Sumário Econômico – 1687

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Destaques da edição:

Recuperação robusta do comércio e menos negacionismoO comércio vem apresentando desempenho positivo neste ano, em que o volume de vendas do varejo alcançou o maior patamar já registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em julho, último dado disponível. Mesmo a inflação corrente elevada e mais disseminada além dos juros, em trajetória de alta, não está sendo capaz de refrear o consumo nas lojas físicas.

Embora a dinâmica atual do varejo esteja favorável, é necessário que se reconheçam os desafios que o setor vem enfrentando. Preços de diversos insumos mais elevados, fretes e energia pesando nas despesas, restrições financeiras e de dificuldades de oferta para recomposição dos estoques, margens achatadas, juros em alta, aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), inflação corrente ao consumidor reduzindo espaço da renda para o consumo, entre outros, são alguns dos obstáculos conjunturais que podem ser enumerados.

Por outro lado, a legítima ampliação que se pretende no Bolsa Família, ou Auxílio Brasil, vai ajudar ainda mais a recuperação do varejo, também nos segmentos mais afetados pela crise de saúde. Com tudo isso, nunca é demais repetir que devemos estar focados nas condições que estão liberando os caminhos da recuperação econômica atual, mesmo sabendo que impasses políticos acerca dos temas econômicos que estão em voga acabam ofuscando os passos que devemos dar.

Operações com pessoas físicas seguem se destacando no avanço do crédito –  O saldo das operações totais de crédito com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) alcançou R$ 4,3 bilhões em agosto, aumento de +1,5% em relação a julho, e de +16% em 12 meses. Entre janeiro e agosto, o aumento no estoque de crédito foi de 7,8%, em que R$ 2,5 bilhões das operações ocorreram com famílias, e R$ 1,8 bilhão com empresas. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o estoque de crédito chegou a 52,3% em agosto, após quatro meses consecutivos de queda no indicador.

O custo do crédito gradualmente tem se elevado, mas o spread (diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos investimentos) nas linhas com recursos livres mantiveram-se estáveis na passagem mensal, tanto para famílias quanto para empresas. Na comparação com dezembro de 2020, entretanto, o spread em agosto aumentou +0,7 p.p. para pessoas jurídicas, e +0,3 p.p. para pessoas físicas, segundo os dados do Banco Central.

CNC projeta maior oferta de vagas temporárias de Natal dos últimos oito anos – Com expectativa de aumento de 3,8% nas vendas de Natal em relação à mesma data do ano passado, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima a contratação de 94,2 mil trabalhadores temporários para atender ao aumento sazonal das vendas neste fim de ano. Uma vez confirmada a previsão da entidade, o varejo brasileiro produziria a maior oferta de trabalho temporário desde o Natal de 2013, quando foram abertos 115,5 mil postos de trabalho com essas características.

Oito em cada dez vagas ofertadas deverão ser preenchidas por vendedores (60,7 mil) e operadores de caixa (15,2 mil). Já os maiores salários médios deverão ser pagos aos contratados para os cargos de farmacêutico (R$ 3.373) e gerente administrativo (R$ 3.054).

Além da maior oferta de vagas, a taxa de efetivação dos trabalhadores temporários deverá ser maior do que nos últimos cinco anos, com a expectativa de absorção definitiva de 12,2% desses trabalhadores. As incertezas quanto à rapidez no combate aos fatores que têm dificultado uma evolução ainda mais favorável das condições de consumo e os desdobramentos decorrentes da crise hídrica tendem a impedir uma taxa de efetivação próxima àquelas observadas antes de 2016.

III Seminário de Análise Conjuntural – No dia 9 de setembro, foi realizado o III Seminário de Análise Conjuntural, um webinário do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) em parceria com o jornal O Estado de São Paulo. A abertura foi realizada por Cláudio Conceição, superintendente de Publicações e editor executivo da revista Conjuntura Econômica, enquanto Adriana Fernandes, repórter especial e colunista do Estadão, ficou responsável pela moderação. Os palestrantes foram: Armando Castelar, pesquisador associado do FGV IBRE, José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV IBRE, e Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro FGV IBRE.

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