria extrativa (-5,2%). O recuo do início do ano confronta o aumento obtido em dezembro de +2,9% e distancia o setor industrial do patamar pré-pandêmico. Essa taxa é a pior para o mês desde 2018 quando houve recuo de -2,6%. Além disso, é a pior apuração mensal desde março de 2021 (-2,5%). Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a queda foi ainda mais expressiva, atingindo -7,2%, registrando o maior recuo nessa base comparativa desde 2016 (-3,4%).
Inflação – As pressões altistas sobre os preços possuem endereço de origem: invasão russa na Ucrânia. Apesar de o evento acontecer em outro continente, a conexão econômica entre as economias reduziu essa distância há algumas décadas. Assim, a globalização torna eventos isolados em integrados, disparando efeitos em cascata pelo globo. A transmissão depende do volume das relações e seus impactos reverberam conforme o nível de dependência.
Enquanto o conflito militar persistir, a atmosfera de incertezas e de restrições na Eurásia atinge setores produtivos, relações, sociedade e formação de preços. Como ondas semelhantes às que seriam produzidas se um meteoro caísse num oceano, as pressões incrementais sobre os preços de petróleo, gás e commodities se estendem pelas regiões.
I Seminário de Análise Conjuntural – No dia 10 de março, a Fundação Getulio Vargas (FGV) promoveu o I Seminário de Análise Conjuntural de 2022, com a participação dos economistas José Júlio Senna, Silvia Matos e Armando Castelar. A moderação ficou a cargo da repórter especial e colunista do Estadão Adriana Fernandes.
O primeiro a se pronunciar foi o chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), José Júlio Senna. Anal i sando o contexto internacional , ele disse est ranhar o fato do Fed, banco central dos Estados Unidos, ainda estar no processo de tapering, sendo que a inflação no país está em um nível considerado alto.
A coordenadora do Boletim Macro FGV I bre, Silvia Matos, focou nos dados domésticos. Ela lembrou que, mesmo antes da guerra, a expectativa de crescimento d a economia do País já era menor para este ano.
Para finalizar o evento, o pesquisador associado do FGV I bre Armando Castelar fez uma análise tanto do contexto internacional quanto nacional. Para ele, os Estados Unidos devem acabar se beneficiando da guerra na Europa, j á que os setores de gás e petróleo devem ser favorecidos e o país é autossuficiente em petróleo, por tanto não terá grandes impactos econômicos.