Crise na Economia
Valor Econômico, O Globo e Folha de S.Paulo mostram que o presidente Jair Bolsonaro levou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a um evento público ontem em Brasília e reafirmou a permanência dele no governo. Guedes cobrou do Congresso, particularmente do Senado, a aprovação de reformas que, na sua visão, compensariam a desconfiança gerada no mercado após a manobra para furar o teto.
No sábado, os principais jornais destacaram o pronunciamento feito à imprensa pelo ministro Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro. Guedes defendeu o plano para driblar o teto de gastos e pagar R$ 400 no Auxílio Brasil, disse que não pediu demissão e ressaltou que o presidente também não insinuou nenhum movimento nesse sentido. O presidente Jair Bolsonaro disse ainda ter “confiança absoluta” no titular da Economia.
O ministro disse entender seus subordinados que pediram demissão, mas que é importante haver um equilíbrio entre os interesses das alas política e econômica. Ele anunciou Esteves Colnago no comando da Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento, no lugar de Bruno Funchal. Paulo Valle assume a Secretaria do Tesouro Nacional, no lugar de Jefferson Bittencourt.
A confirmação de que o ministro Paulo Guedes continua no cargo refletiu no mercado. A Bolsa fechou em queda de 1,34% nesta sexta, a 106.399 pontos. No início da tarde, o recuo havia chegado a 4,53%, diante de rumores de que Guedes poderia deixar o cargo. O dólar recuou 0,74%, a R$ 5,6250. Mais cedo, a moeda americana tinha alcançado a máxima de R$ 5,7550, alta de 1,55%.
Equipe econômica
Folha de S.Paulo (24/10) afirmou que o ministro Paulo Guedes acumula, desde que assumiu o cargo, ao menos 16 perdas de auxiliares diretos. Ele chega à reta final do ano enfrentando o maior momento de contrariedade de representantes do mercado, o que se reflete em uma pasta cada vez mais dependente de soluções internas e servidores de carreira para executar os trabalhos.
De acordo com integrantes da própria equipe econômica, nenhum profissional de alto nível do setor privado aceitaria entrar na pasta no estágio atual. Isso não quer dizer que os nomes que assumiram agora são vistos como ruins. Ao contrário, a escolha dos novos secretários é vista internamente com entusiasmo.
Auxílio Brasil
O Globo (24/10) relatou que o Auxílio Brasil terá impacto de até R$ 36 bilhões no Nordeste em 2022, região em que Jair Bolsonaro tem o menor índice de aprovação (16%). Na conta, entram o valor a ser pago aos já beneficiários do Bolsa Família e a inclusão dos que estão na fila do programa.
Analistas avaliam que, para ser reconduzido, o presidente precisa de 40% de aprovação a seis meses do pleito, meta difícil diante da perspectiva de deterioração do cenário econômico. Ainda assim, como o benefício é popular, pré-candidatos à Presidência evitam criticar o desrespeito ao teto de gastos.
Pessimismo
Valor Econômico relata que empresários e executivos da indústria estão preocupados com os rumos macroeconômicos, agravados com a crise gerada pelas mudanças no teto de gastos, que resultou em uma “debandada da equipe econômica do governo”.
Para empresário de um dos maiores grupos industriais do país, que falou sob reserva ao Valor, o clima é generalizado de desânimo e falta de confiança.
“Há uma sensação de que o governo acabou. Não acredito mais numa agenda de privatização, com exceção de alguns ativos de infraestrutura. Também não há clima para atrair investimentos estrangeiro no curto e médio prazo”, afirma.
Desoneração
Folha de S.Paulo aborda articulação do governo para barrar no Congresso projeto que estende até 2026 a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores.
A proposta está parada há um mês na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde o relator, deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG), que é aliado do Planalto, chegou a apresentar o voto e depois recuou.
Aliados defendem que o Congresso busque viabilizar a promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de desoneração permanente para todos os setores.
Combustíveis
O Correio Braziliense (24/10) chamou a atenção para o risco de desabastecimento de combustível nas próximas semanas. De acordo com o jornal, considerando o recente alerta dos distribuidores sobre a falta do produto no mês que vem, além da ameaça de greve geral dos caminhoneiros, a partir do dia 1º, o clima de tensão tende a aumentar.
Analistas explicam que existe, no momento, um cabo de guerra entre distribuidoras e a Petrobras em torno do fornecimento e da importação de combustíveis. A situação é fruto de uma política que não foi bem estruturada pelo governo e que tem falhas na regulamentação. Por conta dos desinvestimentos da estatal, que passou a focar na produção de petróleo do pré-sal, novas distribuidoras entraram no mercado.
Desigualdade
Folha de S.Paulo (24/10) trouxe trabalho inédito do Insper que mostra que a disparidade na distribuição de recursos no país caiu de forma ininterrupta entre 2002 e 2015, voltando a aumentar em 2016 e 2017, mas para um nível inferior ao da virada do milênio. Os resultados indicam que todas as fatias da população adulta brasileira situadas abaixo dos 29% mais ricos tiveram crescimento em suas rendas anuais acima da média nacional de 3%, no período analisado. |