Monitor – 12 de novembro de 2021

Compartilhe:

Informativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
12/11/21 | nº 532 | ANO III |  www.cnc.org.br
O volume de vendas do varejo brasileiro voltou a cair em setembro, com baixa de 1,3% na comparação com agosto, segundo o IBGE. A notícia está na manchete do Valor e nos principais jornais.

É o segundo recuo do comércio em sequência e o maior para o mês de setembro na série histórica. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 5,5%.

Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, afirmou que a inflação elevada é o fenômeno mais importante para explicar o resultado do varejo em setembro.

Entre as oito atividades pesquisadas pelo IBGE, seis tiveram taxas negativas em setembro. As quedas mais intensas foram de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3,6%), móveis e eletrodomésticos (-3,5%) e combustíveis e lubrificantes (-2,6%).

Folha de S.Paulo registra que, após a divulgação do IBGE, a CNC cortou de 4,6% para 3,6% a projeção de alta nas vendas do varejo em 2021. A entidade também destacou que o setor é afetado pela elevação dos preços: “Neste momento, a inflação elevada e resiliente representa o principal obstáculo à sustentabilidade da recuperação do comércio”.

A CNC ainda destaca o impacto negativo das restrições no orçamento das famílias. Para a Confederação, o cenário para 2022 é desafiador por conta de fatores como a pressão de custos.

Estadão traz declarações do economista Fabio Bentes: “A inflação está azedando as expectativas para a Black Friday e o Natal. Se está estragando o varejo no dia a dia, não tem como não chegar a essas datas comemorativas”, avaliou.

O telejornal Hora Um (TV Globo) também ouviu Bentes: “O resultado do varejo de setembro foi, sem dúvida alguma, decepcionante. Esses resultados refletem uma dificuldade que o varejo brasileiro vem enfrentando de superar uma inflação acima de 10% ao ano. Isso cria dificuldades para o setor e reduz o poder de consumo da população”, avaliou.

CNN Brasil repercutiu a projeção de contratação de 478 mil trabalhadores na alta temporada. O Jornal da Record também abordou o tema e disse que, segundo a CNC, todos os setores ligados ao turismo voltarão a contratar.

Em outra frente, o Valor Online informou que o STF decidiu pela constitucionalidade do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que incide sobre a folha de salários. Matéria registra que a CNC questionava o fato de a administração tributária poder aumentar em até seis vezes as alíquotas do RAT por um simples ato administrativo.

Desoneração da folha
O presidente Jair Bolsonaro disse ontem que o governo vai prorrogar por dois anos a desoneração da folha de pagamento de 17 setores. Até este momento, o governo era contrário à medida. Com o benefício, abre mão de R$ 8,3 bilhões.

Durante cerimônia no Planalto, o presidente também aproveitou para pedir apoio dos setores à PEC dos Precatórios.

PEC dos Precatórios
A Bolsa de Valores subiu 1,54% nesta quinta-feira e o dólar recuou 1,76%. Segundo a Folha, analistas atribuem os resultados a um ajuste do mercado a um cenário em que a PEC dos Precatórios será aprovada pelo Senado, permitindo ao governo definir o Orçamento de 2022.

Apesar de furar o teto de gastos, a leitura é de que a medida permite aos investidores mensurar o risco fiscal do país.

Desaceleração
O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que a economia irá desacelerar, mas afirmou que isso é “normal” num contexto em que os juros básicos vão subir “um pouco” no combate à inflação.

Guedes disse que a inflação vai surgir com força nos Estados Unidos, o que fará com que bancos centrais do mundo inteiro passem aperto. Registro da Folha.

Conta de luz
Com alta de 30,3% em 12 meses até outubro, a energia elétrica residencial segue como um dos itens de maior pressão dentro do IPCA. Da inflação acumulada no período, de 10,67%, os reajustes na conta de luz responderam por 1,3 ponto percentual. Luz, gasolina e gás de botijão explicam mais de 30% do IPCA dos últimos 12 meses, informa o Valor.

GNV
O Globo revela que o gás natural veicular (GNV) atingiu o maior valor desde 2001, acompanhando tendência de alta dos preços da gasolina, do diesel e do gás de botijão, que também quebraram recordes.

Em setembro, o GNV registrou o maior preço real do século em novembro, com o metro cúbico chegando a R$ 4,256, de acordo com o Monitor dos Preços do Observatório Social da Petrobras.

Fiscalização trabalhista
Folha de S.Paulo destaca que procuradores do Ministério Público do Trabalho reagiram ao decreto presidencial que determinou que a fiscalização é uma atribuição exclusiva dos auditores do Ministério do Trabalho.

Os procuradores afirmam que a exclusividade não tem respaldo legal e pode gerar insegurança jurídica para as atividades do MP e outras autoridades que participam da fiscalização trabalhista, como a Polícia Federal e o Corpo de Bombeiros. Eles estudam levar o tema à Justiça.

Varejo
Valor Econômico explora os impactos da inflação e do menor volume de vendas para varejistas de diferentes segmentos.

Entre os supermercados, o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour citaram a evolução dos preços e a perda de poder de compra do consumidor em seus relatórios de 3º trimestre.

A Via – que reúne as marcas Casas Bahia e Ponto, entre outras – também reconhece o maior comprometimento de renda da população.

No setor de vestuário, há diferentes leituras para o efeito da inflação. O presidente das Lojas Marisa, Marcelo Pimentel, disse que a inflação e o desemprego fazem o consumidor buscar produtos mais em conta, como os da rede. Com isso, houve recuperação de vendas no terceiro trimestre.

