Sumário Econômico – 1691

Compartilhe:

Destaques da edição:

O inevitável furo no teto dos gastos – A pandemia intensificou a desigualdade social, acirrando a pobreza no País. Dentre os impactos econômicos no mercado de trabalho, na renda, a inflação ao consumidor alta intensifica ainda mais o problema, expondo cada vez mais as famílias mais pobres à situação de extrema pobreza. Mesmo que a incerteza em relação às novas ondas da Covid-19 tenha se reduzido com a ampliação da vacinação, os efeitos perversos na economia são mais duradouros.

Pensando em atacar esse problema mais rapidamente, o governo anunciou a turbinada de 20% no valor médio pago pelo Bolsa Família, que passa a ser Auxílio Brasil, cujo novo valor médio pode chegar a R$ 400 por beneficiário, pelo menos até o fim do ano que vem. O Auxílio Brasil é uma espécie de junção do Bolsa Família tradicional, que paga em média R$ 192, e do Auxílio Emergencial, que pagou R$ 250, também em média.

Cálculos indicam que, do gasto incremental para o orçamento de 2022, entre R$ 35 e R$ 40 bilhões extrapolariam a regra do teto dos gastos, por não terem uma receita específica e recorrente identificada para cobrir a ampliação da despesa. A expectativa de receita viria da reforma do Imposto de Renda (IR), mas o Ministério da Economia reconhece a frustração dessa expectativa.

Crescimento da Intenção de Consumo das Famílias se estabiliza – O indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), alcançou o patamar de 73,2 pontos em outubro deste ano, o maior nível desde março de 2021 (73,8 pontos). Com o ajuste sazonal, a série apresentou estabilidade, após quatro taxas positivas consecutivas.

Além disso, este mês de outubro foi melhor do que o de 2020, quando apresentou 68,7 pontos, apesar de o índice ter permanecido abaixo do nível de satisfação (100 pontos), o que acontece desde abril de  2015(102,9 pontos). Em relação a outubro de 2020, houve elevação de +6,6%, a quarta taxa positiva seguida.

Serviços passam a liderar recuperação da economia – Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada em 14/10 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de receitas do setor de serviços cresceu 0,5% em agosto de 2021 ante o mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. O resultado mensal veio próximo à expectativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) – que projetava variação de +0,7%. Já na comparação com o mesmo mês do ano passado, o setor registrou expansão pelo sexto mês consecutivo, +16,7% sobre agosto de 2020.

Confiança empresarial do comércio desacelera 3,1% em outubro – O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu 3,1% em outubro na série com ajuste sazonal, refletindo possível enfraquecimento com relação às condições atuais, bem como para com o desempenho da economia. Na relação sem o ajuste sazonal, o índice manteve-se estável, sem variação. Apesar do revés, o índice bateu 119,3 pontos, posicionado na zona de confiança desde julho deste ano.

Ainda que outubro seja o mês do Dia das Crianças, a confiança do empresário do comércio desacelerou relativamente devido a inúmeros fatores que podem estar revertendo a trajetória de otimismo observada entre junho (12,2%), julho (11,7%) e agosto (4,3%), acentuando a tendência de setembro (-0,4%).

Risco de estagflação – O cenário econômico brasileiro atual enfrenta, entre outros desafios, o risco de estagflação – termo que caracteriza a combinação de baixo ou inexpressivo crescimento econômico e inflação alta. A lenta retomada das atividades após a pandemia, a crise hídrica e o dólar alto são alguns dos fatores que vêm contribuindo para esse contexto.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou um aumento de 4,31%, em 2019, para 10,25%, no acumulado em 12 meses até setembro último, bem distante da meta do Banco Central para este ano, 3,75%, com margem de tolerância para até 5,25%. Na composição da inflação, verifica-se a forte influência do dólar, que subiu 25% desde o começo de março de 2020, afetando os preços dos produtos no mercado nacional.

Além disso, a desorganização na cadeia produtiva mundial causada pela pandemia e o encarecimento das commodities e dos combustíveis, além da retomada gradual do consumo, são algumas das razões do aumento dos índices de preços em vários países.

O contexto atual, marcado pela inflação e pelo desemprego, com o aumento de custos e restrições de oferta, além de elevação da taxa básica de juros, traz consigo preocupações acerca do futuro de curto prazo do País. São muitas as incertezas presentes no momento atual, sendo necessário, portanto, se atentar às variáveis e seus efeitos nas atividades econômicas. Até por que o déficit fiscal tem crescido muito, ano que vem será de eleições e tudo hoje ainda parece muito virtual.

Leia também

Rolar para cima