Destaques da edição:
PEC dos Precatórios: a realidade – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios foi finalmente aprovada no Congresso Nacional , após as intensas discussões no Senado Federal, na semana passada. Pode-se dizer que a versão aprovada teve como foco as necessidades das populações mais carentes, uma vez que se concordou de o espaço aberto com o não pagamento dos precatórios de alto valor nos próximos anos ser integralmente destinado ao custeio do Auxílio Brasil.
Já discutimos neste espaço que a postergação dos pagamentos de dívidas transitadas em julgado não deve se configurar em calote, é um mal necessário. Não há que se falar em default, mas em alongamento dessas dívidas de valor mais elevado. A renegociação ou o alongamento das dívidas, por sinal , é uma prática que tem sido bastante relevante agora, justamente para evitar calotes ou a inadimplência, tanto de pessoas físicas quanto das empresas.
Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional desaceleram o crescimento – Dados mais recentes divulgados pelo Banco Central do Brasil (Bacen) mostraram que o saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional cresceu 1,5% em outubro de 2021 contra o mês imediatamente anterior, após aumento de 2,1% em setembro. O saldo total dos empréstimos e financiamentos alcançou o valor de R$ 4,5 trilhões no último resultado, representando 53,2% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em outubro deste ano, a variação foi de +16,0%, 1,3 ponto percentual (p.p.) acima da variação de +14,7% observada no mesmo período em 2020.
Outra análise feita pelo Bacen soma o saldo dos empréstimos e financiamentos com os títulos de dívidas e a dívida externa, chamando esse resultado de crédito ampliado. O saldo desse crédito ampliado correspondeu a R$ 13,2 trilhões em outubro, representando 155,8% do PIB. Dentro dele estão incluídos os empréstimos e financiamos (35,8% do total), os títulos de dívidas (42,8% do total) e a dívida externa (21,4% do total).
Economia brasileira em recessão (técnica) – Entre julho, agosto e setembro, a economia brasileira encolheu -0,1% na comparação com o trimestre anterior. O período de abril, maio e junho também foi decepcionante, uma vez que o Produto Interno Bruto (PIB) declinou -0,4% diante do desempenho do primeiro trimestre deste ano, o qual subiu 1,3% diante dos três últimos meses do ano passado.
As duas variações negativas sucessivas permitem classificar que o Brasil entrou em recessão. Dois trimestres de queda posicionaram a economia nessa fase do ciclo – de acordo com os critérios dos manuais de economia. Se confirmadas as previsões para o corrente ano, depois de retrair-se -4,1% em 2020, a economia nacional vai conseguir recuperar-se muito pouco neste ano. No começo de 2021, ainda se esperava crescimento da ordem superior a 5%. Agora, com os últimos dados, as prévias apontam para algo entre 4,3% e 4,6%.
Licenciamento e produção de veículos registram alta no último mês – Segunda a última carta da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgada no dia 6 de dezembro, o licenciamento de veículos manteve a alta registrada no mês de outubro. O crescimento foi de 6,5% ante a outubro, correspondendo a 173 mil licenciamentos em novembro deste ano.
O nível de licenciamento ainda continua em queda se comparado ao mesmo mês de 2020. Porém, ainda assim é possível enxergar a recuperação gradual do setor aos níveis pré-pandêmicos. A queda registrada ante a novembro de 2020 foi de -23,1%, queda relevante considerando os picos da pandemia neste ano.
Tratando-se dos caminhões, a categoria apresentou queda nos licenciamentos e nas exportações. Ante a outubro, o mês de novembro contraiu -5,2% dos licenciamentos e -21,9% das exportações. A produção caminhou em contrapartida à queda das vendas, registrando aumento de 4,7% na comparação mensal. Além disso, o ritmo de produção dos caminhões vem mostrando grandes resultados positivos. Obtivemos +25,3% comparando esse mês com o mesmo mês do ano anterior e um grande aumento de 82% na produção acumulada do ano ante a 2020.
Portanto, embora o ano de 2021 ainda apresente níveis baixos se comparados aos anos de 2019 e 2020, é nítida uma recuperação gradual do setor nos últimos meses. Por isso, as expectativas da Anfavea são para que o setor continue tendo crescimento até o fim do ano e retorne aos níveis de licenciamento e produção pré-pandêmicos no ano de 2022.