Em encontro realizado entre as equipes do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) e da Divisão de Economia e Inovação (Dein) da CNC, no dia 1º de agosto, a inflação foi a principal pauta dos debates que apresentaram o tema Comércio e Serviço, Conjuntura e Perspectiva.

Para o chefe da Dein, Guilherme Mercês, o cenário externo contribuiu para a inflação brasileira, mas o aumento de preços também está muito impactado por fatores internos. O resultado é que as empresas têm sofrido para administrar seus custos, incluindo os com mão de obra. “Na prática, os números mostram que qualquer aumento da inflação acima de 8% significa praticamente um dispêndio de 14º salário para cada empresa.” Em relação ao aumento do consumo no País, o economista- chefe da CNC destacou que os programas sociais são fundamentais nesse processo. “O Auxílio Brasil e os programas de renda estão puxando os números para cima. Mesmo assim, o apetite de consumo não está muito grande para bens de maior valor agregado. A população, pela necessidade, está restringindo as compras aos itens essenciais e trocando marcas mais caras por mais baratas.”, avaliou Mercês.

A economista Izis Ferreira comentou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a qual mostra que, em julho, houve um novo recorde de famílias endividadas no País. “O cartão de crédito, embora seja um dos maiores vilões, caiu de participação no endividamento, pois os juros da modalidade cresceram acima dos juros das outras modalidades de crédito com recursos livres. Pegando as famílias mais ricas, por exemplo, os endividados no cartão chegaram a 93% desse grupo, o que mostra que eles vêm gastando mais no cartão.”

Fabio Bentes, economista da CNC, destacou que o impacto da PEC dos Auxílios no varejo chegou a R$ 16,3 bilhões. “O reajuste do Auxílio Brasil de 50%, por exemplo, vai impactar o aumento das vendas em um curto prazo, principalmente nos ramos de hiper, super e minimercados (R$ 5,53 bilhões), combustíveis e lubrificantes (R$ 3,03 bilhões) e as lojas de tecidos, vestuário e calçados (R$ 2,32 bilhões). Nós temos um efeito de curtíssimo prazo muito positivo para os setores de comércio e serviços”, disse Bentes.

Em relação ao turismo, que recuperou os níveis pré-pandemia, o economista da CNC destacou que foi o primeiro setor a sentir a crise e o primeiro a sofrer cortes. “Não é um serviço essencial; então, na hora de as famílias realizarem uma escolha, é o primeiro item a ser cortado.” Mas ressalta que, em maio, a retomada do setor praticamente igualou o faturamento de antes da pandemia e que o nível de emprego no setor deve se equiparar na próxima alta temporada.