Já o presidente da Renner, Fabio Faccio, avalia que o setor tende a ser menos afetado neste momento do que o varejo de bens duráveis de preço mais alto.

Emprego 1
Painel S.A. (Folha) informa que a geração de empregos no comércio de São Paulo desacelerou em setembro e registrou o menor crescimento mensal desde abril, segundo levantamento da FecomercioSP. O saldo foi 15 mil vagas abertas com carteira assinada. Segundo a entidade, a inflação, os juros e o endividamento podem ter contribuído para o cenário.

No setor de serviços, a geração de empregos cresceu pelo nono mês seguido, com cerca de 52,7 mil novos postos em setembro, com destaque para as atividades administrativas.

Emprego 2
Reportagem no Valor repercute dados do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), anunciado ontem pela FGV, que subiu apenas 0,1 ponto em outubro ante setembro, para 87,1 pontos. Segundo a Fundação, o resultado acende “sinal de alerta” para o mercado de trabalho.

Cosméticos
Folha de S.Paulo anuncia que a francesa Hermès, terceira grife de luxo mais valiosa do mundo segundo ranking da Interbrand, inicia no Brasil as vendas de sua primeira linha de cosméticos.

Renault
O presidente global da Renault, Luca de Meo, anunciou ontem o novo posicionamento da marca no Brasil, com foco em modelos mais caros. “Não iremos nos transformar em uma marca de nicho, mas teremos que focar em produtos de mais alto nível”, disse. Registro da Folha.

Via
O crescimento de 82% em ações trabalhistas este ano, somado a um legado de processos mais antigos, pesaram sobre o resultado contábil da Via. No terceiro trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 638 milhões, ante lucro líquido de R$ 590 milhões um ano antes. A receita caiu 6%, para R$ 7,35 bilhões. Notícia do Valor.

Magalu
Valor Econômico relata que a deterioração dos indicadores econômicos pesou sobre as operações físicas da Magazine Luiza. Pelo critério “mesmas lojas”, que compara o desempenho de pontos em funcionamento há pelo menos 12 meses, as vendas caíram 8% no terceiro trimestre. A receita líquida total avançou 3,7%, para R$ 8,61 bilhões.

Renner
Reportagem no Valor conta que a inflação não foi suficiente para ofuscar o desempenho da Renner no terceiro trimestre.

De julho a setembro, a receita com a venda de mercadorias somou R$ 2,4 bilhões, alta de 43,5% sobre o terceiro trimestre do ano passado – quando parte das lojas estava fechada por causa da pandemia – e de 22,7% em relação ao mesmo intervalo de 2019.

A companhia está investindo em tecnologia para ampliar vendas, cresce acima do mercado e prevê manter o ritmo positivo nos próximos meses.

Centauro
Valor também informa que a receita líquida do grupo SBF, dono da Centauro, cresceu 140% na base anual, para R$ 1,49 bilhão. O resultado inédito é, em grande parte, apoiado pelo desempenho da divisão Fisia, que abriga as operações da Nike no Brasil e somou R$ 1 bilhão de receita bruta.

Natura
Após trimestres seguidos de crescimento nas vendas, a Natura &Co registrou queda de 4,2% na receita líquida do terceiro trimestre ante mesmo período de 2020, para R$ 9,5 bilhões, e viu seu lucro líquido recuar 28,5%, para R$ 272,9 milhões.

Segundo o Valor, o resultado é reflexo de um cenário macroeconômico mais difícil e também do bom momento vivido pela empresa e pelo setor de consumo no ano anterior.

Shoppings
No momento em que a pandemia arrefece em todo o país, a Aliansce Sonae projeta movimento “bem forte” de vendas no quarto trimestre do ano. A companhia também informou a investidores que planeja expansões em oito empreendimentos no curto prazo, além de novas aquisições e investimentos em startups de tecnologia da ordem de R$ 200 milhões nos próximos três anos, informa o Valor.

Setor aéreo
Valor mostra que as aéreas tiveram um salto no prejuízo líquido no terceiro trimestre. Há forte otimismo com os últimos meses de 2021, mas fatores como petróleo e dólar elevado mantêm um estado de cautela.

A última a divulgar seus resultados foi a Azul, ontem, com um prejuízo líquido de R$ 2,196 bilhões, alta 79% nas perdas na comparação anual.

Orçamento secreto
Manchete da Folha expõe que, após o STF suspender o pagamento das emendas do relator, já circula entre os parlamentares uma resolução do presidente da Câmara, Arthur Lira, que amplia a transparência na distribuição das verbas do Orçamento.

A medida, no entanto, mantém o controle sobre os repasses. A expectativa é de que, se aprovada, a proposta entre na negociação para que o Supremo libere a execução das emendas.

O dólar comercial fechou ontem em queda de 1,74%, cotado a R$ 5,40. Euro caiu 2,06%, chegando a R$ 6,18. A Bovespa operou com 107.594 pontos, alta de 1,54%. Risco Brasil em 338 pontos. Dow Jones caiu 0,44% e Nasdaq teve alta de 0,52%.
Valor Econômico
Inflação derruba o varejo e afeta cenário para atividade

O Estado de S. Paulo
China alça Xi ao status de Mao e abre caminho para novos mandatos

Folha de S.Paulo
Projeto de Lira traz transparência mas mantém verbas

O Globo
Bolsonaro apoia desoneração da folha por mais dois anos

Correio Braziliense
DF busca 257 mil pessoas que não tomaram a vacina

Leia também

Rolar para cima