Destaques da edição:
Uma recuperação econômica resiliente – O ano de 2021 vai se encerrando com a concretização do desaquecimento econômico: queda do Produto Interno Bruto (PIB) trimestral e das vendas do comércio varejista, acirramento da inflação e nova alta dos juros. A semana que passou foi rica em dados da atividade, que refletem nas expectativas menos favoráveis para 2022. O primeiro trimestre do próximo ano, como comumente ocorre, será ainda mais difícil para as empresas, os consumidores e a economia em geral .
Este ano se encerra com o desafio e a esperança de seguirmos no caminho da superação dos efeitos econômicos da crise da Covid-19. Estamos vivendo algo inédito na história contemporânea da economia mundial, e o Brasil, nesse compasso, aguarda o processo eleitoral do próximo ano.
As apostas indicam que a atividade vai crescer no próximo ano, mas bem pouco. Sem surpresas, em razão do ano eleitoral e dos desequilíbrios gerados pela retomada da atividade no pós-pandemia. Seguimos com os desafios, mas com esperança e confiança na capacidade da economia brasileira.
Dívida bruta mais favorável reflete melhora na arrecadação federal – Segundo os últimos dados divulgados pelo Banco Central do Brasil (BCB), a Dívida Bruta do Governo Geral, que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o Banco Central e as empresas estatais, fechou outubro em R$ 7,0 trilhões, o que representou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), resultado similar ao encontrado em setembro.
Segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal de novembro do Instituto Fiscal Independente (IFI ), a projeção é que o déficit primário do setor público termine o ano em 0,9% do PIB, aproximadamente R$ 76 bilhões. Somando os R$ 464 estimados pela instituição para o pagamento dos juros, ao déficit nominal deve terminar o ano em cerca de R$ 539 bilhões, 6 ,3% do PIB. Em relação a dívida bruta, as projeções do IFI mostram que deve alcançar 83,3% ao final de 2021, com crescimento gradual ao longo dos próximos anos, terminando 2024 em 86,1%.
Turismo se recuperando – Os sinais consistentes de recuperação
econômica observados entre maio e julho mais recentemente arrefeceram-se com a persistência do ritmo inflacionário e a diminuição do poder aquisitivo ao longo do segundo semestre.
O crescimento esperado no começo do ano para a economia brasileira acima de 5% deu lugar a possibilidades de crescimento bem menor, hoje situadas no patamar entre 4,3% e 4,6%. Se somarmos o ano passado com o presente exercício, o saldo da riqueza gerada entre os dois períodos deve ser muito baixo, podendo ficar muito próximo do volume de produto pré-crise pandêmica de fevereiro de 2020.
Os serviços turísticos foram profundamente abalados com a pandemia. Consideradas suas características, inicialmente, o choque de oferta e o choque de demanda proporcionaram prejuízos dramáticos. Agora, com a combinação de fatores que implicam dificuldades para a retomada sustentada do crescimento, os danos prosseguem, mas se dão de forma atenuada, graças à vacinação. Primeiro setor a afundar na crise deve ser o último a recuperar-se, conforme as previsões que apontam para o ano que vem, potencialmente para o segundo semestre.
Varejo registra menor queda dos últimos 3 meses – De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do comércio varejista registrou uma contração de -0,1% no mês de outubro se comparado ao mês anterior. Embora o setor tenha registrado queda, essa foi a menor queda dos últimos meses.
Dos dez segmentos apurados no setor, apenas três registraram alta. O segmento de tecidos e vestuários registra variação de +0,6%; o de equipamentos e materiais de escritórios alcançou +5,6%, sendo o segmento que mais cresceu no setor; e o de artigos de usou pessoal e doméstico registrou +1,4%.
Embora o varejo venha registrando queda desde o mês de agosto, o acumulado no ano ainda registra alta de +2,6%, percentual de variação igual ao acumulado em 12 meses. O crescimento do ano de 2021 já é maior que o percentual acumulado em 2020, que foi de +1,2%. O comércio ainda não recuperou seus níveis pré-pandemia, porém a expectativa é para que isso ocorra durante o ano de 2022.